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Saúde Animal

Pleuropneumonia suína ameaça desempenho dos animais e aumenta perdas silenciosas na suinocultura

Doença respiratória causada pelo Actinobacillus pleuropneumoniae pode reduzir ganho de peso, piorar conversão alimentar e comprometer a rentabilidade dos sistemas de produção de suínos.


Publicado em: 13/07/2026 às 15:30hs

Pleuropneumonia suína ameaça desempenho dos animais e aumenta perdas silenciosas na suinocultura

A eficiência produtiva da suinocultura moderna depende cada vez mais do controle de fatores que afetam o desempenho dos animais, e a saúde respiratória está entre os principais pontos de atenção. Entre as enfermidades de maior impacto está a pleuropneumonia suína, uma doença causada pela bactéria Actinobacillus pleuropneumoniae (App), capaz de provocar desde quadros agudos com alta mortalidade até perdas silenciosas que passam despercebidas durante o ciclo produtivo.

O desafio para os produtores está justamente nas formas menos evidentes da doença. Mesmo sem sinais clínicos intensos, animais afetados podem apresentar redução no crescimento, menor eficiência alimentar e perda de uniformidade do lote, comprometendo diretamente os resultados econômicos da granja.

Doença respiratória reduz capacidade produtiva dos suínos

Nos casos mais graves, a pleuropneumonia suína apresenta sinais como dificuldade respiratória, febre, apatia, queda de consumo de ração e mortalidade elevada.

Entretanto, os quadros crônicos ou subclínicos representam um dos maiores desafios para a cadeia produtiva. Nesses casos, o animal continua no sistema, mas com o pulmão comprometido, utilizando parte da energia ingerida para combater a inflamação e reparar tecidos lesionados.

Como consequência, ocorre menor direcionamento de nutrientes para crescimento muscular, afetando indicadores importantes como:

  • ganho médio diário de peso;
  • conversão alimentar;
  • peso final ao abate;
  • uniformidade dos lotes;
  • rendimento econômico da produção.
Lesões pulmonares podem gerar prejuízos até no frigorífico

O impacto da pleuropneumonia não termina dentro da granja. Lesões pulmonares e pleurites identificadas no abate são importantes indicadores de que o animal enfrentou desafios sanitários durante o período de produção.

Estudos apontam que o aumento da ocorrência de pleurite está relacionado à redução do peso de carcaça e à perda de eficiência industrial. Segundo pesquisas citadas no setor, a cada aumento de 1% no nível de pleurite em um lote pode ocorrer redução média de aproximadamente 70 gramas no peso de carcaça por animal.

Além disso, níveis elevados de lesões podem interferir no ritmo operacional dos frigoríficos, aumentando descartes e reduzindo a eficiência do processamento.

Diferentes sorotipos aumentam complexidade do controle

Outro fator que torna a doença desafiadora é a diversidade do agente causador. O Actinobacillus pleuropneumoniae possui diferentes sorotipos, que podem circular simultaneamente dentro de uma mesma granja.

Essa característica exige acompanhamento sanitário contínuo, já que mudanças no perfil do agente podem alterar a resposta dos animais e a eficiência das estratégias de prevenção.

Além disso, suínos recuperados de infecções ou portadores crônicos podem permanecer como fonte de disseminação, mantendo a pressão de infecção dentro do sistema produtivo.

Ambiente e manejo influenciam avanço da doença

A manifestação da pleuropneumonia está diretamente relacionada ao equilíbrio sanitário da propriedade.

Fatores como:

  • ventilação inadequada;
  • alta densidade de animais;
  • variações bruscas de temperatura;
  • falhas na biosseguridade;
  • mistura de lotes;
  • problemas no fluxo de produção;
  • podem favorecer a circulação do agente e intensificar os impactos respiratórios.

A doença também pode se agravar quando ocorre associação com outros patógenos respiratórios, aumentando processos inflamatórios e ampliando as perdas de desempenho.

Diagnóstico e monitoramento são fundamentais

O controle eficiente da pleuropneumonia suína exige uma estratégia integrada, envolvendo diagnóstico, acompanhamento dos indicadores produtivos, avaliação de lesões no frigorífico, biosseguridade e medidas preventivas.

A observação apenas dos sinais clínicos pode não revelar o tamanho real do problema, principalmente em situações de infecção crônica.

Por isso, o monitoramento contínuo permite identificar perdas antes que elas comprometam significativamente os resultados econômicos da produção.

Vacinação ganha espaço nos programas sanitários

Dentro das estratégias de prevenção, a vacinação exerce papel importante para reduzir a intensidade dos desafios sanitários e minimizar impactos sobre o desempenho dos animais.

Especialistas destacam que a imunização deve fazer parte de um programa amplo, associado ao manejo adequado, controle ambiental e redução da pressão de infecção.

O objetivo é preservar a saúde pulmonar, melhorar a uniformidade dos lotes e proporcionar maior previsibilidade aos resultados produtivos.

Saúde pulmonar se transforma em fator estratégico para rentabilidade

Na suinocultura atual, pequenos desvios de desempenho podem representar grandes impactos financeiros. Por isso, doenças respiratórias como a pleuropneumonia suína precisam ser avaliadas além dos casos clínicos aparentes.

O que começa como uma lesão pulmonar pode evoluir para menor ganho de peso, pior conversão alimentar, redução da qualidade da carcaça e perda de competitividade.

Com maior pressão por eficiência e sustentabilidade econômica, proteger a saúde respiratória dos animais se tornou uma das decisões técnicas mais importantes para garantir produtividade e rentabilidade na cadeia da carne suína.

Fonte: Portal do Agronegócio

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