Preço do boi gordo cai em São Paulo e Mato Grosso com seca e maior oferta de animais
Demanda enfraquecida por carne limita as compras dos frigoríficos, enquanto estiagem acelera a saída de gado das propriedades e amplia a pressão sobre a arroba
Publicado em: 27/08/2026 às 11:30hs
O mercado do boi gordo perdeu força nesta quarta-feira (26), com queda nas cotações em São Paulo e nas principais regiões pecuárias de Mato Grosso. O escoamento lento da carne e o aumento da oferta de animais, principalmente em áreas afetadas pela seca, levaram os frigoríficos a adotar uma postura mais cautelosa nas compras.
Segundo o informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria, as indústrias paulistas adquiriram apenas os lotes necessários para atender às programações imediatas de abate. Em Mato Grosso, a estiagem reduziu a capacidade de suporte das pastagens e estimulou pecuaristas a aumentar a oferta de gado, intensificando a pressão baixista.
Arroba do boi gordo recua em São Paulo
Nas praças paulistas, o preço do boi gordo caiu R$ 1,00 por arroba na comparação diária. A referência para o chamado “boi China”, animal que atende às exigências do mercado chinês, recuou R$ 2,00 por arroba.
Entre as fêmeas, a novilha registrou a maior desvalorização, com queda de R$ 3,00 por arroba. A cotação da vaca permaneceu estável.
Os frigoríficos trabalharam com escalas de abate próximas de sete dias, período que reduz a necessidade de acelerar as compras. A demanda enfraquecida no mercado de carne também limitou a disposição das indústrias para pagar valores mais elevados pela matéria-prima.
Apesar da pressão exercida pelos compradores, os pecuaristas resistiram a novas reduções. Os negócios ocorreram dentro das referências vigentes, evidenciando uma disputa maior entre a ponta compradora e a vendedora.
Frigoríficos menores pagam acima da referência em negócios pontuais
Embora o cenário predominante tenha sido de baixa, frigoríficos de pequeno e médio porte chegaram a oferecer valores ligeiramente superiores aos praticados no mercado.
Essas indústrias, geralmente com escalas mais curtas, precisaram disputar lotes para completar a programação de abate. De acordo com a Scot Consultoria, porém, as negociações acima das referências foram pontuais e não alteraram a tendência geral do mercado paulista.
A situação mostra que ainda existem diferenças entre os compradores, especialmente conforme o tamanho da indústria, a necessidade de abastecimento e o perfil dos animais procurados.
Seca aumenta oferta de gado em Mato Grosso
Em Mato Grosso, a pressão sobre o preço do boi gordo foi mais intensa. A estiagem aumentou a oferta de animais terminados e levou pecuaristas a antecipar vendas diante da perda de qualidade das pastagens.
A maior disponibilidade de gado permitiu que os frigoríficos reduzissem as ofertas de compra. Nas regiões Norte e Sudoeste do estado, o boi gordo caiu R$ 5,00 por arroba na comparação diária.
Em Cuiabá e no Sudeste mato-grossense, a retração foi de R$ 3,00 por arroba. O movimento deu continuidade à pressão observada no dia anterior, quando o “boi China” já havia registrado desvalorização.
Cotações das fêmeas também registram queda
O mercado de fêmeas acompanhou o movimento baixista em parte das praças de Mato Grosso. A novilha recuou R$ 2,00 por arroba no Norte do estado e em Cuiabá.
No Sudoeste mato-grossense, a queda foi de R$ 3,00 por arroba. Para a vaca, a maior desvalorização ocorreu em Cuiabá, onde o preço caiu R$ 5,00 por arroba.
Nas demais regiões acompanhadas, as cotações das fêmeas permaneceram estáveis. O comportamento desigual reflete as condições específicas de oferta, demanda e escala de abate em cada praça pecuária.
Estiagem pressiona pecuaristas e antecipa vendas
Durante períodos de seca, a redução da disponibilidade de pastagens aumenta os custos de manutenção do rebanho. Sem alimentação suficiente no campo, pecuaristas precisam recorrer à suplementação ou antecipar a comercialização dos animais.
O aumento simultâneo da oferta enfraquece o poder de negociação dos vendedores, especialmente quando os frigoríficos possuem escalas confortáveis e não enfrentam dificuldades para adquirir matéria-prima.
Esse cenário ficou mais evidente em Mato Grosso, onde a seca ampliou a disponibilidade de animais justamente em um momento de demanda enfraquecida por carne.
Demanda fraca limita recuperação do boi gordo
Além da maior oferta de gado, o escoamento lento da carne continua pesando sobre as cotações. Quando as vendas no atacado e no varejo perdem ritmo, os frigoríficos reduzem a intensidade das compras para evitar o aumento dos estoques.
A combinação entre consumo enfraquecido, escalas de abate relativamente confortáveis e maior disponibilidade de animais mantém o mercado do boi gordo pressionado em São Paulo e Mato Grosso.
Para uma recuperação mais consistente da arroba, o setor dependerá de melhora na demanda por carne, redução da oferta de gado e maior necessidade de compra por parte das indústrias. Até que esses fatores se confirmem, a tendência é de negociações cautelosas e preços sujeitos a novas oscilações.
Fonte: Portal do Agronegócio
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