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Bovinos de Corte

Longevidade das matrizes ajuda a reduzir custos e orienta seleção genética na pecuária de corte

Indicador de permanência produtiva, conhecido como stayability, auxilia na escolha de animais com potencial para produzir mais bezerros e diminuir a necessidade de reposição do rebanho


Publicado em: 06/11/2026 às 08:30hs

Longevidade das matrizes ajuda a reduzir custos e orienta seleção genética na pecuária de corte

A capacidade de uma vaca permanecer no rebanho e produzir bezerros regularmente tem influência direta sobre a eficiência da pecuária de corte. Quanto maior sua vida produtiva, maior a oportunidade de distribuir os custos de formação da matriz entre os animais produzidos, contribuindo para o equilíbrio econômico da atividade.

Por isso, a seleção genética precisa considerar o desempenho das fêmeas além da primeira prenhez. Precocidade sexual, regularidade reprodutiva e longevidade são características complementares para formar matrizes que continuem produtivas nas condições de manejo da propriedade.

Segundo Francis Maris, titular do Nelore Cometa, essa eficiência começa na escolha da genética utilizada no rebanho, especialmente dos touros que darão origem às futuras matrizes de reposição.

O que é stayability e por que o indicador importa?

Nos programas de melhoramento genético, a permanência produtiva das matrizes é avaliada por meio da característica conhecida como stayability. Na definição apresentada, o indicador estima a probabilidade de uma fêmea permanecer no rebanho e alcançar pelo menos três partos até os 72 meses de idade.

A informação ajuda a identificar animais e famílias com maior potencial de longevidade reprodutiva. Seu uso permite incorporar à seleção uma característica que vai além do desempenho em determinada fase: a capacidade de continuar produzindo ao longo do tempo.

A avaliação ganha relevância porque a formação de uma novilha exige gastos com alimentação, pastagens, manejo sanitário e reprodução. Quando a fêmea deixa o rebanho precocemente, há menos oportunidades de recuperar esse investimento com a produção de bezerros.

Precocidade e regularidade reprodutiva precisam caminhar juntas

Antecipar a primeira prenhez pode ampliar a vida produtiva da matriz, mas o resultado econômico depende também de sua capacidade de voltar a emprenhar e manter uma sequência regular de partos.

Uma novilha precoce que permanece fértil tende a produzir mais bezerros durante sua trajetória na fazenda. Já falhas reprodutivas recorrentes e descartes antecipados aumentam a demanda por novas fêmeas, exigindo recursos adicionais para recompor o plantel.

Para Francis Maris, a escolha dos reprodutores deve considerar esse conjunto de características, uma vez que suas filhas poderão integrar o rebanho comercial por vários anos.

Reposição de matrizes pesa no planejamento da fazenda

A dimensão do rebanho ajuda a visualizar o impacto da reposição. Em uma propriedade com mil matrizes, uma taxa anual de substituição de 20% representa a entrada de 200 novilhas. Se essa necessidade chegar a 30%, o número sobe para 300.

Para obter o volume necessário de novilhas prenhes, a fazenda precisa disponibilizar um grupo maior de fêmeas à reprodução, considerando os resultados da estação de monta e as perdas ao longo do processo.

A taxa de prenhez, entretanto, não determina isoladamente a reposição. O planejamento também precisa considerar descartes por idade, problemas sanitários, limitações funcionais e outros fatores que levam à saída de matrizes.

Quanto maior a necessidade de substituição, maior o comprometimento de recursos com a formação ou aquisição de fêmeas. Além disso, reter mais novilhas pode reduzir a possibilidade de selecionar apenas aquelas que melhor atendem aos objetivos do sistema produtivo.

Seleção deve combinar longevidade, fertilidade e desempenho

O consultor Adauto Franco Filho, da Precisa Consultoria, destaca a importância de utilizar reprodutores com avaliações favoráveis para stayability. A característica, porém, deve integrar um conjunto de critérios de seleção.

Nos programas de melhoramento, a permanência produtiva é analisada ao lado de indicadores de fertilidade, crescimento, habilidade materna e qualidade de carcaça. O objetivo é associar a regularidade reprodutiva das matrizes ao desempenho dos bezerros.

Características funcionais também recebem atenção. Estrutura corporal, aprumos, musculatura e adaptação ao ambiente fazem parte da avaliação de animais destinados à reprodução.

Avaliação a pasto busca aproximação com o sistema comercial

No Nelore Cometa, o trabalho de seleção prioriza animais criados e avaliados a pasto, buscando aproximar as condições de avaliação daquelas em que seus descendentes deverão produzir.

A proposta é formar matrizes que emprenhem cedo, mantenham regularidade nos partos e desmamem bezerros com bom desempenho. Para isso, o criatório combina critérios de fertilidade, habilidade materna, rusticidade e funcionalidade.

Segundo o consultor, a seleção também considera animais de porte médio, com boa estrutura, aprumos corretos, profundidade de costelas, musculatura e acabamento precoces.

A padronização das matrizes integra esse trabalho, com o propósito de transmitir características produtivas e funcionais aos rebanhos comerciais.

Genômica acrescenta informações à escolha de reprodutores e matrizes

A avaliação genômica também faz parte das ferramentas utilizadas pelo Nelore Cometa. As informações auxiliam na escolha dos animais destinados à reprodução e à multiplicação genética por fertilização in vitro (FIV).

O processo reúne avaliações genéticas, ultrassonografia de carcaça e análises visuais de características morfológicas. A combinação dessas ferramentas orienta a seleção para diferentes etapas da atividade, da cria à engorda.

Para o produtor, o ponto central é avaliar a contribuição da matriz durante toda a sua permanência na fazenda. A primeira prenhez marca o início da produção, mas a eficiência econômica também depende da continuidade dos partos e do desempenho dos bezerros desmamados.

Fonte: Portal do Agronegócio

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