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Fruticultura e Horticultura

Produção de morango no Rio Grande do Sul enfrenta geadas, chuvas e avanço de doenças

Excesso de umidade favorece mofo-cinzento, oídio e antracnose nas lavouras; oferta varia entre as regiões e preço da bandeja recua em Caxias do Sul


Publicado em: 27/08/2026 às 11:50hs

Produção de morango no Rio Grande do Sul enfrenta geadas, chuvas e avanço de doenças

A produção de morango no Rio Grande do Sul avança sob condições distintas entre as principais regiões produtoras. Enquanto algumas áreas apresentam elevada carga de frutos e perspectiva de aumento da colheita, outras registram redução expressiva da oferta em razão das chuvas frequentes, geadas, ventos fortes e excesso de umidade.

O cenário meteorológico também elevou a pressão de doenças fúngicas sobre as lavouras, exigindo atenção redobrada no manejo fitossanitário. As informações constam no Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado na quinta-feira (20).

Caxias do Sul projeta aumento da colheita de morango

Na região administrativa de Caxias do Sul, os morangueiros apresentam grande quantidade de frutos em desenvolvimento, indicando potencial elevado de colheita nas próximas semanas.

As lavouras implantadas durante o primeiro semestre estão em excelente condição vegetativa e produtiva. O desempenho mantém a produção em volume considerado normal para esta época do ano.

Apesar do bom desenvolvimento, os produtores seguem monitorando casos de oídio e podridões nos frutos. Essas ocorrências exigem controle contínuo para impedir o avanço das doenças e preservar a qualidade comercial da produção.

A geada registrada em 10 de agosto também causou danos pontuais, especialmente nas fileiras laterais dos cultivos, mais expostas às baixas temperaturas.

Preço do morango recua na Serra Gaúcha

O aumento gradual da oferta provocou redução nos preços recebidos pelos produtores de Caxias do Sul. A bandeja de 250 gramas destinada às Centrais de Abastecimento (Ceasas) passou de R$ 7,50 para R$ 6,88, queda de 8,3%.

Nas negociações com intermediários e supermercados, o morango foi comercializado entre R$ 20 e R$ 30 por quilo. Nas vendas diretas ao consumidor, os valores oscilaram de R$ 25 a R$ 50 por quilo.

O morango congelado apresentou preços entre R$ 15 e R$ 20 por quilo.

Apesar da produção regional, parte do abastecimento de restaurantes e outros estabelecimentos continua sendo realizada com frutas provenientes de outros estados, principalmente de Minas Gerais.

Chuvas reduzem oferta de morango em Pelotas

Na região de Pelotas, as condições meteorológicas das últimas semanas prejudicaram o desenvolvimento dos morangueiros e reduziram significativamente a disponibilidade da fruta.

As lavouras enfrentam incidência de oídio, antracnose e mofo-cinzento, causado pelo fungo Botrytis cinerea. Também foi identificada a presença de ácaros, aumentando a necessidade de medidas de controle.

Os ventos fortes registrados na última semana provocaram danos às estruturas de cultivo. Por isso, parte dos produtores concentrou os trabalhos na recuperação de túneis e estufas.

O preço do morango variou entre R$ 25 e R$ 50 por quilo, conforme a qualidade dos frutos. O produto congelado foi negociado a aproximadamente R$ 15 por quilo.

Umidade aumenta risco de doenças em Santa Rosa

Na região administrativa de Santa Rosa, as lavouras estão entre os estádios vegetativo e reprodutivo. As plantas apresentam emissão de inflorescências, início da frutificação e desenvolvimento vegetativo considerado adequado.

As precipitações frequentes e a elevada umidade relativa do ar, entretanto, criaram condições favoráveis para a disseminação de doenças fúngicas, principalmente do mofo-cinzento.

O clima adverso também dificulta a execução dos manejos preventivos e curativos. Como consequência, cresce a pressão de inóculos nas áreas cultivadas e aumenta o risco de perdas econômicas para os produtores.

Produção cresce em Soledade, mas qualidade dos frutos preocupa

Em Soledade, a colheita de morango está se intensificando, apesar das condições meteorológicas desfavoráveis. O excesso de umidade vem prejudicando parcialmente a coloração e o sabor dos frutos, características importantes para a aceitação comercial.

Além do mofo-cinzento, as lavouras apresentam risco de ocorrência da mancha-de-micosferela, provocada por Mycosphaerella fragariae.

Para reduzir os prejuízos, os produtores adotam estratégias preventivas, como aplicação de caldas e bioinsumos, podas para melhorar a circulação de ar entre as plantas e adubação equilibrada. O objetivo é diminuir a umidade no interior dos cultivos e limitar a entrada e a disseminação dos patógenos.

Clima será decisivo para a oferta de morango no RS

A evolução da safra gaúcha de morango dependerá diretamente do comportamento das chuvas, da umidade e das temperaturas nas próximas semanas. Períodos mais secos podem favorecer o controle das doenças, a maturação dos frutos e a recuperação da qualidade.

A manutenção das condições adversas, por outro lado, poderá ampliar os custos com manejo, reduzir a produtividade e elevar as perdas nas lavouras. O impacto sobre os preços dependerá da disponibilidade regional e da entrada de morangos produzidos em outros estados.

Fonte: Portal do Agronegócio

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