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Nutrição

Inteligência de dados transforma a nutrição bovina e amplia a rentabilidade no confinamento

Cruzamento entre desempenho dos animais, características da fazenda e preços de milho, soja e coprodutos do etanol permite ajustar dietas e buscar maior retorno econômico na pecuária de corte


Publicado em: 17/08/2026 às 07:30hs

Inteligência de dados transforma a nutrição bovina e amplia a rentabilidade no confinamento

A pecuária de corte atravessa um período em que eficiência e controle de custos se tornaram determinantes para a rentabilidade dos confinamentos. Nesse cenário, o uso de Big Data e inteligência de dados na nutrição bovina ganha espaço ao permitir que decisões sobre formulação de dietas sejam baseadas no desempenho dos animais e nas condições econômicas de cada propriedade.

Em vez de trabalhar com uma receita única, sistemas de análise de dados cruzam informações zootécnicas da fazenda com a movimentação dos preços dos principais ingredientes utilizados na alimentação do gado. O objetivo é identificar, para cada situação, a combinação de ingredientes capaz de oferecer a melhor relação entre custo da dieta, desempenho animal e retorno financeiro.

Big Data aplicado à nutrição de bovinos

A estratégia vem sendo desenvolvida a partir de uma ampla base de informações reunida pelo Centro de Pesquisa Nutripura, com dados zootécnicos e econômicos de confinamentos parceiros coletados desde 2018.

Somente em 2025, a plataforma analisou informações individuais de aproximadamente 200 mil bovinos. Entre os indicadores avaliados estão consumo diário de matéria seca, ganho de peso e características estruturais das propriedades.

O volume de informações permite identificar padrões de desempenho e avaliar como diferentes estratégias nutricionais respondem às condições específicas de cada confinamento.

Algoritmo cruza dieta, desempenho e preços dos insumos

Um dos principais diferenciais da tecnologia está no cruzamento entre os dados da fazenda e as oscilações de preços de ingredientes utilizados na alimentação dos bovinos.

Entram nessa análise commodities como:

  • milho;
  • soja;
  • casca de soja;
  • caroço de algodão;
  • DDGS;
  • DFS;
  • WFS;
  • outros coprodutos da indústria de etanol de milho.

A partir dessas informações, a plataforma simula diferentes cenários nutricionais e econômicos e identifica alternativas que podem melhorar a relação entre investimento na alimentação e desempenho do lote.

A lógica é diferente de simplesmente buscar a ração mais barata. Uma dieta com menor custo por tonelada pode resultar em menor ganho de peso ou pior conversão alimentar e, consequentemente, reduzir a margem final do confinador.

Segundo Leandro Martins, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Nutripura, a aplicação do Big Data busca justamente encontrar a formulação mais adequada para a realidade de cada propriedade.

“O objetivo do Big Data não é encontrar uma dieta universal, mas sim identificar qual formulação entrega o maior retorno financeiro para a realidade daquela fazenda.”

Nutrição bovina muda conforme a região

A análise dos dados também evidencia diferenças importantes entre regiões produtoras. A disponibilidade e o preço relativo dos ingredientes podem alterar significativamente a composição das dietas utilizadas nos confinamentos.

No Mato Grosso, por exemplo, a expansão da indústria de etanol de milho ampliou a oferta de coprodutos que podem ser incorporados às formulações.

Os dados analisados pela plataforma indicam diferenças relevantes dentro do próprio estado. Em propriedades do norte mato-grossense, a participação do milho em grão pode alcançar cerca de 60% da dieta. No sul, esse percentual pode ficar próximo de 30%, com maior participação de coprodutos de valor nutricional relevante e custo competitivo.

Essa dinâmica mostra como a estratégia nutricional precisa considerar não apenas o desempenho esperado dos animais, mas também a disponibilidade regional e os preços dos ingredientes.

Inteligência de dados ajuda a antecipar mudanças do mercado

Além da busca por eficiência econômica, os bancos de dados também podem auxiliar os confinadores na preparação para novas exigências dos mercados consumidores.

Entre os fatores monitorados estão possíveis restrições ao uso de antimicrobianos como melhoradores de desempenho, especialmente diante das exigências de mercados internacionais.

Com modelos computacionais, é possível estimar o impacto econômico da retirada desses produtos e avaliar alternativas nutricionais capazes de preservar o desempenho dos animais.

Essa abordagem permite ao produtor trabalhar com diferentes cenários antes que uma mudança regulatória ou comercial tenha impacto direto sobre o sistema de produção.

Dieta mais barata nem sempre significa maior lucro

A principal mudança proporcionada pela inteligência de dados está na forma de avaliar a alimentação do gado confinado.

O custo por tonelada da dieta é apenas uma das variáveis. Para determinar a rentabilidade, também precisam ser considerados fatores como consumo de matéria seca, ganho médio diário, conversão alimentar, preço dos ingredientes, disponibilidade regional e valor da arroba.

Dessa forma, uma dieta de custo aparentemente superior pode gerar maior retorno caso proporcione melhor desempenho e eficiência alimentar.

Dados ganham importância na pecuária de corte

Com margens cada vez mais dependentes da eficiência operacional, a utilização de grandes volumes de dados tende a ganhar relevância na gestão dos confinamentos.

O cruzamento entre informações zootécnicas e indicadores de mercado permite transformar dados históricos e cotações de insumos em ferramentas para apoiar decisões sobre nutrição, compra de ingredientes e estratégia de confinamento.

Para o pecuarista, a vantagem está na possibilidade de substituir decisões baseadas apenas em referências gerais por análises ajustadas às condições específicas de cada lote e propriedade.

No confinamento moderno, portanto, dados, nutrição e gestão econômica passam a atuar de forma integrada, criando condições para maior previsibilidade, eficiência alimentar e controle dos custos de produção.

Fonte: Portal do Agronegócio

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