Suíno

Bem-estar animal na suinocultura brasileira aumenta qualidade da carne e rentabilidade das granjas

Manejo humanitário, ambientes enriquecidos e tecnologia contribuem para reduzir perdas, valorizar produtos e atender consumidores cada vez mais conscientes


Publicado em: 05/02/2026 às 07:00hs

Bem-estar animal na suinocultura brasileira aumenta qualidade da carne e rentabilidade das granjas
Bem-estar animal: uma estratégia científica e econômica

O bem-estar animal deixou de ser apenas uma questão ética e se tornou um pilar estratégico da suinocultura brasileira. Baseado em dados, fisiologia e comportamento, o conceito busca permitir que o suíno expresse seus comportamentos naturais com saúde e sem estresse, resultando em melhorias na produtividade, na rentabilidade e na qualidade da carne.

De acordo com Filipe Dalla Costa, coordenador técnico de Bem-Estar Animal da MSD Saúde Animal, “bem-estar animal é gestão e ciência. É garantir que a relação humano-animal seja respeitosa e conecte alimentação adequada, ambiência confortável, boa saúde, capacidade de expressão dos comportamentos naturais e bom estado mental”.

Práticas tangíveis de bem-estar nas granjas

Na suinocultura, o bem-estar é implementado por meio de ações práticas que combinam sanidade, manejo e tecnologia. Entre as principais estratégias estão:

  • Tecnologia e inovação
    • Programas de vacinação sem agulha, como sistemas IDAL, que reduzem estresse;
    • Inteligência Artificial para monitorar sinais de fome, frio ou desconforto nos animais, permitindo intervenção precoce.
  • Enriquecimento ambiental
    • Uso de objetos e estímulos para reduzir o tédio e evitar comportamentos anormais, como mordedura de cauda;
    • Gestação em grupos, promovendo socialização e fortalecimento imunológico.
  • Ambiência e nutrição
    • Conforto térmico adequado a cada fase de vida;
    • Acesso constante a água potável e alimentação balanceada;
    • Espaço suficiente para movimentação natural, evitando superlotação.
  • Manejo racional
    • Condução calma dos grupos, sem gritos e nos horários mais frescos;
    • Infraestrutura de maternidade que protege os leitões e permite que a porca se movimente com facilidade.

Segundo Filipe, “o bem-estar é essencial para a sustentabilidade dos sistemas produtivos e para atender consumidores que buscam produtos éticos e de qualidade”.

Impacto do estresse na qualidade da carne

O nível de estresse dos suínos influencia diretamente o sabor e a textura da carne. Animais submetidos a estresse liberam cortisol e adrenalina, alterando o pH pós-abate e afetando a suculência, cor e consistência da carne.

“Quando adotamos práticas de bem-estar, garantimos um produto mais suculento, nutritivo e seguro, desde a granja até a mesa do consumidor”, explica Filipe Dalla Costa.

Integração entre produtividade, ética e sustentabilidade

Além de melhorar a qualidade do produto final, as práticas de bem-estar animal promovem:

  • Redução de perdas e mortalidade;
  • Capacitação dos manejadores, com foco em processos éticos e produtivos;
  • Harmonia entre pessoas, animais e meio ambiente, fortalecendo a sustentabilidade da produção.

Para certificar esses processos, o setor conta com selos como a Certificação em Bem-Estar Único – Missão de Cuidar, auditada pela QIMA/WQS, que avalia mais de 150 critérios científicos, incluindo saúde animal, humana e proteção ambiental.

Conclusão

A suinocultura brasileira mostra que respeito ao animal, inovação tecnológica e manejo humanizado não apenas atendem às demandas de consumidores conscientes, mas também impulsionam a produtividade, reduzem perdas e elevam a qualidade da carne, consolidando a competitividade do setor no mercado global.

Fonte: Portal do Agronegócio

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