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Setor Sucroalcooleiro

Setor sucroenergético cobra juros menores e regras claras para ampliar investimentos no Brasil

Cadeia da cana-de-açúcar defende crédito acessível, renovação dos canaviais, expansão global do etanol e maior proteção contra riscos climáticos


Publicado em: 08/09/2026 às 11:00hs

Setor sucroenergético cobra juros menores e regras claras para ampliar investimentos no Brasil

O setor sucroenergético brasileiro considera que juros mais baixos, segurança regulatória e políticas de longo prazo serão fundamentais para destravar uma nova rodada de investimentos em canaviais, usinas, máquinas e tecnologias. A agenda também inclui o fortalecimento do etanol, a ampliação do seguro rural e a criação de mecanismos de financiamento para irrigação.

As demandas ganham relevância diante das perspectivas de recuperação da oferta de cana-de-açúcar na safra 2026/27, do avanço acelerado do etanol de milho e da tendência de maior direcionamento da matéria-prima para a fabricação de biocombustível.

Para João Baggio, CEO da G7 Agro Consultoria Comércio Exterior, o próximo governo deverá atuar em parceria com a iniciativa privada, assegurando previsibilidade e evitando medidas capazes de alterar artificialmente a competitividade entre gasolina e etanol.

Setor pede menos interferência no mercado de combustíveis

Uma das principais preocupações da cadeia está relacionada à política de preços dos combustíveis. Na avaliação de Baggio, intervenções que favoreçam a gasolina podem reduzir a competitividade do etanol e comprometer decisões de investimento tomadas por produtores e usinas.

O consultor defende que os preços sejam definidos pelas condições de mercado, permitindo uma concorrência equilibrada entre os combustíveis. Esse ambiente seria importante para estimular o consumo de etanol e oferecer maior segurança aos projetos de expansão da produção.

Embora a recuperação da demanda e das cotações do biocombustível tenha melhorado as perspectivas do segmento, o executivo avalia que o etanol poderia ocupar uma parcela maior do mercado brasileiro caso não enfrentasse distorções regulatórias e tributárias.

Safra deve ampliar produção de cana e etanol

As projeções para a safra 2026/27 reforçam a necessidade de uma estratégia integrada para o setor. A produção brasileira de cana-de-açúcar está estimada em 705,2 milhões de toneladas, enquanto a fabricação de açúcar deve alcançar 42,9 milhões de toneladas, ficando abaixo do resultado do ciclo anterior.

A produção total de etanol, por sua vez, poderá chegar a 41,9 bilhões de litros. O cenário indica maior destinação da cana para o biocombustível, influenciada pela relação de rentabilidade entre açúcar e etanol.

Diante desse movimento, representantes da cadeia defendem políticas que considerem o papel estratégico do setor na segurança energética, na geração de renda e na redução das emissões de gases de efeito estufa.

Juros elevados limitam renovação e modernização

O custo do crédito aparece entre os principais obstáculos aos investimentos no setor sucroenergético. A atividade exige volumes elevados de recursos para renovação dos canaviais, aquisição de máquinas, incorporação de tecnologias e modernização das unidades industriais.

Na avaliação de Baggio, maior responsabilidade fiscal contribuiria para a redução dos juros e criaria condições mais favoráveis ao financiamento da produção. O crédito mais acessível permitiria substituir equipamentos antigos, elevar a eficiência operacional e aumentar a produtividade agrícola e industrial.

Entre os investimentos considerados estratégicos estão a renovação de tratores e implementos, a utilização de drones na pulverização, a modernização das usinas e a adoção de soluções capazes de reduzir custos durante o ciclo produtivo.

Transição energética abre espaço para máquinas movidas a etanol

A disponibilidade de financiamento também poderá acelerar a transição energética dentro da própria cadeia produtiva. Uma das possibilidades é ampliar o uso de veículos, máquinas agrícolas e equipamentos movidos a etanol, reduzindo gradualmente a dependência do diesel.

