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Preços Agropecuários

Produção de açúcar cai 7,9% no Centro-Sul, enquanto fabricação de etanol cresce 6%

Usinas ampliam a moagem de cana na primeira quinzena de agosto, mas direcionam mais matéria-prima ao biocombustível diante da maior rentabilidade; estoques de etanol avançam 22,9%


Publicado em: 08/09/2026 às 10:30hs

Produção de açúcar cai 7,9% no Centro-Sul, enquanto fabricação de etanol cresce 6%

A produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil recuou 7,9% na primeira quinzena de agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Mesmo com o aumento da moagem de cana-de-açúcar, as usinas mantiveram maior direcionamento da matéria-prima para a fabricação de etanol.

De acordo com dados de acompanhamento da produção divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as unidades da principal região sucroenergética do país produziram 3,31 milhões de toneladas de açúcar nos primeiros 15 dias de agosto.

O resultado reforça uma tendência observada desde o início da safra 2026/27: a redução da participação do açúcar no mix industrial diante da maior atratividade econômica do etanol.

Moagem de cana cresce 2% na primeira metade de agosto

A moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul alcançou 48,39 milhões de toneladas na primeira quinzena de agosto. O volume representa crescimento de 2% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Apesar do aumento no processamento, a maior oferta de matéria-prima não se converteu em avanço na fabricação de açúcar. A estratégia industrial das usinas privilegiou o etanol, que apresentou preços mais remuneradores do que o adoçante durante boa parte da temporada.

Essa flexibilidade permite às unidades sucroenergéticas ajustar o mix produtivo conforme as condições dos mercados doméstico e internacional.

Produção de etanol sobe para 2,34 bilhões de litros

Na direção oposta à observada no açúcar, a produção total de etanol cresceu 6% na primeira metade de agosto, atingindo 2,34 bilhões de litros.

O desempenho foi impulsionado pela maior quantidade de cana destinada ao biocombustível e pelo avanço da fabricação de etanol de milho, segmento que vem ampliando sua participação na matriz brasileira de combustíveis renováveis.

A expansão do biocombustível à base de milho também contribui para reduzir a dependência do ciclo da cana, permitindo uma oferta mais regular ao longo do ano.

Produção acumulada de açúcar recua 11,7% na safra 2026/27

No acumulado da safra 2026/27, iniciada em abril, a moagem de cana no Centro-Sul alcançou 361,60 milhões de toneladas até 15 de agosto. O volume representa crescimento de 2% em relação ao mesmo período da temporada anterior.

Mesmo com mais cana processada, a produção acumulada de açúcar caiu 11,7%, totalizando 20,23 milhões de toneladas. O resultado evidencia a mudança na estratégia das usinas, que vêm reduzindo a parcela da matéria-prima utilizada na fabricação do adoçante.

A menor produção brasileira pode exercer influência sobre a oferta global, uma vez que o país ocupa posição de liderança nas exportações mundiais de açúcar. Entretanto, o comportamento das cotações também dependerá da produção de outros grandes fornecedores e das condições da demanda internacional.

Fabricação de etanol acumula alta de 14,7%

A produção acumulada de etanol apresentou movimento mais expressivo. Entre o início da safra e 15 de agosto, as usinas do Centro-Sul fabricaram 18,68 bilhões de litros, crescimento de 14,7% na comparação anual.

O avanço reflete tanto o mix mais alcooleiro das unidades que processam cana-de-açúcar quanto a expansão das plantas dedicadas ao etanol de milho.

A relação de preços entre o biocombustível e a gasolina, o consumo interno e as políticas de descarbonização permanecem entre os principais fatores capazes de orientar as decisões produtivas ao longo do restante da safra.

Estoques de etanol aumentam 22,9% no Centro-Sul

Os estoques disponíveis de etanol no Centro-Sul somavam 6,45 bilhões de litros em 15 de agosto de 2026. O volume ficou 22,9% acima do registrado na mesma data do ano passado.

O crescimento amplia a disponibilidade do biocombustível no mercado interno, mas também exige atenção quanto ao ritmo de consumo e à capacidade de absorção da oferta.

Nas próximas quinzenas, o setor deverá acompanhar a evolução dos preços do açúcar nas bolsas internacionais, a competitividade do etanol nas bombas, o comportamento da gasolina e as condições climáticas nas áreas produtoras. Esses fatores serão determinantes para novos ajustes no mix das usinas durante a safra 2026/27.

Fonte: Portal do Agronegócio

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