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Aveia, Trigo e Cevada

Trigo: indústria alerta para alta dos custos, menor safra e aumento das importações em 2026

Abitrigo aponta que redução da produção nacional, instabilidade geopolítica e valorização dos custos logísticos elevam os desafios da cadeia de moagem e podem pressionar os preços dos alimentos.


Publicado em: 03/08/2026 às 19:20hs

Trigo: indústria alerta para alta dos custos, menor safra e aumento das importações em 2026

A indústria brasileira de trigo acompanha com preocupação o cenário que se desenha para a safra de 2026. A combinação entre a redução da produção nacional, o aumento da dependência das importações e a persistente instabilidade nos mercados internacionais deverá ampliar os custos da cadeia de moagem e aumentar os desafios para garantir o abastecimento da indústria de alimentos.

Segundo avaliação da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), fatores climáticos, econômicos e geopolíticos vêm tornando o ambiente de negócios mais complexo, exigindo planejamento, gestão de riscos e maior eficiência operacional para assegurar o fornecimento de uma das principais matérias-primas da alimentação brasileira.

Trigo é estratégico para a segurança alimentar

Responsável por aproximadamente 20% das calorias e proteínas consumidas no mundo, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o trigo ocupa posição estratégica na segurança alimentar global.

No Brasil, o cereal é matéria-prima essencial para uma ampla variedade de produtos consumidos diariamente, como pães, massas, biscoitos, bolos e diversos alimentos industrializados.

Entretanto, a produção nacional ainda é insuficiente para atender plenamente à demanda interna, tornando o país altamente dependente das importações, principalmente da Argentina.

Segundo o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa, essa dependência aumenta a vulnerabilidade do mercado brasileiro diante das oscilações internacionais.

"O Brasil não é autossuficiente em trigo e, por isso, qualquer turbulência externa tem impacto direto sobre custos, disponibilidade e previsibilidade do abastecimento", afirma.

Menor safra aumenta necessidade de importações

Além do ambiente internacional desafiador, o setor enfrenta perspectivas menos favoráveis para a produção brasileira.

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que a safra nacional de trigo poderá registrar uma redução de 23,5% em 2026 na comparação com o ano anterior, reflexo da diminuição da área cultivada e das dificuldades enfrentadas pelos produtores.

Como consequência, a necessidade de importação deverá aumentar significativamente. As projeções indicam crescimento de aproximadamente 1,9 milhão de toneladas nas compras externas em 2027, ampliando ainda mais a exposição do Brasil às oscilações cambiais e aos preços internacionais.

Excesso de chuvas preocupa produtores no Sul

O cenário climático também adiciona novas incertezas ao mercado.

O excesso de chuvas registrado no Rio Grande do Sul, principal estado produtor de trigo do país, gera preocupações quanto à produtividade das lavouras, à qualidade dos grãos e ao volume efetivamente disponível da safra atualmente em desenvolvimento.

Caso ocorram perdas mais expressivas, a necessidade de importações poderá ser ainda maior, elevando os custos da indústria moageira.

"Estamos diante de um cenário que combina menor oferta interna, maior necessidade de importação e custos internacionais mais elevados. Isso aumenta significativamente a complexidade da operação das indústrias moageiras", destaca Rubens Barbosa.

Guerra e tensões geopolíticas elevam custos globais

No mercado internacional, os fatores de pressão continuam presentes.

A guerra entre Rússia e Ucrânia, somada às tensões no Oriente Médio, mantém elevada a volatilidade dos mercados globais de commodities.

Esse ambiente influencia diretamente os custos de energia, combustíveis, transporte marítimo, seguros e logística internacional, tornando a importação de trigo mais cara e dificultando o planejamento das indústrias brasileiras.

Além disso, as oscilações cambiais também ampliam os custos para empresas que dependem da aquisição do cereal no exterior.

Queda do milho reduz receita da indústria de moagem

Outro fator que preocupa o setor é o comportamento do mercado de farelo de trigo.

A recente queda nos preços do milho reduziu o valor comercial desse importante coproduto da moagem, comprometendo uma relevante fonte de receita das indústrias.

Com menor rentabilidade na comercialização do farelo, aumenta a pressão sobre os custos operacionais, afetando diretamente a formação dos preços da farinha de trigo.

Segundo Rubens Barbosa, essa dinâmica acaba repercutindo em toda a cadeia de alimentos.

"Quando o farelo perde valor, parte importante da receita da indústria é afetada. Isso acaba pressionando o custo final da farinha e, por consequência, de diversos alimentos consumidos diariamente pela população. Diante desse cenário, garantir o abastecimento em quantidade, qualidade e custo adequados torna-se um desafio crescente."

Indústria descarta risco de desabastecimento

Apesar das dificuldades, a Abitrigo reforça que não há risco de desabastecimento de trigo no mercado brasileiro.

Segundo a entidade, a indústria segue trabalhando para garantir o fornecimento contínuo do cereal, adotando estratégias de planejamento, diversificação das compras e gestão de riscos para minimizar os impactos das oscilações do mercado.

"A segurança do abastecimento de trigo passa por planejamento, gestão de riscos e acompanhamento constante dos mercados. O setor está mobilizado, mas o contexto exige vigilância permanente", conclui Rubens Barbosa.

Perspectivas para o mercado de trigo

O cenário para os próximos meses indica que a cadeia brasileira do trigo continuará convivendo com elevada volatilidade. A redução da produção nacional, o aumento das importações, os custos logísticos mais elevados e as incertezas geopolíticas deverão permanecer no radar das indústrias de moagem.

Ao mesmo tempo, a evolução da safra brasileira, as condições climáticas nas principais regiões produtoras, o comportamento do câmbio e o mercado internacional serão determinantes para a formação dos preços da farinha e de diversos alimentos derivados do trigo, tornando o acompanhamento desses fatores essencial para toda a cadeia do agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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