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Café da Colômbia entra em nova safra com produção estável e alerta para qualidade

Colheita principal de café colombiano começa nas próximas semanas, enquanto produtores enfrentam os efeitos do clima irregular, danos do terremoto e maior pressão de insetos


Publicado em: 21/09/2026 às 16:00hs

Café da Colômbia entra em nova safra com produção estável e alerta para qualidade

A colheita da principal safra de café da Colômbia está prestes a começar, mas as perspectivas para o ciclo 2026/27 são mais moderadas. Segundo avaliação da Sucafina, empresa especializada no comércio de commodities agrícolas, a produção deve ficar próxima à registrada na temporada anterior, enquanto a qualidade pode apresentar uma leve deterioração.

O cenário ocorre em um momento de recuperação para parte dos cafeicultores colombianos, que ainda enfrentam os impactos provocados pelo terremoto que atingiu áreas produtoras do país. Além disso, as condições climáticas ao longo do ano limitaram o potencial de recuperação das lavouras.

Produção de café deve permanecer próxima à temporada anterior

A Sucafina não divulgou uma estimativa própria para o volume total da nova safra. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), porém, apontam para uma produção de 13,4 milhões de sacas de 60 quilos em 2026/27.

Na temporada anterior, a estimativa era de aproximadamente 12,5 milhões de sacas, segundo o órgão norte-americano.

Apesar da expectativa de aumento no volume projetado pelo USDA, a avaliação da Sucafina é de que a nova colheita deverá apresentar desempenho semelhante ao ciclo anterior, considerado abaixo de seu potencial.

A entrada de maiores volumes de café no mercado colombiano é esperada principalmente entre novembro e dezembro, período em que a colheita deve ganhar força.

Qualidade do café colombiano entra no radar

Além do volume produzido, a qualidade dos grãos é outro ponto de atenção para a safra 2026/27.

A Sucafina avalia que o café deverá continuar apresentando qualidade suficiente para exportação, mas em um nível ligeiramente inferior ao registrado na principal safra anterior.

Um dos fatores apontados pela empresa é a ocorrência de infestações de insetos em algumas regiões produtoras, situação que pode afetar tanto o desenvolvimento dos frutos quanto o padrão de qualidade dos grãos.

Clima irregular limita recuperação das lavouras

As condições climáticas também desempenharam papel importante na formação da nova safra.

Segundo Oscar Hurtado, diretor global de pesquisa de produção da Sucafina, o primeiro trimestre foi marcado por chuvas intensas, seguido por um período de seca moderada no segundo e terceiro trimestres.

Para o especialista, a alternância entre excesso de umidade e períodos mais secos reduziu a capacidade de recuperação das plantas.

“Esse tipo de oscilação não dá à safra muito espaço para se recuperar”, afirmou Hurtado.

O comportamento climático é especialmente relevante para a cafeicultura colombiana, que depende de condições relativamente estáveis para sustentar produtividade e qualidade.

Próxima Mitaca será o principal teste para o café colombiano

Embora a colheita principal esteja começando, a Sucafina considera que uma avaliação mais precisa das condições das lavouras deverá ocorrer durante a próxima Mitaca, como é conhecida a colheita intermediária de café na Colômbia.

A expectativa é de que o El Niño esteja em seu auge nesse período, aumentando a influência das condições climáticas sobre as principais regiões produtoras.

De acordo com Hurtado, será nesse momento que os impactos acumulados do clima poderão ser avaliados com maior clareza.

Mercado de café monitora produção colombiana

A Colômbia é um dos principais fornecedores mundiais de café arábica e exerce influência relevante sobre a disponibilidade internacional do produto. Por isso, mudanças na produção, qualidade e ritmo de exportações do país são acompanhadas de perto pelo mercado global.

Para a safra 2026/27, o cenário combina produção relativamente estável, qualidade sob pressão e condições climáticas desafiadoras. A evolução da colheita entre novembro e dezembro deverá fornecer novos sinais sobre o tamanho efetivo da oferta colombiana e seus possíveis impactos no mercado internacional de café.

Fonte: Portal do Agronegócio

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