Chuva e frio atrasam esquila no RS; produção de lã é estimada em 8 milhões de quilos
Arco alerta para risco de contaminação dos velos por flechilha com o adiamento dos trabalhos; certificação e acondicionamento adequado ganham importância na comercialização
Publicado em: 29/10/2026 às 10:30hs
As chuvas e as baixas temperaturas têm adiado a esquila de ovinos em propriedades do Rio Grande do Sul e aumentado a preocupação com a qualidade da lã. Segundo a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), a produção estadual deve alcançar 8 milhões de quilos nesta safra, mas o prolongamento dos trabalhos pode elevar o risco de contaminação dos velos por plantas presentes nas pastagens.
Apesar das condições climáticas adversas, os danos relacionados ao excesso de umidade ficaram abaixo do inicialmente previsto pela entidade. O desafio agora é aproveitar condições favoráveis para realizar a esquila e preservar as características da fibra exigidas pelos compradores.
Baixas temperaturas dificultam avanço da esquila
De acordo com Sérgio Muñoz, coordenador do Programa de Lã Certificada da Arco, produtores aguardam a melhora do tempo para retomar a retirada da lã dos rebanhos.
Em Herval, no Sul gaúcho, uma comparsa — equipe especializada em esquila — está com os trabalhos paralisados enquanto os criadores esperam a elevação das temperaturas.
O adiamento também amplia a exposição dos animais à flechilha, capim cujas sementes pontiagudas aderem à lã. Segundo Muñoz, a presença da planta se torna mais frequente em novembro, aumentando o risco de contaminação e de comprometimento da qualidade dos velos.
Danos das chuvas ficaram abaixo do esperado
O elevado volume de precipitação registrado em agosto havia provocado receio de alterações na coloração da lã e ocorrência de fungos.
A avaliação da Arco, entretanto, é de que os prejuízos foram menores do que se esperava, inclusive em regiões onde os acumulados de chuva chegaram a 600 a 700 milímetros.
Esse resultado reduz parte da preocupação inicial com a safra, embora a preservação da qualidade continue dependendo das condições de esquila, seleção e armazenamento do produto.
RS pode produzir até 3 milhões de quilos de lã com bom valor têxtil
Dentro da estimativa de 8 milhões de quilos de lã para o Rio Grande do Sul, a Arco projeta que 2 milhões a 3 milhões de quilos apresentem bom valor têxtil. A entidade ressalta, porém, que ainda há dificuldade para dimensionar essa parcela.
Um dos fatores é a mudança na composição dos rebanhos. Após a queda dos preços da lã durante a pandemia e nos anos seguintes, parte dos criadores cruzou animais de raças laneiras com raças voltadas à produção de carne.
Segundo a associação, esse movimento reduziu a qualidade da fibra em parte dos rebanhos, com reflexos sobre o potencial de aproveitamento têxtil.
Volume de lã certificada ainda será definido
A Arco conta atualmente com 12 comparsas cadastradas em seu site, mas nem todas devem trabalhar com certificação durante toda a temporada.
Algumas equipes também atendem propriedades que não aderiram ao programa. Além disso, profissionais do Uruguai participam da esquila no estado, principalmente na Fronteira Oeste.
Diante desse cenário, a quantidade de lã que receberá certificação ao término da safra permanece indefinida.
Oferta mundial menor favorece mercado da lã, avalia Arco
Na avaliação de Muñoz, a redução dos rebanhos e da disponibilidade mundial de fibra contribui para um cenário internacional favorável à comercialização da lã.
O coordenador participou recentemente de um encontro no Uruguai com representantes de compradores e da indústria internacional. Conforme relatou, as oportunidades comerciais vêm acompanhadas de exigências rigorosas de qualidade, especialmente para a lã certificada.
A orientação da Arco é que os produtores adotem a certificação e sigam os procedimentos adequados de acondicionamento para atender aos critérios dos compradores e buscar maior valorização do produto.
No Brasil, as compras de lã certificada pela indústria ainda avançam lentamente. A expectativa da entidade é que a aquisição dessa matéria-prima acompanhe a evolução das exigências do mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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