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Mercado Financeiro

IGP-DI sobe 0,06% em agosto, com pressão de soja, milho, bovinos e carne

Inflação medida pela FGV fica próxima da estabilidade, mas avanço dos produtos agropecuários interrompe queda registrada em julho; índice acumula alta de 2,63% em 12 meses


Publicado em: 08/09/2026 às 11:25hs

IGP-DI sobe 0,06% em agosto, com pressão de soja, milho, bovinos e carne

O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou inflação de 0,06% em agosto, após recuar 0,86% em julho. Com o resultado, o indicador calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) acumula avanço de 2,19% em 2026 e de 2,63% nos últimos 12 meses.

Apesar da variação mensal próxima da estabilidade, a composição do índice revelou uma mudança relevante na dinâmica dos preços. A principal pressão de alta veio dos produtos agropecuários no atacado, especialmente soja, milho, bovinos e carne bovina.

Em agosto de 2025, o IGP-DI havia avançado 0,20%, enquanto a inflação acumulada em 12 meses estava em 3%. A comparação mostra que o índice permanece em ritmo inferior ao observado no mesmo período do ano passado.

Preços agropecuários sustentam alta do IGP-DI

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), componente de maior peso no IGP-DI, deixou para trás a queda registrada em julho e apresentou leve avanço em agosto. O movimento foi impulsionado principalmente pela valorização de produtos ligados ao agronegócio.

Soja, milho, bovinos e carne bovina ficaram mais caros no período, contribuindo para a recuperação dos preços ao produtor. As matérias-primas brutas também mudaram de direção: depois de recuarem 3,02% em julho, passaram a registrar alta de 1,43% em agosto.

Essa reversão indica uma retomada pontual das pressões inflacionárias na origem das cadeias produtivas, com possível impacto sobre custos de processamento, comercialização e abastecimento.

Produtos industriais ajudam a conter inflação no atacado

Enquanto as commodities agropecuárias exerceram pressão de alta, os preços dos produtos industriais continuaram em queda. Esse comportamento limitou o avanço do índice ao produtor e contribuiu para manter o IGP-DI praticamente estável no mês.

De acordo com André Braz, economista do FGV IBRE, o resultado de agosto reflete justamente essa combinação: recuperação dos preços agropecuários, de um lado, e continuidade da redução dos preços industriais, de outro.

Energia elétrica, passagens aéreas e alimentos recuam no varejo

No âmbito do consumidor, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) caiu 0,37% em agosto. A redução foi favorecida principalmente pelo comportamento das tarifas de energia elétrica residencial, das passagens aéreas e dos alimentos.

A deflação no varejo funcionou como um contrapeso à valorização observada entre os produtos agropecuários no atacado. Dessa forma, embora algumas matérias-primas tenham voltado a subir, a redução dos preços pagos pelos consumidores ajudou a limitar a inflação geral medida pelo IGP-DI.

IGP-DI sinaliza mudança na composição dos preços

O resultado de agosto mostra que a inflação permanece controlada no indicador geral, mas com sinais de pressão em segmentos importantes do agronegócio. A valorização de soja, milho, bovinos e carne bovina merece atenção por envolver produtos com participação relevante nos custos das cadeias de alimentos, rações e proteínas animais.

Ao mesmo tempo, a continuidade da queda dos preços industriais e a deflação ao consumidor impediram uma aceleração mais expressiva do IGP-DI. O comportamento dos produtos agropecuários nos próximos meses será determinante para avaliar se a alta de agosto representa apenas uma recuperação pontual ou o início de uma tendência mais consistente de valorização no atacado.

Fonte: Portal do Agronegócio

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