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Saúde Animal

Manejo de bezerras reduz mortalidade e influencia produtividade futura do rebanho leiteiro

Cuidados com a vaca no período de transição, fornecimento correto de colostro e prevenção de doenças são decisivos para o desenvolvimento dos animais até a recria


Publicado em: 16/09/2026 às 07:30hs

Manejo de bezerras reduz mortalidade e influencia produtividade futura do rebanho leiteiro

Os cuidados adotados entre o pós-parto da vaca e os primeiros meses de vida da bezerra podem afetar a saúde, o desenvolvimento e o desempenho futuro do rebanho leiteiro. Manejo da matriz, colostragem, higiene, nutrição e prevenção de doenças precisam integrar um mesmo protocolo dentro da propriedade.

A importância dessas medidas é demonstrada pelos índices de mortalidade registrados na criação de bezerras. Um estudo realizado em 1.451 propriedades leiteiras familiares do Rio Grande do Sul, com informações de mais de 12 mil animais, identificou mortalidade de 8,5% até o desmame.

Do total, 6,9% corresponderam a mortes ocorridas após o nascimento. A diarreia apareceu entre as principais causas relatadas pelos produtores. Em 16% das propriedades avaliadas, a mortalidade foi igual ou superior a 20%, evidenciando o impacto de falhas sanitárias e de manejo.

“Os primeiros dias de vida representam uma janela importante para estabelecer as bases de saúde da bezerra. Por isso, é fundamental olhar para esse período de forma integrada”, afirma Daniel Miranda, gerente de Produto da linha de Leite da Zoetis Brasil.

Cuidados com a bezerra começam antes do nascimento

A formação de uma bezerra saudável começa ainda durante a gestação, especialmente no período de transição da vaca. Essa fase compreende as semanas anteriores e posteriores ao parto e concentra mudanças fisiológicas, metabólicas e nutricionais importantes.

Entre os problemas que podem atingir as matrizes estão retenção de placenta, metrite, distúrbios metabólicos e dificuldades de locomoção. Essas condições podem comprometer a recuperação da vaca, sua produção de leite e os cuidados iniciais com a cria.

Um estudo publicado na revista Pesquisa Veterinária Brasileira, realizado em uma propriedade de Minas Gerais com 900 vacas em lactação, estimou em US$ 8.878 o custo causado pela retenção de placenta durante o período analisado. O valor correspondeu a 19.666 litros de leite e representou 0,34% da produção anual da fazenda.

O trabalho também apontou que aproximadamente 75% das doenças que atingem vacas leiteiras ocorrem no primeiro mês após o parto.

“Quando falamos em saúde da bezerra, é importante não olhar apenas para o animal recém-nascido. A condição da vaca, o parto e o manejo realizado imediatamente após o nascimento fazem parte de uma mesma estratégia”, ressalta Miranda.

Colostro define proteção nas primeiras horas de vida

Depois do nascimento, a transferência de imunidade passiva está entre as prioridades do manejo. Como as bezerras nascem com proteção imunológica limitada, dependem dos anticorpos presentes no colostro para enfrentar os agentes causadores de doenças.

O sucesso da colostragem não depende somente da qualidade. Também devem ser considerados o volume fornecido, o intervalo entre o nascimento e a primeira ingestão, as condições de higiene e a forma de armazenamento.

Quanto mais cedo o colostro for fornecido adequadamente, maior tende a ser o aproveitamento dos anticorpos pelo organismo da bezerra. A demora ou o fornecimento de produto contaminado e de baixa qualidade pode aumentar a vulnerabilidade a doenças.

O acompanhamento dos indicadores de colostragem permite identificar falhas no protocolo e corrigir procedimentos. A avaliação deve abranger a qualidade do colostro, o horário de fornecimento e a resposta imunológica dos animais.

Diarreia está entre as principais causas de mortalidade

As diarreias estão entre os problemas sanitários mais frequentes na criação de bezerras. Além do risco de morte, podem provocar desidratação, perda de peso, menor aproveitamento dos nutrientes e atraso no desenvolvimento.

A prevenção passa pela higiene das instalações e dos utensílios, qualidade da água e dos alimentos, correta desinfecção do umbigo, colostragem eficiente e acompanhamento diário dos animais.

Mudanças no comportamento, redução do consumo, fezes alteradas e sinais de desidratação precisam ser identificados rapidamente. O diagnóstico e a definição do tratamento devem ser realizados com orientação de um médico-veterinário.

A organização das informações sanitárias também ajuda a propriedade a reconhecer os períodos de maior incidência e investigar possíveis falhas de manejo.

