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Conectividade e Digital

Inteligência artificial que “lê” o solo aumenta precisão no campo e impulsiona produtividade agrícola

Tecnologia de inteligência de solos identifica ambientes de produção, ajusta população de plantas e permite decisões mais eficientes no manejo agrícola, com ganhos de produtividade e redução de custos operacionais.


Publicado em: 13/08/2026 às 08:00hs

Inteligência artificial que “lê” o solo aumenta precisão no campo e impulsiona produtividade agrícola

A agricultura brasileira entra em uma nova fase da era digital com tecnologias capazes de interpretar o solo em profundidade e transformar informações agronômicas em decisões precisas dentro da lavoura. A chamada inteligência de solos permite identificar diferentes ambientes de produção, ajustar estratégias de manejo e explorar o potencial produtivo de cada área da propriedade.

Uma das experiências mais recentes foi conduzida pela Primos Agro, durante a safra 2025/26, utilizando uma plataforma desenvolvida pelo Ecossistema Terrus Agri e integrada ao Grupo Piccin. A tecnologia foi aplicada para mapear características do solo, definir zonas de manejo e ajustar automaticamente a população de plantas conforme o potencial produtivo de cada ambiente.

Os resultados obtidos demonstram o avanço da agricultura de precisão: os mapas gerados pela plataforma alcançaram aproximadamente 95% de precisão na identificação das zonas de manejo, permitindo decisões mais assertivas e contribuindo para produtividades próximas de 100 sacas de soja por hectare em determinadas áreas.

Do mapa de produtividade à inteligência do solo

Durante anos, a agricultura de precisão avançou com o uso de mapas de produtividade, imagens de satélite, sensores e máquinas conectadas. Agora, a evolução tecnológica está concentrada em compreender o comportamento do solo antes que limitações apareçam no desenvolvimento das plantas.

A proposta é substituir o manejo uniforme de grandes áreas por estratégias personalizadas, considerando as características específicas de cada parte da propriedade.

Segundo Diego Siqueira, engenheiro agrônomo, pós-doutor e diretor executivo da Quanticum, empresa integrante do ecossistema, a tecnologia permite que o produtor deixe de trabalhar com médias gerais e passe a tomar decisões direcionadas.

“Em vez de tratar toda a lavoura de forma uniforme, o produtor passa a tomar decisões específicas para cada ambiente, aumentando a eficiência do uso de sementes, fertilizantes e demais insumos”, explica.

Tecnologia identifica riscos antes das perdas aparecerem

A plataforma de inteligência de solos utiliza diferentes camadas de dados para interpretar características físicas do solo, identificar limitações e indicar o potencial produtivo de cada ambiente.

Um dos pontos de destaque é a capacidade de detectar áreas com maior risco de compactação.

Quando ocorre compactação do solo, o desenvolvimento radicular é prejudicado, reduzindo a capacidade das plantas de acessar água e nutrientes em períodos críticos, como estiagens prolongadas.

Segundo especialistas, essa identificação antecipada permite intervenções mais eficientes e reduz a vulnerabilidade das lavouras diante dos efeitos das mudanças climáticas.

Manejo personalizado reduz desperdícios e melhora eficiência

A tecnologia permite que produtores ajustem diversas operações agrícolas de acordo com a necessidade real de cada área, incluindo:

  • definição da população ideal de plantas;
  • aplicação localizada de fertilizantes;
  • ajustes no manejo do solo;
  • direcionamento de operações mecanizadas;
  • redução do uso excessivo de insumos.

Com isso, a propriedade ganha eficiência operacional, reduz custos e aumenta o aproveitamento dos recursos disponíveis.

“O solo é uma das principais reservas naturais do planeta. Conhecer profundamente suas características significa produzir mais, reduzir riscos climáticos, recuperar áreas degradadas e contribuir para uma agricultura de menor impacto ambiental”, destaca Siqueira.

Agricultura de precisão também reduz custos e emissões

Além do aumento de produtividade, a inteligência do solo apresenta ganhos ambientais.

Ao identificar previamente áreas que realmente necessitam de intervenção, o produtor consegue reduzir operações desnecessárias, como a subsolagem, uma das atividades agrícolas com maior consumo de combustível.

A aplicação localizada reduz o uso de diesel, diminui custos operacionais e contribui para menor emissão de dióxido de carbono (CO₂).

A tecnologia também já está presente em soluções desenvolvidas pela Piccin, incluindo sistemas de aplicação localizada de insumos por esteira de alta precisão e a plantadeira inteligente criada em parceria com a empresa argentina Crucianelli.

Solo conectado impulsiona uma nova agricultura

Os resultados obtidos pela Primos Agro representam uma validação importante da aplicação da inteligência de solos em escala comercial.

Além do uso direto nas propriedades rurais, a tecnologia integra projetos científicos voltados à captura de carbono e ao desenvolvimento de novos materiais para a agricultura, envolvendo instituições como Shell Brasil, USP, UNESP e a DeepTech MOFTech.

Uma das linhas de pesquisa envolve os chamados MOFs (Metal-Organic Frameworks), materiais avançados com capacidade de armazenar, capturar e controlar moléculas, considerados uma das fronteiras da química moderna.

A expectativa é que essas tecnologias possam futuramente ser aplicadas em fertilizantes, bioinsumos e outros produtos agrícolas, permitindo intervenções ainda mais precisas por meio de equipamentos conectados.

Nova geração do agro une dados, ciência e sustentabilidade

A evolução da agricultura de precisão mostra que o solo deixou de ser apenas um meio de produção e passou a ser uma fonte estratégica de informações.

Ao integrar inteligência artificial, equipamentos agrícolas, pesquisa científica e conhecimento agronômico, novas tecnologias permitem aumentar a produtividade, reduzir desperdícios e preparar o campo para desafios como mudanças climáticas e maior demanda global por alimentos.

Para especialistas, transformar o solo em uma plataforma de dados representa um dos caminhos mais promissores para uma agricultura mais eficiente, sustentável e competitiva nas próximas décadas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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