Senepol ganha espaço na Expointer 2026 e Senangus avança como nova raça sintética no Brasil
Animais selecionados no Rio Grande do Sul destacam adaptação, docilidade e produtividade, enquanto associação inicia articulação para estruturar geneticamente o Senangus
Publicado em: 01/09/2026 às 13:30hs
A raça Senepol ganha destaque na 49ª Expointer, realizada entre 29 de agosto e 6 de setembro no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS). A participação busca aproximar essa genética dos pecuaristas do Sul e também abrir espaço para as primeiras discussões sobre o Senangus, bovino composto com potencial para se consolidar como uma nova raça sintética no Brasil.
A Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol (ABCB Senepol) está representada pelo vice-presidente Wanderley Zucoloto. A entidade participa da feira ao lado da Cabanha Ematholu, de Triunfo (RS), responsável pela apresentação de 16 animais de argola selecionados no estado.
“A Expointer é uma vitrine estratégica para aproximar o Senepol dos pecuaristas da região Sul e de diferentes partes do país, que visitam a feira em busca de novas alternativas para os sistemas de produção”, afirma Zucoloto.
Segundo o dirigente, a programação também permite apresentar o trabalho de seleção desenvolvido pelos criadores e ampliar o diálogo sobre projetos como a estruturação do Senangus.
Senepol amplia presença na pecuária do Sul
Originário da ilha de Saint Croix, no Caribe, o Senepol foi desenvolvido a partir do cruzamento de bovinos N’Dama, de origem africana, com animais da raça britânica Red Poll.
Entre as características associadas ao Senepol estão pelo curto, tolerância ao calor, rusticidade e docilidade. Esses atributos contribuíram para a expansão da raça principalmente nas áreas de clima quente do Brasil Central.
No Rio Grande do Sul, a genética vem chamando a atenção pela adaptação aos períodos de temperaturas mais elevadas, pela resistência ao carrapato e pelo desempenho dos touros utilizados em cruzamentos industriais.
A busca por animais adaptados às condições regionais abre espaço para o Senepol em sistemas de monta natural, especialmente em propriedades interessadas em combinar rusticidade, facilidade de manejo e desempenho produtivo.
Criatório gaúcho aposta na seleção de Senepol PO
A história da Cabanha Ematholu com o Senepol começou em 2018, quando o criador Emanuel Penha adquiriu o primeiro touro da raça para trabalhar com vacas mantidas a campo. Os resultados despertaram o interesse pela seleção genética e direcionaram o criatório para a produção de animais puros de origem (PO).
“Comecei a mudar minha ideia para trabalhar com genética a partir do Senepol PO. Acabei me apaixonando principalmente pela docilidade, pela facilidade de manejo e pelos ganhos de produtividade oferecidos pela raça”, relata Emanuel.
Profissional da indústria petroquímica, ele passou a conciliar sua atividade com o antigo projeto familiar de trabalhar com pecuária. Gradualmente, deixou o sistema de ciclo completo para concentrar esforços na seleção de Senepol PO.
Atualmente, a Cabanha Ematholu mantém aproximadamente 54 animais Senepol PO e comercializa genética no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. O nome do criatório reúne referências aos irmãos Emanuel, Thomaz e Lucas e representa a continuidade do sonho do pai de criar gado.
Cruzamento industrial impulsiona demanda por touros Senepol
Atender à procura regional por touros destinados ao serviço a campo está entre os principais objetivos da Cabanha Ematholu. A raça vem conquistando espaço na monta natural devido à capacidade de trabalho dos reprodutores e aos benefícios da heterose nos cruzamentos.
Entre os resultados buscados estão eficiência alimentar, precocidade, qualidade de carcaça e maciez da carne. A docilidade também pode facilitar o manejo diário, reduzir o estresse dos animais e melhorar a segurança das equipes nas propriedades.
“Nossos clientes relatam boas experiências e destacam especialmente a adaptação ao calor, a resistência ao carrapato e o manejo tranquilo”, afirma Emanuel.
Senangus combina características de Senepol e Angus
Além da promoção do Senepol, a Expointer 2026 marca o início das articulações da ABCB Senepol com criadores interessados na estruturação do Senangus no Brasil.
O composto resulta da combinação entre as genéticas Senepol e Angus. Um dos cruzamentos realizados utiliza touros Angus sobre vacas Senepol, buscando reunir rusticidade e adaptação ao calor com precocidade, fertilidade e conformação frigorífica.
Os animais gerados vêm despertando interesse pelo padrão racial e pelo desempenho produtivo. Nas fêmeas, características como fertilidade e habilidade materna também fortalecem a perspectiva de desenvolver um programa permanente de seleção.
Associação pretende organizar base genética do Senangus
Delegada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a ABCB Senepol responde pelo Serviço de Registro Genealógico da raça. Entre suas atribuições estão os Cruzamentos sob Controle de Genealogia envolvendo animais Senepol.
A associação pretende utilizar essa estrutura para organizar a base genética do Senangus, acompanhar os projetos existentes e estabelecer critérios capazes de orientar seu desenvolvimento no país. Algumas iniciativas de criação e seleção já se encontram em etapas mais avançadas.
“O Senangus não é uma genética que está surgindo agora. Esse trabalho já existe em outros países, como os Estados Unidos, onde há animais registrados pela associação americana de Senepol”, explica Leonardo Keller, presidente da ABCB Senepol.
Segundo Keller, a proposta no Brasil é reunir os criadores, acompanhar a evolução dos rebanhos e avançar na consolidação do Senangus como uma nova raça sintética.
Com a presença do Senepol na Expointer e o início das discussões sobre o Senangus, a genética adaptada ganha maior visibilidade no Sul do país e abre novas possibilidades para sistemas de produção de carne que buscam eficiência, rusticidade e qualidade de carcaça.
Fonte: Portal do Agronegócio
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