Monitoramento do cio pode elevar taxa de prenhez das vacas em até 12 pontos percentuais
Colares inteligentes identificam intensidade e duração do cio, ajudam a definir o momento da inseminação e ampliam a precisão do manejo reprodutivo em fazendas leiteiras
Publicado em: 01/09/2026 às 15:00hs
O monitoramento contínuo do comportamento das vacas pode aumentar a eficiência reprodutiva dos rebanhos leiteiros. Pesquisas realizadas em diferentes países indicam que animais com expressão de cio mais intensa apresentam taxas de prenhez entre 10 e 12 pontos percentuais superiores, o que pode representar um ganho relativo de aproximadamente 33%.
Os resultados foram apresentados por Ronaldo Luis Aoki Cerri, professor da University of British Columbia, no Canadá, durante palestra promovida pela Nedap no Agroleite 2026, em Castro (PR). Especialista em reprodução animal, Cerri mostrou como os dados coletados por monitores de atividade podem apoiar decisões relacionadas à inseminação, genética e transferência de embriões.
Intensidade do cio está relacionada à maior fertilidade
Segundo o pesquisador, a intensidade e a duração do cio fornecem informações importantes sobre o potencial reprodutivo de cada vaca.
“Se você tiver um cio mais intenso ou mais longo, ele tende a estar muito associado à maior fertilidade. E não é um aumento pequeno: são de 10 a 12 pontos percentuais, o que pode representar um aumento relativo de 33% na prenhez”, afirma Cerri.
A relação entre expressão do cio e fertilidade foi identificada em estudos conduzidos no Brasil, Canadá, Alemanha e outros países. Embora os resultados variem conforme as condições da propriedade e as características do rebanho, as pesquisas mostram uma tendência consistente de melhor desempenho entre as vacas que manifestam cio com maior intensidade.
Colares inteligentes acompanham comportamento das vacas
A intensidade do cio pode ser identificada por colares que acompanham continuamente a atividade de cada animal. A tecnologia compara as movimentações recentes com o comportamento habitual da vaca e reconhece alterações compatíveis com o período fértil.
Já a duração corresponde ao intervalo em que a atividade permanece acima do padrão considerado indicativo de cio. Assim, o sistema não apenas informa que o animal entrou no período reprodutivo, mas também apresenta dados sobre a força e a extensão dessa manifestação.
A tecnologia organiza as informações em alertas individuais, permitindo que a equipe acompanhe cada vaca conforme seu histórico reprodutivo e os objetivos da propriedade.
Dados ajudam a definir o melhor momento para inseminação
Uma das principais vantagens do monitoramento é identificar com maior precisão quando o cio começou. A informação ajuda a equipe a escolher o período mais adequado para realizar a inseminação artificial.
Com o apoio dos alertas, o produtor pode avaliar se o procedimento deve ocorrer pela manhã ou à tarde, reduzindo erros provocados pela observação tardia ou pela manifestação discreta do cio.
Para Cerri, entretanto, a tecnologia deve tornar o trabalho mais simples e objetivo.
“A grande vantagem do monitor de atividade é detectar melhor quando começou o cio. Ele dá mais precisão para decidir se a inseminação será feita pela manhã ou à tarde, mas a palavra-chave é simplificar o processo”, ressalta.
Histórico reprodutivo pode orientar investimentos em genética
As informações acumuladas pelos monitores também podem ser utilizadas para direcionar os investimentos genéticos do rebanho.
Vacas que retomam a ciclicidade mais cedo depois do parto ou apresentam cios mais intensos podem receber sêmen de maior valor genético. Os dados também podem ajudar na seleção de animais para programas de transferência de embriões.
“Se você sabe que esse animal já apresentou cio e tende a ser mais fértil, pode colocar um sêmen melhor, utilizá-lo para transferência de embriões ou tomar outra decisão. Isso vai de fazenda para fazenda”, explica o especialista.
A estratégia permite concentrar recursos em animais com melhores perspectivas reprodutivas, respeitando as metas zootécnicas e econômicas de cada propriedade.
Intensidade do cio ajuda na escolha de receptoras
Estudos apresentados durante o Agroleite também relacionam uma expressão mais intensa do cio a melhores resultados na transferência de embriões.
Nesse tipo de procedimento, os dados registrados pelos monitores podem funcionar como um critério adicional para selecionar as receptoras com maior probabilidade de estabelecer a gestação.
“Se você tem receptoras que apresentaram um cio mais intenso, isso se traduz em melhor prenhez com aquele embrião. É uma informação que já está disponível e que pode ser utilizada na tomada de decisão”, destaca Cerri.
Saúde, nutrição e ambiente também afetam a reprodução
Apesar da utilidade dos monitores, os dados de atividade não devem ser interpretados isoladamente. O desempenho reprodutivo depende da combinação de diferentes fatores ligados à saúde, ao manejo e ao ambiente.
Entre os aspectos que podem alterar a manifestação do cio estão:
- Condição corporal;
- Número de lactações;
- Produção de leite;
- Estado sanitário;
- Problemas de casco e pernas;
- Estresse térmico;
- Lotação dos currais.
A análise integrada dessas informações ajuda a identificar por que determinados animais apresentam cio menos intenso ou resultados reprodutivos abaixo do esperado.
Tecnologia amplia eficiência reprodutiva do rebanho leiteiro
Ao transformar mudanças de comportamento em informações práticas, os monitores de atividade permitem acompanhar o rebanho de forma individualizada e tomar decisões com maior precisão.
A tecnologia pode contribuir para elevar as taxas de prenhez, melhorar o uso do sêmen, selecionar receptoras, reduzir falhas na detecção do cio e organizar a rotina da equipe.
“Os monitores de atividade podem ajudar muito na inclusão desse tipo de dado, não apenas como acompanhamento ao longo do tempo, mas como parte do processo de decisão sobre o que fazer”, conclui Cerri.
Fonte: Portal do Agronegócio
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