Perdas gestacionais reduzem número de leitões e pressionam rentabilidade na suinocultura
Mortalidade embrionária, fetos mumificados e natimortos podem estar relacionados a doenças, falhas de manejo, nutrição inadequada, estresse e condições das matrizes
Publicado em: 16/09/2026 às 08:00hs
As perdas gestacionais estão entre os fatores que comprometem a eficiência reprodutiva e ampliam os prejuízos econômicos na suinocultura. A identificação do momento em que ocorre a morte e das possíveis causas é fundamental para corrigir falhas, preservar a saúde das matrizes e aumentar o número de leitões desmamados por fêmea ao ano.
Esse indicador é uma das principais referências para avaliar o desempenho produtivo das granjas. Perdas ainda no início da gestação, fetos mumificados e leitões natimortos reduzem o aproveitamento do potencial reprodutivo do plantel e elevam o custo de produção.
Segundo Fernando Zimmer, zootecnista da Auster Nutrição Animal, os problemas podem estar relacionados ao macho, à fêmea, ao embrião, a agentes infecciosos ou às condições de manejo adotadas na propriedade.
Mortalidade embrionária ocorre até os 35 dias
As perdas registradas até o 35º dia de gestação são classificadas como mortalidade embrionária. Nessa fase, os embriões são absorvidos pelo organismo da matriz e, por isso, não aparecem na contagem realizada durante o parto.
“A mortalidade embrionária ocorre até os 35 dias da gestação, período em que os embriões são absorvidos e, por isso, não são contabilizados ao parto. As causas podem ser variadas e incluem fatores relacionados ao macho, à fêmea e ao próprio embrião”, explica Zimmer.
A ausência de sinais visíveis no parto torna o acompanhamento dos índices reprodutivos ainda mais importante. Diferenças entre o número esperado e o efetivamente registrado podem ajudar a identificar problemas ocorridos nas primeiras semanas de gestação.
Mumificação fetal pode indicar mortes entre 35 e 90 dias
Após os primeiros 35 dias, as perdas passam a ser classificadas como mortes fetais. Quando ocorrem entre o 35º e o 90º dia, podem resultar em mumificação.
Nesses casos, a matriz geralmente não aborta. Os fetos permanecem no útero e são identificados no parto com coloração escurecida e diferentes níveis de desidratação.
As mortes registradas depois dos 90 dias são associadas à natimortalidade. A classificação considera o momento em que a perda ocorreu em relação ao parto, permitindo diferenciar casos anteriores, ocorridos durante o nascimento ou identificados logo após esse processo.
A separação correta entre mortalidade embrionária, mumificação e natimortalidade ajuda a compreender a origem do problema e direcionar medidas específicas dentro da granja.
Doenças podem provocar distúrbios reprodutivos
As perdas gestacionais podem ter causas infecciosas e não infecciosas. Entre os agentes associados a distúrbios reprodutivos estão o circovírus suíno, o parvovírus, a bactéria Leptospira sp., a Brucella suis e o vírus responsável pela doença de Aujeszky.
Embora menos frequentes, as causas infecciosas exigem atenção devido ao potencial de comprometer o desempenho reprodutivo e a condição sanitária do plantel.
A prevenção depende de protocolos sanitários, controle da entrada de animais, vacinação quando indicada e acompanhamento técnico. A investigação dos casos também deve considerar o histórico da granja e a recorrência das perdas.
Manejo e condições das matrizes concentram principais riscos
Na rotina das propriedades, os fatores não infecciosos são apontados como os mais frequentes. Eles abrangem características dos animais e falhas relacionadas ao ambiente, à alimentação e à condução dos partos.
“Na prática, os fatores não infecciosos predominam e costumam estar ligados ao manejo e às condições produtivas”, afirma Zimmer.
Entre os pontos de atenção estão genética, alta prolificidade, ordem de parto elevada e escore corporal inadequado da matriz no momento da cobertura. Estresse, ambiência desfavorável e ingestão insuficiente de água também podem prejudicar a gestação.
A lista inclui ainda partos distócicos, falhas na indução, ausência de assistência durante o nascimento, presença de micotoxinas na alimentação e desequilíbrios nutricionais.
Diagnóstico correto ajuda a reduzir prejuízos
A redução das perdas começa pelo registro detalhado das ocorrências. Classificar corretamente fetos mumificados e natimortos permite relacionar os problemas ao período da gestação e identificar possíveis falhas sanitárias, nutricionais ou operacionais.
“São etapas essenciais para compreender as causas e direcionar medidas de correção”, destaca o zootecnista.
Além dos registros reprodutivos, o produtor deve acompanhar o consumo de água e alimentos, o escore corporal das fêmeas, a qualidade das rações, a ambiência das instalações e a assistência oferecida durante os partos.
Segundo Zimmer, estratégias de manejo, nutrição equilibrada, controle sanitário e atenção ao bem-estar das matrizes são determinantes para reduzir perdas e melhorar o desempenho reprodutivo.
Com acompanhamento técnico e indicadores bem estruturados, a granja pode identificar os principais pontos de risco, adotar medidas corretivas e aumentar a quantidade de leitões produzidos e desmamados por fêmea ao ano.
Fonte: Portal do Agronegócio
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