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Bovinos Leite

Sanidade no pós-parto é decisiva para eficiência reprodutiva de vacas leiteiras

No 15º SBSBL, em Chapecó, Rodolfo Mingoti destacou diagnóstico precoce, acompanhamento do rebanho e uso integrado de tecnologias para melhorar as taxas de prenhez


Publicado em: 08/10/2026 às 11:45hs

Sanidade no pós-parto é decisiva para eficiência reprodutiva de vacas leiteiras

Problemas sanitários podem atrasar o retorno ao cio e comprometer os resultados reprodutivos das vacas leiteiras. A relação entre saúde, fisiologia e fertilidade foi abordada pelo médico-veterinário Rodolfo Mingoti durante o 15º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), em Chapecó (SC).

Mestre em Nutrição e doutor em Reprodução Animal, o especialista destacou que melhorar as taxas de prenhez exige atenção à saúde dos animais, especialmente no pós-parto. Protocolos reprodutivos e ferramentas de monitoramento devem integrar esse trabalho, acompanhados da avaliação dos indicadores de cada propriedade.

Doenças podem atrasar o cio e reduzir as inseminações

Segundo Mingoti, quando uma vaca enfrenta problemas de saúde, o organismo direciona energia e recursos imunológicos para a recuperação, prejudicando a reprodução.

A elevada ocorrência de doenças, quando não recebe a devida atenção, pode favorecer o anestro pós-parto, período em que o animal não apresenta cio. Esse quadro atrasa a retomada da atividade reprodutiva e reduz as oportunidades de inseminação.

Por isso, o especialista defende que os resultados de fertilidade sejam analisados em conjunto com os dados sanitários. A dificuldade de emprenhar as vacas pode estar associada a problemas que começam antes da aplicação de um protocolo reprodutivo.

Diagnóstico precoce sustenta programas de alta fertilidade

O acompanhamento do pós-parto foi apontado como uma etapa fundamental para avançar em programas de alta fertilidade. Mingoti destacou a importância de identificar e tratar precocemente alterações que possam comprometer a recuperação e o desempenho das vacas.

Entre os problemas citados estão distocia, retenção de placenta, metrite, cetose e endometrite. A prevenção e o manejo dessas ocorrências precisam fazer parte da rotina de avaliação do rebanho.

Na palestra, o especialista apresentou como referência a meta de alcançar entre 70% e 80% de vacas prenhas entre 150 e 180 dias em lactação. Também mencionou o objetivo de manter 90% do rebanho com intervalo médio entre partos de 12,5 meses.

Indicadores ajudam a acompanhar o desempenho reprodutivo

Entre os parâmetros apresentados por Mingoti estão um período de espera voluntário (PEV) de 60 dias e taxas de concepção superiores a 50% no primeiro serviço, 40% no segundo e 30% no terceiro.

O acompanhamento desses indicadores permite avaliar os resultados das inseminações e identificar pontos que exigem investigação. Para o especialista, a análise deve considerar as condições sanitárias dos animais e o conjunto das práticas adotadas na fazenda.

Separar os dados de vacas saudáveis e doentes também ajuda a compreender a influência dos problemas de saúde sobre as taxas de prenhez e a direcionar ações de melhoria.

IATF e sensores devem integrar o manejo sanitário

A Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) e os sensores de atividade foram citados como ferramentas que podem apoiar o manejo reprodutivo. O monitoramento auxilia no acompanhamento dos animais e na identificação de situações que demandam atenção.

Mingoti ressaltou, entretanto, que nenhuma tecnologia resolve isoladamente os problemas de uma propriedade. O uso dessas ferramentas deve estar associado ao exame das vacas, ao diagnóstico e à atuação sobre as causas das falhas reprodutivas.

“Se a sanidade não está caminhando bem, a reprodução também não vai caminhar bem”, afirmou.

A orientação do especialista é ampliar a avaliação dos animais, utilizar os dados disponíveis e trabalhar para reduzir a ocorrência de doenças. Esse acompanhamento integrado permite que as tecnologias contribuam de forma mais efetiva para a eficiência reprodutiva do rebanho leiteiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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