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Bovinos de Corte

União Europeia mantém bloqueio à carne brasileira e retomada das exportações pode levar até dois anos

Embargo às importações de produtos de origem animal do Brasil entra em vigor em 3 de setembro. Setor agropecuário busca atender novas exigências europeias sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção animal.


Publicado em: 03/08/2026 às 18:20hs

União Europeia mantém bloqueio à carne brasileira e retomada das exportações pode levar até dois anos

A menos de um mês da entrada em vigor das novas restrições impostas pela União Europeia às importações de produtos de origem animal do Brasil, representantes da cadeia pecuária avaliam que a retomada das exportações de carne bovina para o bloco europeu poderá levar até dois anos.

O bloqueio começa a valer em 3 de setembro e afeta principalmente as exportações de carne bovina, carne de frango e mel, produtos que figuram entre os principais itens brasileiros de origem animal comercializados com os países europeus.

A decisão foi anunciada após a União Europeia retirar o Brasil da lista de países considerados aptos a atender integralmente às novas regras relacionadas ao controle do uso de antimicrobianos na produção pecuária. A medida não está relacionada à qualidade sanitária da carne brasileira, mas às exigências europeias sobre o monitoramento dessas substâncias durante todo o ciclo produtivo dos animais.

Adequação poderá exigir até dois anos na pecuária bovina

Segundo representantes do setor pecuário, o prazo estimado para a retomada das exportações está diretamente ligado ao ciclo de produção do gado de corte.

Como os novos protocolos exigem comprovação do controle do uso de antimicrobianos durante toda a vida do animal, será necessário acompanhar um ciclo completo de produção para atender às exigências estabelecidas pela legislação europeia.

Esse processo pode levar aproximadamente 24 meses, período considerado suficiente para que novos animais sejam criados integralmente sob as regras exigidas pelo bloco europeu.

No caso da avicultura, o cenário é diferente. Como o ciclo produtivo dos frangos é significativamente mais curto — cerca de 45 dias entre nascimento e abate —, o setor acredita que uma eventual retomada das exportações possa ocorrer em prazo menor, caso as autoridades europeias aprovem os novos procedimentos adotados pelo Brasil.

Missão técnica da União Europeia avaliará novos protocolos

Uma missão técnica da União Europeia está prevista para visitar o Brasil no fim de agosto com o objetivo de verificar as medidas implementadas pelo Ministério da Agricultura para reforçar o controle sobre o uso de antimicrobianos.

Entre as ações adotadas estão o aumento das fiscalizações em fábricas de ração, granjas, propriedades rurais e frigoríficos, dentro do Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC).

Após essa inspeção, os relatórios deverão ser analisados pelas autoridades sanitárias europeias antes de qualquer decisão sobre uma eventual revisão do bloqueio.

Exportadores afirmam que protocolos já eram adotados

Representantes das cadeias de proteína animal afirmam que os frigoríficos habilitados para exportar à União Europeia já trabalham há anos com sistemas de segregação da produção destinados ao mercado europeu.

No segmento da carne bovina, produtores que exportam por programas especiais, como a Cota Hilton, já seguem protocolos rigorosos que proíbem o uso de antimicrobianos durante toda a vida do animal.

Entretanto, para parte das exportações realizadas por outros programas de habilitação, as exigências anteriores consideravam apenas um período específico antes do abate. Com a nova regulamentação europeia, o controle passa a abranger todo o ciclo produtivo.

Governo amplia controle sobre antimicrobianos

Antes mesmo da confirmação do embargo europeu, o Ministério da Agricultura publicou normas restringindo o uso de determinados antimicrobianos na produção animal.

Posteriormente, também instituiu novos protocolos de monitoramento e rastreabilidade voltados ao atendimento das exigências internacionais.

Apesar das medidas adotadas pelo governo brasileiro, a União Europeia manteve a decisão de suspender temporariamente as importações até que os novos procedimentos sejam avaliados.

Setor vê impacto limitado, mas mercado europeu continua estratégico

Embora a participação da União Europeia nas exportações brasileiras de carne bovina seja menor em volume quando comparada a outros destinos, o mercado europeu possui elevado valor agregado e exerce papel estratégico na abertura de novos mercados internacionais.

Na avicultura, representantes do setor destacam que existe capacidade para redirecionar parte da produção destinada à Europa para o mercado interno e para outros países compradores, reduzindo os impactos imediatos da suspensão.

Ainda assim, a manutenção do bloqueio por um período prolongado pode afetar segmentos específicos da cadeia exportadora e exigir novos ajustes comerciais.

Exportações de mel também são afetadas

O embargo europeu também alcança o mel brasileiro, justamente em um momento de expansão das vendas para o bloco.

Nos últimos meses, exportadores ampliaram sua presença no mercado europeu como alternativa à redução da competitividade nos Estados Unidos, impulsionando significativamente os embarques.

Segundo representantes do setor, o principal desafio será reforçar os mecanismos de controle para evitar qualquer possibilidade de contaminação cruzada, preservando a elevada qualidade e a reputação internacional do mel brasileiro, grande parte produzido sob sistemas orgânicos certificados.

Agronegócio acompanha negociações

As próximas semanas serão decisivas para o futuro das exportações brasileiras de produtos de origem animal para a União Europeia.

O resultado da missão técnica prevista para o fim de agosto deverá orientar as próximas etapas das negociações entre as autoridades brasileiras e europeias, enquanto produtores, frigoríficos e exportadores seguem trabalhando na adequação dos sistemas de controle exigidos pelo mercado internacional.

Caso as exigências sejam plenamente atendidas e reconhecidas pelas autoridades sanitárias da União Europeia, a expectativa do setor é de que as exportações sejam retomadas gradualmente, preservando um mercado considerado estratégico para a pecuária e para o agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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