Esse movimento fortaleceria o mercado interno do biocombustível e ajudaria a diminuir a pegada de carbono das operações agrícolas e industriais. Para o setor, a transição precisa ser acompanhada por regras estáveis, infraestrutura adequada e linhas de crédito compatíveis com o período de retorno dos investimentos.

Brasil pode transformar etanol em commodity global

Além do crescimento do consumo doméstico, a internacionalização do etanol aparece como uma das grandes oportunidades para o Brasil. A proposta é ampliar o reconhecimento do produto como uma commodity energética, criando demanda permanente em outros países.

Segundo Baggio, governo e iniciativa privada poderiam atuar conjuntamente na promoção internacional do biocombustível. O potencial de utilização vai além dos veículos leves e inclui segmentos como transporte marítimo e aviação, que buscam alternativas para reduzir emissões.

A expansão dos veículos híbridos flex também é apontada como estratégica. Essa tecnologia permitiria combinar eletrificação e etanol, aumentando a eficiência energética e ampliando o mercado consumidor para o combustível renovável brasileiro.

Etanol de milho avança e aumenta necessidade de novos mercados

A rápida expansão do etanol de milho, especialmente no Centro-Oeste, amplia a capacidade brasileira de produção. Para a safra 2026/27, o volume fabricado a partir do cereal está projetado em 11,9 bilhões de litros, crescimento de 17% em relação ao ciclo anterior.

As estimativas de longo prazo indicam que o Brasil poderá produzir 80 bilhões de litros de etanol até 2050. Esse avanço exigirá novos destinos comerciais para evitar que a oferta cresça acima da capacidade de absorção do mercado interno.

O setor avalia que uma política de expansão deverá integrar a produção de etanol de cana e de milho, estimular o consumo nacional e abrir mercados externos. A previsibilidade das regras será essencial para demonstrar aos compradores internacionais que o Brasil tem condições de garantir fornecimento contínuo.

Crédito é decisivo para renovar canaviais

A renovação dos canaviais é outra prioridade da cadeia. À medida que as plantas envelhecem, a produtividade tende a diminuir, exigindo novos investimentos para recuperar o potencial das lavouras.

Linhas de financiamento específicas poderiam ajudar produtores a renovar áreas, comprar máquinas e adquirir insumos. A medida teria reflexos sobre a produtividade, a disponibilidade de matéria-prima e a competitividade das usinas.

Também há preocupação com a dependência brasileira de fertilizantes importados. O fortalecimento da produção nacional de insumos, principalmente fosfatados, é considerado importante para reduzir a exposição do setor a crises geopolíticas, oscilações cambiais e interrupções no comércio internacional.

Seguro rural e irrigação ganham importância

As mudanças no comportamento do clima aumentam a necessidade de instrumentos de proteção para os produtores de cana-de-açúcar. Períodos prolongados de estiagem podem comprometer a formação e o desenvolvimento dos canaviais, afetando tanto a produtividade quanto a qualidade da matéria-prima.

Nesse contexto, o setor defende o fortalecimento do seguro rural e a ampliação do financiamento para projetos de irrigação. A adoção dessas ferramentas poderia reduzir a vulnerabilidade das lavouras e oferecer maior segurança ao produtor diante de eventos climáticos extremos.

A irrigação tende a ganhar espaço nas regiões em que a irregularidade das chuvas ameaça a estabilidade da produção. Entretanto, sua expansão depende de crédito de longo prazo, disponibilidade hídrica e segurança jurídica para os investimentos.

Previsibilidade será central para novos investimentos

A agenda do setor sucroenergético para o próximo ciclo de governo reúne seis prioridades: juros menores, estabilidade regulatória, fortalecimento do etanol, renovação dos canaviais, ampliação do seguro rural e investimentos em irrigação.

O desafio não se limita ao aumento da produção de cana, açúcar e etanol. A cadeia busca condições para investir com segurança, elevar a produtividade e garantir mercados capazes de absorver a expansão prevista para os próximos anos.

Para o segmento, a consolidação do Brasil como fornecedor global de energia renovável dependerá da articulação entre governo e iniciativa privada, com políticas duradouras e regras claras para produtores, usinas e investidores.

Fonte: Portal do Agronegócio

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