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Custos da produção de leite recuam em maio, mas queda no preço ao produtor reduz rentabilidade

Índice de Inflação para a Produção de Leite Cru registra deflação de 0,72%, enquanto desvalorização do leite pago ao produtor e alta de alguns insumos mantêm o setor em alerta.


Publicado em: 02/07/2026 às 11:15hs

Custos da produção de leite recuam em maio, mas queda no preço ao produtor reduz rentabilidade

Os custos de produção da pecuária leiteira registraram alívio em maio de 2026, mas a melhora ainda não foi suficiente para recuperar a rentabilidade dos produtores. O Índice de Inflação para a Produção de Leite Cru (ILC) apresentou deflação de 0,72% no período, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (1º) pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O resultado foi influenciado principalmente pela redução dos preços dos combustíveis e dos fertilizantes, favorecida pela maior estabilidade do câmbio e pelo arrefecimento das tensões no Oriente Médio, fatores que reduziram a pressão sobre as cotações internacionais do petróleo.

Queda dos combustíveis e fertilizantes reduz custos

Entre os principais componentes do índice, os combustíveis e fertilizantes responderam pela maior parte da retração observada em maio.

No mercado de grãos, utilizado na alimentação do rebanho, o milho registrou leve alta de 0,2%, enquanto a soja apresentou queda de 2,8%, contribuindo para aliviar parte dos custos com a nutrição animal.

Apesar da deflação do índice geral, alguns itens importantes da atividade continuaram pressionando as despesas do produtor.

A energia elétrica ficou 6,2% mais cara no mês, reflexo das mudanças nas faixas horárias de consumo e da adoção de bandeiras tarifárias mais elevadas. Já o sal mineral acumulou alta de 2,4%, impulsionado por dificuldades logísticas no Marrocos, que elevaram os custos do ácido fosfórico utilizado na produção.

Inflação acumulada ainda mostra estabilidade nos custos

No acumulado de 2026, o ILC registra inflação de 0,33%, indicando uma retomada moderada das pressões sobre os custos de produção após um período de deflação.

Na comparação dos últimos 12 meses, entretanto, o indicador ainda acumula queda de 0,8%, resultado influenciado principalmente pela redução de 9,2% nos preços da silagem e de 6,9% nos custos do concentrado utilizado na alimentação do rebanho.

Queda no preço do leite preocupa produtores

Embora parte dos custos tenha diminuído, o cenário econômico da atividade leiteira continua desafiador.

Segundo a Farsul, o preço pago ao produtor apresentou retração próxima de 9%, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para leite e derivados acumulou alta de 3,3%.

Esse descompasso entre o valor recebido na propriedade e os preços praticados ao consumidor final tem reduzido as margens operacionais e deteriorado as relações de troca, aumentando a preocupação dos produtores quanto à sustentabilidade econômica da atividade.

Expectativa é de inflação moderada em junho

Para junho, a projeção da entidade é de uma inflação moderada no Índice de Inflação para a Produção de Leite Cru.

A continuidade da queda das cotações internacionais do petróleo pode favorecer novas reduções nos preços dos combustíveis. No entanto, a possível valorização do dólar representa um fator de risco para os custos da atividade, ao pressionar novamente os preços dos fertilizantes, do sal mineral e dos grãos utilizados na alimentação dos animais.

Diante desse cenário, a rentabilidade da pecuária leiteira continuará dependendo do comportamento dos custos de produção e, principalmente, da recuperação dos preços pagos ao produtor nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

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