Clima e oferta movimentam preços agrícolas em São Paulo: banana dispara, café recua e tomate lidera quedas em junho
Relatório da Faesp mostra que condições climáticas e dinâmica de mercado impulsionaram fortes oscilações nos preços pagos ao produtor paulista, com altas expressivas para banana, limão e batata-doce, enquanto café, tomate e mandioca perderam valor
Publicado em: 14/07/2026 às 11:00hs
Clima e oferta determinam comportamento dos preços agrícolas em São Paulo
As condições climáticas e a variação da oferta dos principais produtos agrícolas foram os fatores decisivos para o comportamento dos preços pagos aos produtores rurais paulistas em junho. É o que aponta o Relatório de Acompanhamento Mensal dos Preços Pagos ao Produtor, elaborado pelo Departamento Econômico da Faesp com base em informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Cepea/Esalq-USP.
O levantamento mostra um mercado marcado por fortes oscilações, refletindo os impactos do frio, das chuvas e da dinâmica de oferta e demanda nas principais cadeias do agronegócio paulista.
Banana lidera altas com redução da oferta
Entre os produtos que mais valorizaram no mês, a banana prata apresentou o maior avanço, com alta de 26,9% em relação a maio.
Segundo o relatório, as temperaturas mais baixas reduziram o desenvolvimento dos bananais e comprometeram a qualidade dos frutos, diminuindo a disponibilidade para comercialização.
A banana nanica seguiu a mesma tendência e registrou valorização de 17,1%, também influenciada pelas condições climáticas desfavoráveis.
Limão e batata-doce também registram forte valorização
Outro destaque foi o limão taiti, cujo preço subiu 24,9% em junho.
A valorização ocorreu devido à menor oferta de frutos dentro do padrão comercial, consequência das irregularidades climáticas observadas ao longo do ciclo produtivo.
Já a batata-doce apresentou aumento de 19,8% no mês e impressiona no comparativo anual, acumulando alta de 121,6% frente a junho de 2025.
Alfaces, trigo, feijão, soja e ovos encerram mês em alta
Outros produtos também fecharam junho com valorização:
- Alface crespa: +15,8%
- Alface americana: +14,7%
- Trigo: +6,3%
- Feijão cores: +5,6%
- Laranja destinada à indústria: +5,0%
- Ovos: +4,8%
- Soja: +3,8%
Na comparação com junho do ano passado, o feijão cores chama atenção ao acumular valorização de 89,2%, enquanto a alface americana subiu 27,3% e a alface crespa avançou 36,8%.
Tomate registra maior queda entre os alimentos
No grupo das baixas, o tomate liderou as desvalorizações ao recuar 23,8% em junho.
Segundo a Faesp, o avanço da colheita de inverno aumentou significativamente a oferta do produto, ao mesmo tempo em que a demanda permaneceu mais fraca, pressionando as cotações.
A mandioca também apresentou retração expressiva de 13,8%, reflexo do menor interesse na comercialização das raízes de primeiro ciclo e da prioridade dos produtores pelo plantio de novas áreas.
Colheita amplia oferta e pressiona preços do café
O café arábica encerrou junho com queda de 10,7%.
O relatório atribui o movimento principalmente ao avanço da colheita da safra 2026/27, que elevou a disponibilidade da commodity e pressionou os preços durante a primeira metade do mês.
Entretanto, o aumento das chuvas nas principais regiões produtoras paulistas limitou perdas ainda maiores. As precipitações provocaram queda de frutos dos cafezais, dificultaram a secagem dos grãos e favoreceram o surgimento de mofo, reduzindo o ritmo de entrada do café no mercado e permitindo recuperação parcial das cotações na segunda quinzena.
Milho, frango, suínos e laranja também encerram junho em baixa
Além do café, outros importantes produtos do agronegócio paulista registraram retração nos preços:
- Laranja pera: -8,9%
- Frango vivo: -9,0%
- Milho: -2,9%
- Suíno: -2,6%
No acumulado dos últimos 12 meses, as maiores perdas ficaram concentradas nas cadeias da citricultura e da proteína animal.
A laranja pera acumula queda de 43,6%, enquanto a laranja destinada à indústria registra recuo de 40,8%. O suíno apresenta desvalorização de 38,5%, seguido pelo café arábica, com retração de 30,5% no período.
Mercado segue atento ao clima e ao avanço da safra
O relatório da Faesp evidencia que fatores climáticos continuam exercendo forte influência sobre os preços agrícolas em São Paulo. Temperaturas mais baixas, irregularidade das chuvas e o ritmo das colheitas seguem alterando a disponibilidade de produtos e, consequentemente, a formação dos preços ao produtor.
Para os próximos meses, a evolução das condições climáticas e o comportamento da oferta das principais culturas deverão continuar sendo determinantes para o mercado agrícola paulista, especialmente em cadeias estratégicas como café, frutas, grãos e hortaliças.
Fonte: Portal do Agronegócio
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