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Análise de Mercado

Custo do diesel na produção de soja dispara 180% e pressiona rentabilidade da safra 2026/27

Preço do combustível subiu 87,5% desde 2018 e alcançou R$ 6,56 por litro em 2026, enquanto a relação de troca com a soja caiu ao pior nível da série histórica


Publicado em: 27/08/2026 às 11:10hs

Custo do diesel na produção de soja dispara 180% e pressiona rentabilidade da safra 2026/27

O diesel ganhou peso expressivo no custo de produção da soja e passou a pressionar diretamente as margens dos agricultores brasileiros. Entre 2018 e 2025, a despesa com o combustível por hectare aumentou 180,4%, avanço muito superior ao crescimento aproximado de 108% registrado no custo total da lavoura no mesmo período.

Os dados fazem parte de um levantamento do Aegro Insights, elaborado a partir da análise de 507 mil notas fiscais de compra de diesel emitidas para propriedades rurais brasileiras entre 2018 e agosto de 2026.

O estudo mostra que o preço médio pago pelo produtor passou de R$ 3,50 por litro, em 2018, para R$ 6,56 por litro na parcial de 2026. A valorização acumulada foi de 87,5% em oito anos e levou o combustível ao maior preço da série histórica analisada.

Diesel supera preço registrado durante choque energético de 2022

O valor médio de R$ 6,56 por litro registrado em 2026 supera inclusive o observado em 2022, quando o choque global de energia levou o combustível a R$ 6,54 por litro.

A escalada está associada a uma combinação de fatores, como conflitos internacionais, restrições na disponibilidade do produto, oscilações do petróleo e valorização do dólar. Como parte do diesel consumido no Brasil depende das importações, alterações no câmbio e nas cotações internacionais afetam diretamente os preços internos.

Enquanto o combustível acumulou forte valorização, o preço da soja não avançou na mesma proporção. Esse descompasso reduziu o poder de compra do produtor e ampliou o impacto das operações mecanizadas sobre o orçamento das propriedades.

Participação do diesel nos custos da soja aumenta

Em 2018, o diesel representava 3,90% do custo de produção da soja por hectare. Essa participação alcançou o pico de 5,54% em 2024 e recuou moderadamente para 5,25% em 2025, permanecendo, porém, muito acima do patamar observado no início da série.

Na prática, o combustível deixou de ocupar uma posição secundária na gestão financeira da fazenda. O gasto passou a exigir acompanhamento permanente porque está presente em etapas decisivas do ciclo produtivo, como preparo do solo, semeadura, pulverização, colheita e movimentação interna dos grãos.

Em 2018, a despesa com diesel era de R$ 103,95 por hectare, dentro de um custo total de R$ 2.666,29 por hectare, sem considerar arrendamento e depreciação. Em 2025, o desembolso com o combustível alcançou R$ 291,45 por hectare, diante de um custo total de R$ 5.550,89 por hectare.

Relação de troca entre soja e diesel é a pior da série

A deterioração das margens também aparece na relação de troca. Em 2018, uma saca de soja permitia comprar 20,74 litros de diesel. Em 2026, esse volume caiu para 17,46 litros por saca, o menor resultado de toda a série histórica avaliada pelo Aegro Insights.

Há oito anos, a despesa com combustível por hectare correspondia a 1,43 saca de soja. Em 2025, o produtor precisou destinar o equivalente a 2,44 sacas por hectare apenas para pagar o diesel utilizado nas operações agrícolas.

A diferença mostra que a alta do combustível foi mais intensa do que a valorização da oleaginosa. Com isso, uma parcela maior da produção precisa ser comprometida para cobrir a mesma categoria de despesa.

Safra de soja 2026/27 exige planejamento na compra de combustível

A proximidade da safra de soja 2026/27 aumenta a preocupação com a disponibilidade e o preço do diesel. Segundo o coordenador de inteligência de mercado da Aegro, Mathias Bergamin, o produtor precisa planejar as aquisições para reduzir o risco de comprar em períodos de maior valorização ou enfrentar dificuldades de abastecimento durante o plantio.

A recomendação é dimensionar antecipadamente o volume necessário para a semeadura, acompanhar as condições oferecidas pelos distribuidores e negociar prazos que garantam a entrega do produto antes do início das operações.

O planejamento também deve levar em consideração a capacidade de armazenamento da propriedade, o cronograma das máquinas, a área cultivada e as condições logísticas de cada região.

Eficiência das máquinas pode reduzir consumo de diesel

Além da estratégia de compra, o controle do consumo aparece como alternativa para proteger as margens. O estudo recomenda maior eficiência operacional do maquinário, manutenção preventiva e monitoramento detalhado dos abastecimentos.

A limpeza dos bicos de pulverização, a calibragem adequada dos equipamentos, a redução de deslocamentos desnecessários e a organização das rotas internas podem diminuir o consumo por hectare.

A modernização do parque de máquinas também pode trazer ganhos, desde que o investimento seja economicamente compatível com a realidade da propriedade. O objetivo é elevar o rendimento das operações e reduzir o volume de combustível utilizado por hectare.

Maranhão tem maior peso do diesel na produção de soja

O impacto do combustível apresenta diferenças expressivas entre os estados. Entre as regiões avaliadas, o Maranhão registrou a maior participação do diesel no custo da soja: 6,28%, equivalente a R$ 378,70 por hectare ou 2,97 sacas por hectare.

Na sequência aparece o Rio Grande do Sul, onde o combustível representa 5,99% do custo, ou R$ 273,38 por hectare. O valor corresponde a 2,14 sacas de soja por hectare.

Na Bahia, o diesel ocupa 5,86% da planilha de produção, com despesa de R$ 360,24 por hectare, equivalente a 2,82 sacas. Em Goiás, a participação chega a 5,55%, com custo de R$ 291,90 por hectare ou 2,29 sacas.

Mato Grosso registra menor participação entre estados analisados

Mato Grosso apresentou a menor participação do diesel entre os 12 estados avaliados. O combustível representa 4,71% do custo da soja no estado, com despesa média de R$ 250 por hectare, equivalente a 1,96 saca.

Mesmo com um custo total de produção estimado em R$ 5.307,12 por hectare, superior aos R$ 4.567,70 por hectare registrados no Rio Grande do Sul, o diesel ocupa uma parcela menor da estrutura de despesas mato-grossense.

Uma das hipóteses apontadas é a escala das propriedades e a maior maturidade logística do estado, que permitem diluir a frota e os equipamentos em áreas mais extensas. Rotas internas mais eficientes também podem contribuir para reduzir o consumo proporcional.

Nos estados de fronteira agrícola, como Maranhão, Bahia, Tocantins e Pará, o diesel supera 5,1% do custo da lavoura. A infraestrutura ainda em consolidação, as maiores distâncias e as condições logísticas podem encarecer tanto a aquisição quanto a utilização do combustível.

Diesel amplia pressão sobre a margem do sojicultor

A combinação entre combustível caro, relação de troca desfavorável e custos totais elevados torna o planejamento operacional ainda mais importante para a safra 2026/27.

Como o preço do diesel depende de fatores que escapam ao controle do agricultor, a gestão do consumo, a manutenção das máquinas e a negociação antecipada passam a ser ferramentas fundamentais para conter despesas. Em um cenário no qual a soja não acompanha integralmente a valorização dos insumos, cada ganho de eficiência pode contribuir para preservar a rentabilidade da propriedade.

Fonte: Portal do Agronegócio

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