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Crédito Rural

Cooperativas ampliam participação no crédito rural, mas 88% da carteira segue sem seguro agrícola

Relatório do Banco Central mostra que cooperativas respondem por 22% do crédito rural para pessoas físicas, com forte atuação entre pequenos e médios produtores, enquanto baixa cobertura de seguro preocupa diante dos riscos climáticos.


Publicado em: 16/07/2026 às 14:00hs

Cooperativas ampliam participação no crédito rural, mas 88% da carteira segue sem seguro agrícola

As cooperativas de crédito consolidaram sua posição como um dos principais agentes de financiamento do agronegócio brasileiro. Dados do Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC) 2025, divulgado pelo Banco Central, mostram que essas instituições já respondem por aproximadamente 22% do crédito rural destinado às pessoas físicas no Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Ao mesmo tempo em que o cooperativismo fortalece sua presença no campo, o levantamento acende um alerta: cerca de 88% da carteira rural das cooperativas não conta com seguro agrícola, ampliando a exposição de produtores e instituições financeiras aos impactos das mudanças climáticas.

Cooperativas fortalecem o financiamento ao agronegócio

A expansão das cooperativas de crédito reforça sua importância no financiamento da produção agropecuária, especialmente em municípios do interior, onde mantêm relacionamento próximo com os produtores rurais.

O modelo cooperativista se destaca pelo conhecimento da realidade local, acompanhamento dos ciclos produtivos e oferta de crédito adaptada às necessidades de cada propriedade, fatores que ampliam o acesso ao financiamento principalmente para agricultores familiares e produtores de médio porte.

Carteira de crédito rural cresce quase 17%

Segundo o Banco Central, a carteira rural e agroindustrial destinada às pessoas físicas alcançou R$ 153,3 bilhões em 2025, registrando crescimento anual de 16,9%.

O desempenho ocorreu mesmo em um ambiente de maior preocupação com riscos de crédito e reforça o protagonismo das cooperativas no financiamento de investimentos, custeio agrícola, aquisição de máquinas, equipamentos e modernização das propriedades rurais.

O avanço também evidencia o papel estratégico do cooperativismo financeiro para sustentar o crescimento da produção agropecuária brasileira.

Pequenos e médios produtores concentram 73% da carteira

O levantamento mostra que o cooperativismo mantém forte atuação junto aos produtores de menor porte.

A composição da carteira rural revela que:

  • Pequenos produtores representam 37% das operações;
  • Médios produtores concentram 36%;
  • Grandes produtores respondem por 27%.

Na prática, 73% da carteira rural das cooperativas está concentrada entre pequenos e médios produtores, segmento considerado essencial para a geração de renda, sucessão familiar, modernização tecnológica e desenvolvimento das economias regionais.

Sul lidera operações de crédito rural

A distribuição geográfica da carteira confirma a forte presença histórica das cooperativas nas principais regiões produtoras do país.

O levantamento aponta que:

  • Sul: 55% da carteira rural;
  • Sudeste: 24%;
  • Centro-Oeste: 15%.

A concentração acompanha a maior maturidade do sistema cooperativista nessas regiões, embora o Banco Central identifique espaço para expansão em áreas onde a presença das cooperativas ainda é menor.

Falta de seguro agrícola preocupa setor

O dado que mais chama atenção no relatório é a reduzida utilização do seguro agrícola.

Segundo o Panorama SNCC, 88% das operações rurais das cooperativas não possuem cobertura securitária, deixando produtores e instituições mais vulneráveis a eventos climáticos extremos, como secas prolongadas, enchentes, granizo e perdas de produtividade.

Embora a ausência de seguro não implique aumento imediato da inadimplência, ela reduz significativamente a capacidade de mitigação de riscos em um cenário marcado pela crescente instabilidade climática.

Gestão de riscos ganha importância

O Banco Central destaca que o crescimento do crédito rural exige uma gestão de riscos cada vez mais sofisticada.

Além da análise financeira tradicional, as cooperativas precisam ampliar o uso de ferramentas capazes de monitorar fatores como:

  • condições climáticas;
  • exposição regional;
  • perfil das culturas financiadas;
  • capacidade de pagamento dos produtores;
  • qualidade das garantias.

A integração entre crédito, tecnologia, monitoramento climático e proteção securitária passa a ser um diferencial para preservar a sustentabilidade da carteira rural.

Inadimplência permanece abaixo da média do sistema financeiro

Apesar da preocupação com a baixa cobertura de seguro, os indicadores de qualidade da carteira permanecem favoráveis.

Os ativos problemáticos da carteira rural das cooperativas ficaram em aproximadamente 2,3%, índice bastante inferior aos cerca de 11% registrados no restante do Sistema Financeiro Nacional, desconsiderando o segmento cooperativo.

O desempenho demonstra a eficiência do relacionamento próximo com os produtores, aliado ao conhecimento das características produtivas de cada região.

Soja, pecuária e máquinas lideram financiamentos

A carteira rural das cooperativas apresenta perfil diversificado.

Entre as atividades financiadas, destacam-se:

  • bovinocultura: aproximadamente 29% da carteira;
  • soja: cerca de 12%.

No segmento de investimentos, máquinas e implementos agrícolas representam aproximadamente 14% das operações, reforçando o apoio do cooperativismo à modernização tecnológica das propriedades rurais.

Principais números do crédito rural nas cooperativas

Os principais indicadores do Panorama SNCC 2025 mostram:

  • participação de 22% no crédito rural pessoa física do SFN;
  • carteira rural e agroindustrial de R$ 153,3 bilhões;
  • crescimento anual de 16,9%;
  • 73% da carteira concentrada entre pequenos e médios produtores;
  • 88% das operações sem seguro agrícola;
  • ativos problemáticos de 2,3%, abaixo dos 11% registrados no restante do sistema financeiro.
Cooperativismo deve ampliar proteção ao produtor

Os dados indicam que as cooperativas já exercem papel fundamental no financiamento da produção agropecuária brasileira. Entretanto, o cenário de maior frequência de eventos climáticos extremos exige avanços na proteção das operações.

A ampliação da oferta de seguro agrícola, associada à educação financeira dos produtores, à gestão integrada de riscos e ao uso de tecnologias de monitoramento, tende a fortalecer ainda mais o cooperativismo financeiro no campo.

Com presença consolidada no interior do país e forte relacionamento com seus associados, as cooperativas reúnem condições para ampliar não apenas o acesso ao crédito rural, mas também a segurança financeira dos produtores e a sustentabilidade das operações do agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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