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Agrotóxicos e Defensivos

Mercado de defensivos para arroz irrigado movimenta US$ 262 milhões e produtores ampliam tratamentos na safra 2025/26

Estudo da Kynetec aponta leve retração de 2% no setor, influenciada pela redução da área cultivada e dos custos de aplicação, mas aumento no número de manejos mantém demanda por tecnologias agrícolas.


Publicado em: 03/08/2026 às 18:00hs

Mercado de defensivos para arroz irrigado movimenta US$ 262 milhões e produtores ampliam tratamentos na safra 2025/26

O mercado brasileiro de defensivos agrícolas para arroz irrigado movimentou US$ 262 milhões na safra 2025/26, registrando uma leve queda de 2% em relação ao ciclo anterior, quando o setor alcançou US$ 267 milhões.

Os dados fazem parte do estudo FarmTrak Arroz Irrigado 2025/26, realizado pela Kynetec Brasil, empresa especializada em pesquisas para o agronegócio.

Segundo o levantamento, a retração esteve associada principalmente à redução da área cultivada e à queda dos custos médios de aplicação. Entretanto, o aumento da intensidade dos manejos agrícolas evitou uma redução mais expressiva no faturamento do mercado.

Área plantada menor influencia resultado do setor

De acordo com Gabriel Baracat Pedroso, especialista em pesquisas da Kynetec, a área cultivada com arroz irrigado apresentou redução de 6%, totalizando aproximadamente 1,146 milhão de hectares na safra 2025/26.

Outro fator que contribuiu para a retração foi a redução de 7% nos custos de aplicação de defensivos.

Apesar desses fatores negativos, o mercado conseguiu manter relativa estabilidade devido ao aumento do número médio de tratamentos realizados pelos produtores.

Na safra 2023/24, os agricultores realizavam, em média, 16 aplicações por ciclo. Já em 2025/26, esse número chegou a 19 tratamentos, crescimento de aproximadamente 10% em relação ao ciclo anterior.

Número de aplicações cresce e aumenta pressão sobre produtores

O levantamento da Kynetec mostra que o indicador de Área Potencial Tratada (PAT) — que contabiliza todas as aplicações realizadas durante a safra — avançou 4%, alcançando 21,967 milhões de hectares tratados.

Entre os principais manejos responsáveis pelo desempenho do mercado estão:

  • dessecação pré-plantio;
  • controle da brusone;
  • manejo de manchas foliares;
  • controle de lagartas;
  • estratégias de proteção fitossanitária.

Segundo Pedroso, o aumento da complexidade do manejo reflete desafios crescentes enfrentados pelos produtores de arroz irrigado.

Pragas e doenças elevam necessidade de controle fitossanitário

As aplicações contra manchas foliares alcançaram aproximadamente um terço da área cultivada, enquanto os tratamentos com inseticidas para controle de lagartas atingiram cerca de 60% das lavouras.

No caso dos lagarticidas, o número médio de aplicações aumentou de 1,9 para 2,4 tratamentos por safra em apenas um ano.

A Kynetec relaciona esse crescimento, em parte, às dificuldades encontradas por produtores em manter a chamada lâmina d’água adequada em algumas regiões produtoras.

A manutenção desse sistema é fundamental para o manejo do arroz irrigado, especialmente no controle de plantas daninhas e na estabilidade produtiva das lavouras.

Custos elevados e preços do arroz pressionam rentabilidade

Segundo a análise da consultoria, os desafios produtivos aumentam ano após ano.

A pressão de pragas, doenças, plantas daninhas e a redução da eficiência de alguns ativos químicos e tecnologias biológicas tornam os programas de manejo mais complexos e caros.

Esse cenário ocorre em um momento de margens reduzidas para os produtores, agravado pelos preços da commodity, que passaram pelos menores níveis desde 2020.

Herbicidas lideram mercado de defensivos para arroz irrigado

Na divisão por categorias, os herbicidas continuam como os produtos mais utilizados pelos produtores de arroz irrigado.

O segmento respondeu por:

  • 65% do mercado total;
  • aproximadamente US$ 170 milhões em vendas.

Apesar da liderança, houve redução em relação à safra anterior, quando o segmento movimentou cerca de US$ 175 milhões.

Os fungicidas aparecem na segunda posição, com participação de:

  • 16% do mercado;
  • aproximadamente US$ 43 milhões.

O valor ficou abaixo dos US$ 46 milhões registrados na temporada 2024/25.

Inseticidas e tratamento de sementes mantêm estabilidade

Os inseticidas ocuparam a terceira posição no ranking, movimentando aproximadamente:

  • US$ 19 milhões;
  • participação de 7% do mercado.

Já os produtos destinados ao tratamento de sementes representaram:

  • US$ 15 milhões;
  • cerca de 6% do mercado total.

Outros produtos completaram o levantamento, com participação de aproximadamente 5%, equivalente a US$ 15 milhões.

Pesquisa ouviu produtores das principais regiões de arroz irrigado

O estudo FarmTrak Arroz Irrigado 2025/26, da Kynetec Brasil, foi desenvolvido a partir de quase 380 entrevistas presenciais com produtores de arroz irrigado.

Participaram agricultores das principais regiões produtoras do país, incluindo:

  • Rio Grande do Sul;
  • Santa Catarina;
  • Tocantins.

Os resultados reforçam que, mesmo diante de uma redução da área cultivada e de um cenário econômico desafiador, a agricultura brasileira mantém elevado nível de investimento em tecnologias de proteção de cultivos para preservar produtividade e qualidade da produção.

Manejo tecnológico será decisivo para competitividade do arroz brasileiro

Com custos pressionados e desafios fitossanitários cada vez maiores, especialistas apontam que o uso eficiente de defensivos, associado ao manejo integrado de pragas e doenças, será fundamental para garantir a sustentabilidade da produção de arroz irrigado.

A tendência é que produtores continuem buscando tecnologias mais eficientes, capazes de reduzir perdas, otimizar aplicações e aumentar a rentabilidade dentro das propriedades.

Fonte: Portal do Agronegócio

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