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Suíno

Suinocultura do RS enfrenta prejuízos com preço do suíno abaixo do custo de produção

Excesso de oferta pressiona as cotações no Rio Grande do Sul; aumento do consumo no fim do ano e avanço das exportações podem favorecer uma recuperação, mas margens devem continuar apertadas


Publicado em: 08/09/2026 às 10:10hs

Suinocultura do RS enfrenta prejuízos com preço do suíno abaixo do custo de produção

A suinocultura do Rio Grande do Sul atravessa um período de forte pressão econômica. O valor recebido pelos animais não cobre os custos de produção, comprometendo as margens e ampliando as dificuldades financeiras dos produtores gaúchos.

O alerta foi feito pelo presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (ACSURS), Valdecir Folador, durante entrevista à Agência Safras na 49ª Expointer, realizada em Esteio (RS).

Segundo Folador, o principal fator por trás da crise não é o encarecimento da alimentação dos animais, mas o crescimento da produção acima da capacidade de absorção dos mercados brasileiro e internacional.

Excesso de suínos pressiona preços no Rio Grande do Sul

A oferta de suínos aumentou de forma expressiva tanto no Rio Grande do Sul quanto no restante do país. Com mais animais disponíveis para abate e uma demanda insuficiente para acompanhar esse avanço, os preços pagos aos produtores sofreram forte desvalorização ao longo de 2026.

A queda ganhou intensidade principalmente a partir do segundo trimestre e colocou parte dos suinocultores em uma situação na qual o custo para produzir supera a receita obtida na comercialização dos animais.

“O que está acontecendo hoje é o excesso de produção diante de um mercado, tanto interno quanto externo, que não consegue absorver toda essa produção, que cresceu acima daquilo que seria normal”, afirmou Folador.

Milho e farelo de soja permanecem relativamente estáveis

Embora a alimentação represente uma das maiores despesas da atividade, os preços do milho e do farelo de soja permaneceram relativamente estáveis nos últimos 18 a 24 meses, conforme a avaliação da ACSURS.

Dessa forma, a redução da rentabilidade está relacionada principalmente à queda do preço do suíno vivo. A combinação entre produção elevada e consumo insuficiente diminuiu o poder de negociação dos criadores e aprofundou a pressão sobre as margens.

Consumo no fim do ano pode favorecer recuperação

A expectativa do setor é de que os preços apresentem alguma reação nos próximos meses. O último trimestre costuma registrar maior consumo de carne suína, impulsionado pelas festas de fim de ano, enquanto uma possível ampliação das exportações também pode ajudar a retirar parte da oferta disponível no mercado interno.

Apesar dessa perspectiva, Folador avalia que uma recuperação mais consistente ainda não está garantida. Mesmo com eventual valorização, os preços podem continuar abaixo do nível necessário para cobrir integralmente os custos dos produtores.

“Acredito que temos, sim, uma expectativa de que o preço possa melhorar, mas talvez ainda não vá cobrir o custo de produção para o produtor empatar a conta na compra e venda dos animais”, destacou.

Ajuste da produção de suínos deve ocorrer lentamente

A adequação entre oferta e demanda tende a levar tempo. A suinocultura apresenta um ciclo produtivo relativamente longo, o que impede uma redução imediata da quantidade de animais disponíveis.

Além disso, a produção brasileira continua em ritmo acelerado. Enquanto não houver maior equilíbrio no mercado, os suinocultores poderão enfrentar preços pressionados e dificuldades para recuperar a rentabilidade.

Exportações brasileiras crescem 10% em 2026

Mesmo diante da pressão sobre os preços, as exportações brasileiras de carne suína mantiveram desempenho positivo. Nos primeiros sete meses de 2026, os embarques cresceram 10% em comparação com o mesmo período de 2025, segundo informações apresentadas pelo presidente da ACSURS.

O avanço das vendas externas ajudou a escoar parte da produção nacional, mas ainda não foi suficiente para neutralizar os efeitos da oferta elevada sobre as cotações recebidas pelos criadores.

Demanda das Filipinas volta à normalidade

As Filipinas, um dos principais destinos da carne suína brasileira, continuaram comprando o produto nacional ao longo do ano. O mercado, contudo, passou por um período de pressão sobre os preços devido ao elevado volume de carne ofertado ao país asiático.

De acordo com Folador, representantes da indústria exportadora relataram durante a Expointer uma melhora recente nas negociações.

“As Filipinas voltaram a melhorar, os preços melhoraram um pouco e a demanda voltou à normalidade”, afirmou.

A recuperação desse mercado e a continuidade do crescimento das exportações podem contribuir para reduzir o excedente doméstico. Ainda assim, o setor considera necessário acompanhar a evolução do consumo e da produção para que os preços voltem a oferecer sustentabilidade econômica aos suinocultores.

Fonte: Portal do Agronegócio

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