Poder de compra do suinocultor paulista cai em julho com alta dos custos de milho e farelo de soja, aponta Cepea
Avanço dos preços dos principais insumos supera a valorização do suíno vivo, reduzindo a rentabilidade da atividade em São Paulo. Cepea também alerta para possível enfraquecimento da demanda por carne suína na segunda quinzena de julho
Publicado em: 16/07/2026 às 13:10hs
O aumento dos custos de produção voltou a pressionar a rentabilidade da suinocultura paulista em julho. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que o poder de compra do suinocultor de São Paulo diante do milho e do farelo de soja recuou na parcial do mês, refletindo a valorização mais intensa dos insumos em relação ao preço do suíno vivo.
Segundo o Cepea, considerando os dados até 14 de julho, a relação de troca frente ao farelo de soja registrou a quarta queda consecutiva, atingindo o menor nível desde janeiro de 2024. Já em relação ao milho, o indicador alcançou o patamar mais baixo desde janeiro de 2023, evidenciando o aumento da pressão sobre os custos da atividade.
Alta dos insumos supera valorização do suíno vivo
Os pesquisadores destacam que tanto o suíno vivo, quanto o milho e o farelo de soja registraram leves altas de preços neste mês em São Paulo. No entanto, os insumos avançaram em ritmo superior ao da proteína animal, reduzindo o poder de compra dos produtores.
Na prática, com a comercialização de um quilo de suíno vivo, o produtor paulista consegue adquirir atualmente:
- 4,92 quilos de milho, redução de 0,6% em relação a junho;
- 3,13 quilos de farelo de soja, queda de 0,4% no mesmo comparativo.
O desempenho reforça o desafio enfrentado pelos suinocultores em um cenário de custos elevados para alimentação animal, principal componente das despesas da atividade.
Oferta elevada limita reação dos preços
De acordo com o Cepea, a oferta de animais permanece elevada ao longo de julho, fator que continua limitando valorizações mais expressivas no mercado do suíno vivo.
Ao mesmo tempo, a demanda pela carne suína apresentou melhora durante a primeira quinzena do mês, favorecendo o escoamento da produção. Entretanto, os pesquisadores alertam que esse movimento pode perder força nas próximas semanas.
Cepea projeta demanda mais fraca na segunda quinzena
Para a segunda metade de julho, a expectativa do Cepea é de desaceleração no consumo de carne suína, reflexo da redução do poder de compra das famílias brasileiras.
Caso esse cenário se confirme, o mercado poderá enfrentar maior dificuldade para sustentar reajustes nos preços do suíno vivo, enquanto os custos com alimentação seguem pressionando as margens dos produtores.
O comportamento do milho e do farelo de soja continuará sendo determinante para a rentabilidade da atividade nas próximas semanas, especialmente em um ambiente de oferta elevada e consumo doméstico mais sensível ao orçamento das famílias.
Fonte: Portal do Agronegócio
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