Doenças respiratórias comprometem crescimento e recria

As enfermidades respiratórias representam outro desafio durante o aleitamento e podem produzir consequências que se estendem até a fase de recria.

Ventilação inadequada, excesso de umidade, mudanças bruscas de temperatura, alta densidade de animais, exposição a agentes infecciosos e falhas na transferência de imunidade aumentam o risco de ocorrência.

Além de causar despesas com medicamentos e assistência veterinária, os quadros respiratórios podem reduzir o ganho de peso e atrasar o desenvolvimento das futuras matrizes.

A prevenção deve reunir conforto térmico, ventilação, higiene, monitoramento e vacinação definida de acordo com os riscos sanitários de cada propriedade.

Vacinação deve integrar protocolo individualizado

A vacinação de bezerras precisa fazer parte de um programa sanitário elaborado conforme o histórico de doenças, o sistema de criação, a circulação de agentes infecciosos e as condições das instalações.

Entre as tecnologias disponíveis está a Inforce 3, vacina intranasal da Zoetis indicada para prevenção de doenças respiratórias provocadas pelo vírus sincicial respiratório bovino (BRSV), pela rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR) e pelo vírus da parainfluenza tipo 3 (PI3).

Conforme as informações do fabricante, o produto pode ser aplicado a partir do primeiro dia de vida e atua sobre a imunidade da mucosa, a resposta celular e a produção de anticorpos. A utilização deve seguir a bula e a orientação do médico-veterinário responsável.

“A vacinação, a colostragem, a higiene, a nutrição, o conforto e o monitoramento precisam estar integrados. O objetivo é reduzir a ocorrência de doenças e permitir que a bezerra expresse seu potencial de crescimento durante a recria”, explica Miranda.

Saúde da vaca exige diagnóstico veterinário

As enfermidades que atingem as matrizes no período de transição também demandam diagnóstico preciso. A escolha do tratamento deve considerar a doença, as condições do animal, o histórico da propriedade e as regras relacionadas ao uso de medicamentos em bovinos leiteiros.

O Excede, à base de ceftiofur, é citado pela Zoetis entre as opções indicadas para situações específicas em bovinos, incluindo o tratamento e o controle da doença respiratória bovina e da podridão dos cascos.

Por se tratar de antibiótico, sua utilização deve ser definida pelo médico-veterinário, com respeito à indicação, dosagem, período de tratamento, descarte do leite e demais orientações previstas em bula.

O uso responsável de antimicrobianos é fundamental para garantir a eficácia do tratamento, a segurança dos alimentos e a proteção da saúde animal.

Nutrição influencia o desempenho até a vida adulta

Depois da colostragem, o programa nutricional precisa acompanhar o rápido desenvolvimento da bezerra. Qualidade do leite ou sucedâneo, acesso à água, fornecimento de concentrado e transição para alimentos sólidos influenciam o crescimento e a preparação para o desmame.

A alimentação deve ser ajustada à idade, ao peso e ao objetivo produtivo. O acompanhamento do ganho de peso permite avaliar se o protocolo está atendendo às necessidades dos animais.

Bezerras que enfrentam doenças recorrentes ou restrição nutricional podem apresentar crescimento mais lento, permanecer por mais tempo na recria e chegar tardiamente à fase reprodutiva.

Por isso, as despesas realizadas nos primeiros meses devem ser avaliadas como investimentos na formação das futuras matrizes.

Indicadores ajudam a reduzir perdas na criação de bezerras

A implantação de protocolos precisa ser acompanhada por registros que permitam medir os resultados. Entre os principais indicadores estão mortalidade, incidência de diarreia e doenças respiratórias, falhas na transferência de imunidade, ganho médio diário e idade ao desmame.

Os dados ajudam a identificar pontos críticos e mostram se as mudanças realizadas estão reduzindo perdas. Também permitem comparar períodos, lotes e diferentes práticas de manejo.

“Uma bezerra saudável é resultado de um conjunto de cuidados que começa antes mesmo do nascimento. O desafio é transformar cada etapa em um protocolo consistente, com acompanhamento dos indicadores e atuação preventiva”, conclui Miranda.

Da saúde da vaca no período de transição ao desenvolvimento da bezerra durante a recria, cada decisão interfere na construção do futuro rebanho. A integração entre manejo, nutrição, prevenção e assistência veterinária amplia as possibilidades de reduzir a mortalidade e formar animais mais saudáveis e produtivos.

Fonte: Portal do Agronegócio

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