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Saúde Animal

Verminose em bovinos na seca: parasitas podem permanecer por até seis meses e reduzir o ganho de peso do rebanho

Especialistas alertam que a estiagem diminui a sobrevivência de larvas nas pastagens, mas não elimina os parasitas já presentes nos animais. Controle estratégico é fundamental para evitar perdas na pecuária de corte.


Publicado em: 07/08/2026 às 08:30hs

Verminose em bovinos na seca: parasitas podem permanecer por até seis meses e reduzir o ganho de peso do rebanho

A chegada do período seco costuma reduzir a preocupação de muitos pecuaristas com as verminoses bovinas. No entanto, especialistas alertam que a estiagem não elimina o risco de infestações parasitárias, já que os vermes adquiridos anteriormente podem permanecer no organismo dos animais por até seis meses, comprometendo a produtividade e aumentando os prejuízos econômicos nas fazendas.

Embora a baixa umidade reduza a sobrevivência de ovos e larvas nas pastagens, os parasitas instalados no trato gastrointestinal dos bovinos continuam consumindo nutrientes essenciais, afetando diretamente o ganho de peso, a conversão alimentar e o desempenho zootécnico do rebanho.

Verminoses continuam impactando a produtividade durante a seca

De acordo com o médico-veterinário Ingo Mello, gerente técnico de Gado de Corte da Ourofino Saúde Animal, infecções adquiridas antes da estiagem permanecem ativas durante boa parte do período seco.

Segundo o especialista, os parasitas internos continuam competindo pelos nutrientes ingeridos pelos animais justamente em uma época em que a disponibilidade e a qualidade das pastagens são naturalmente menores.

Essa combinação potencializa os efeitos negativos sobre o desempenho produtivo, especialmente em sistemas de criação extensivos.

Perda de peso nem sempre está relacionada apenas à qualidade da pastagem

Durante a seca, a redução do valor nutricional das forragens costuma ser apontada como a principal causa da perda de peso dos bovinos. Entretanto, as verminoses podem agravar significativamente esse cenário.

Além de consumirem nutrientes importantes, os parasitas podem provocar lesões no trato gastrointestinal, inflamações e aumento do gasto energético do organismo, dificultando o desenvolvimento dos animais.

Como consequência, o rebanho apresenta menor eficiência alimentar, redução do ganho médio diário e maior vulnerabilidade a outras enfermidades.

Principais sinais de verminose em bovinos

Os produtores devem ficar atentos a alterações que podem indicar a presença de parasitas internos, entre elas:

  • dificuldade para ganhar peso ou emagrecimento;
  • redução do escore corporal;
  • pelagem opaca, áspera ou sem brilho;
  • queda no desempenho do lote;
  • menor disposição dos animais durante o manejo.

Embora esses sintomas também possam estar associados à deficiência nutricional ou a outras doenças, especialistas recomendam uma avaliação criteriosa do histórico sanitário, das condições das pastagens e da evolução produtiva do rebanho antes da definição do tratamento.

Controle preventivo reduz perdas econômicas na pecuária

Um dos principais desafios das verminoses é que nem sempre elas provocam sinais clínicos evidentes nas fases iniciais.

Em muitos casos, o primeiro indicativo é a redução gradual do desempenho dos animais, quando parte das perdas produtivas já ocorreu.

Por isso, o controle parasitário deve fazer parte do planejamento sanitário da propriedade e não apenas ser realizado quando os sintomas se tornam visíveis.

Especialistas recomendam que a estratégia considere fatores como:

  • categoria animal;
  • idade dos bovinos;
  • histórico de infestações da propriedade;
  • resultados de tratamentos anteriores;
  • nível de infestação da fazenda;
  • épocas de maior risco.
Recria e animais jovens exigem atenção redobrada

Bovinos em fase de recria e sobreano estão entre as categorias mais sensíveis às verminoses.

Nessa fase, qualquer redução no ganho de peso pode atrasar o ciclo produtivo, aumentar os custos de produção e comprometer o retorno dos investimentos realizados em genética, suplementação alimentar e manejo.

O monitoramento constante do desempenho desses animais é considerado uma das principais ferramentas para identificar precocemente possíveis problemas sanitários.

Resistência dos parasitas preocupa técnicos e produtores

Outro desafio crescente na pecuária brasileira é o avanço da resistência parasitária aos vermífugos.

O uso repetitivo de um mesmo princípio ativo, aplicações sem diagnóstico ou protocolos inadequados podem reduzir gradativamente a eficácia dos tratamentos.

Por esse motivo, médicos-veterinários recomendam que os programas de controle sejam revisados periodicamente e adaptados às características de cada propriedade, evitando a seleção de populações resistentes.

Planejamento sanitário aumenta a eficiência do manejo

Em sistemas extensivos, reunir o rebanho diversas vezes ao longo da seca pode elevar custos operacionais, aumentar o estresse dos animais e demandar maior utilização de mão de obra.

Nesse cenário, protocolos de controle com produtos de ação prolongada, quando indicados pelo médico-veterinário e utilizados conforme orientação técnica e legislação vigente, podem contribuir para ampliar o período de proteção e reduzir a necessidade de manejos frequentes.

Independentemente da estratégia adotada, especialistas reforçam que o produtor deve registrar os tratamentos realizados, acompanhar a evolução do ganho de peso, monitorar o escore corporal e avaliar continuamente a resposta do rebanho às medidas de controle.

Sanidade é fator decisivo para a rentabilidade da pecuária

Em um cenário de margens cada vez mais apertadas, manter o rebanho saudável tornou-se um dos principais fatores para aumentar a eficiência produtiva da pecuária brasileira.

O controle estratégico das verminoses, aliado ao manejo nutricional, à qualidade das pastagens e ao acompanhamento veterinário, contribui para reduzir perdas econômicas, melhorar o desempenho dos animais e elevar a rentabilidade das propriedades rurais durante todo o ciclo produtivo.

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Fonte: Portal do Agronegócio

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