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Pastagens

Manejo eficiente do pastejo pode elevar produtividade e competitividade do leite

Pesquisador uruguaio mostrará no SBSBL como pastagens, suplementação e uso eficiente da terra podem reduzir custos e fortalecer sistemas leiteiros modernos


Publicado em: 22/09/2026 às 10:45hs

Manejo eficiente do pastejo pode elevar produtividade e competitividade do leite

A modernização da pecuária leiteira não exige necessariamente a redução das pastagens na alimentação dos rebanhos. Quando produção de forragem, manejo do pastejo e suplementação são planejados de forma integrada, o pasto pode contribuir para elevar a produtividade, controlar custos e ampliar a competitividade das propriedades.

O tema será apresentado pelo professor e pesquisador Gabriel Menegazzi durante o 15º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), de 6 a 8 de outubro, em Chapecó (SC).

A palestra “O papel do pastejo na produção e competitividade de sistemas leiteiros modernos” ocorrerá às 14h40 do dia 6 de outubro. A apresentação integrará o Painel Sistemas de Produção, responsável por abrir a programação científica do evento.

Tecnologia não elimina importância das pastagens

Professor do Departamento de Produção Animal e Pastagens da Universidad de la República, no Uruguai, Menegazzi utilizará a experiência uruguaia para discutir como as pastagens podem continuar estratégicas em uma pecuária tecnificada e orientada ao mercado internacional.

O Uruguai exporta aproximadamente 70% do leite que produz e mantém a forragem como um componente importante da alimentação dos animais.

“Modernizar um sistema não significa necessariamente reduzir a participação do pasto, mas aprimorar a forma como ele é produzido, manejado e integrado aos demais recursos da propriedade”, afirma o pesquisador.

A discussão não ficará restrita ao volume de pasto disponível. A proposta é analisar como o manejo das pastagens e sua combinação com a suplementação afetam o consumo dos animais, o aproveitamento dos nutrientes e o resultado econômico da fazenda.

Produtividade por vaca não define sozinha a eficiência

A avaliação de uma propriedade leiteira não deve considerar apenas a quantidade de leite produzida individualmente pelas vacas. Indicadores como produção por hectare, volume de alimento utilizado, aproveitamento da terra, custos e retorno econômico também precisam integrar a análise.

“A lógica é avaliar o sistema como um conjunto. Uma vaca com elevada produção individual, por exemplo, não representa isoladamente a eficiência da propriedade. É preciso considerar quanto alimento foi necessário para alcançar aquele resultado, como a terra foi utilizada e qual foi o custo da produção”, explica Menegazzi.

Nesse contexto, uma fazenda pode apresentar elevada produtividade individual e, ainda assim, enfrentar baixa eficiência econômica caso dependa de custos excessivos com alimentação, estrutura ou mão de obra.

O manejo do pastejo ganha relevância justamente por interferir na quantidade e na qualidade da forragem consumida, na necessidade de suplementos e na produção de leite obtida por área.

Qualidade do manejo determina resultado do pasto

O potencial produtivo das pastagens depende da capacidade da propriedade de organizar cada etapa do sistema. Produzir forragem em quantidade suficiente não garante, isoladamente, bom desempenho.

É necessário controlar a oferta de pasto, definir corretamente os períodos de entrada e saída dos animais, acompanhar a qualidade nutricional e ajustar a suplementação de acordo com as necessidades do rebanho.

Falhas nesse processo podem reduzir o consumo, provocar desperdício de forragem e aumentar os gastos com alimentação complementar. Em contrapartida, um manejo eficiente permite aproveitar melhor os recursos disponíveis na propriedade.

A palestra deverá discutir em quais condições o pastejo pode oferecer vantagens econômicas, sem tratar as pastagens como uma solução única para todos os modelos de produção.

Metano e pegada de carbono exigem análises diferentes

Além dos indicadores produtivos e financeiros, o pesquisador abordará temas que ganharam espaço nas decisões da pecuária leiteira, como bem-estar animal, condições de trabalho, emissões de metano e pegada de carbono.

No caso das emissões, Menegazzi alerta que os indicadores precisam ser interpretados de acordo com a pergunta que se pretende responder.

“A quantidade de metano emitida por um animal não deve ser analisada da mesma forma que a emissão correspondente a cada litro de leite produzido ou a pegada de carbono de todo o sistema. Essas medidas respondem a perguntas diferentes e precisam ser observadas em conjunto”, ressalta.

Uma propriedade pode apresentar determinado volume de emissão por animal, mas alcançar resultado diferente quando o cálculo é feito por litro produzido ou considerando todo o sistema. Por isso, a análise ambiental deve incluir produtividade, eficiência alimentar, uso da terra e demais recursos envolvidos.

Experiência do Uruguai pode apoiar decisões no Brasil

Gabriel Menegazzi é zootecnista pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), mestre em Ciência Animal pela Universidad de la República e doutor em Ciência Animal pela Universidade de Wageningen, na Holanda. Ele também integra o Sistema Nacional de Pesquisadores do Uruguai.

Seus estudos envolvem sistemas leiteiros baseados em pastagens, manejo do pastejo, nutrição de vacas, utilização de nutrientes, emissões de metano e sustentabilidade.

Apesar das diferenças entre Brasil e Uruguai, desafios relacionados aos custos, à eficiência alimentar, ao aproveitamento da terra e à redução dos impactos ambientais fazem parte da realidade dos dois países.

“A ideia é discutir em quais condições o pastejo pode contribuir para conciliar produtividade, competitividade, responsabilidade ambiental e bem-estar”, afirma.

SBSBL celebra 15 anos em Chapecó

A apresentação fará parte da programação comemorativa dos 15 anos do Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite. O encontro também ocorrerá no mês em que o Nucleovet completa 55 anos de atuação.

Durante os três dias de evento, especialistas brasileiros e internacionais discutirão sistemas de produção, sanidade, reprodução, gestão, qualidade do leite e nutrição de alta performance.

A programação busca aproximar conhecimento científico e aplicação prática, auxiliando produtores e técnicos na tomada de decisões para aumentar a eficiência e a sustentabilidade da produção leiteira.

Fonte: Portal do Agronegócio

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