Exportações de carne bovina de Mato Grosso avançam em 2026 e chegam a 88 países
Receita com os embarques alcança US$ 2,4 bilhões no primeiro semestre, enquanto China lidera as compras e diversificação de destinos amplia oportunidades para a pecuária mato-grossense
Publicado em: 18/08/2026 às 10:40hs
A carne bovina produzida em Mato Grosso ampliou sua presença no mercado internacional em 2026, alcançando 88 países no primeiro semestre do ano. Além da expansão no número de destinos, o setor registrou forte crescimento da receita e valorização do preço médio da proteína exportada.
Entre janeiro e junho de 2026, os embarques realizados pelos frigoríficos mato-grossenses movimentaram US$ 2,4 bilhões, com preço médio próximo de US$ 6,1 mil por tonelada.
O desempenho supera com ampla margem os números registrados no mesmo período de 2025, quando a carne bovina do Estado chegou a 77 países e gerou receita de US$ 1,47 bilhão, com valor médio de aproximadamente US$ 5,1 mil por tonelada.
Na comparação anual, portanto, a receita aumentou cerca de 63%, enquanto o número de mercados atendidos passou de 77 para 88, reforçando a internacionalização da cadeia pecuária de Mato Grosso.
China lidera compras de carne bovina de Mato Grosso
A China permanece como principal destino da carne bovina mato-grossense, mantendo ampla vantagem sobre os demais compradores internacionais.
No primeiro semestre de 2026, o mercado chinês adquiriu 282,4 mil toneladas da proteína produzida no Estado.
Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com aproximadamente 41 mil toneladas, enquanto o Chile ocupa o terceiro lugar, com cerca de 31 mil toneladas importadas.
A presença desses mercados entre os maiores compradores evidencia a relevância das exportações para diferentes regiões e perfis de consumo, embora a China continue exercendo papel central no desempenho comercial da cadeia.
Rússia, Filipinas e países do Oriente Médio ampliam mercado
A lista dos dez principais compradores também demonstra a abrangência internacional alcançada pela carne bovina produzida em Mato Grosso.
Além de China, Estados Unidos e Chile, estão entre os maiores destinos Rússia, Filipinas, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Itália e Países Baixos.
A composição desse grupo mostra uma distribuição das vendas entre Ásia, América, Europa, Oriente Médio e África, ampliando as alternativas comerciais para frigoríficos e pecuaristas.
Essa diversificação ganha importância em períodos de maior volatilidade internacional, uma vez que reduz a dependência de um grupo mais restrito de compradores e aumenta as possibilidades de direcionamento da produção.
Carne mato-grossense chega a mercados de menor volume
A expansão das exportações não está restrita aos grandes importadores.
Em 2026, a carne bovina de Mato Grosso também chegou a mercados com volumes menores de aquisição, incluindo Cabo Verde, Azerbaijão, Cazaquistão, Iraque, Porto Rico, Catar, Albânia e Líbia.
Apesar da menor participação individual nos embarques, a presença nesses destinos evidencia o processo de pulverização da carteira internacional da indústria frigorífica estadual.
A abertura e consolidação de diferentes mercados também podem favorecer o acesso a nichos específicos de consumo, permitindo maior aproveitamento dos diferentes cortes produzidos pela indústria.
Receita cresce e preço médio da carne exportada avança
Outro indicador relevante no primeiro semestre foi a valorização do preço médio das exportações.
Em 2025, os frigoríficos de Mato Grosso receberam, em média, aproximadamente US$ 5,1 mil por tonelada exportada. Em 2026, o valor avançou para cerca de US$ 6,1 mil por tonelada, crescimento próximo de 20%.
O aumento contribuiu diretamente para que a receita das exportações alcançasse US$ 2,4 bilhões no período.
O resultado combina, portanto, expansão dos mercados compradores, valorização da proteína e maior geração de receita com as vendas internacionais.
Paranaguá e Santos concentram escoamento das exportações
Mesmo localizado na região Centro-Oeste, Mato Grosso depende de uma extensa estrutura logística para colocar sua produção pecuária no mercado internacional.
Grande parte da carne bovina exportada pelo Estado é escoada pelos portos de Paranaguá, no Paraná, e Santos, em São Paulo.
A distância entre as regiões produtoras e os principais terminais portuários torna os custos de transporte, a infraestrutura rodoviária e ferroviária e a eficiência logística fatores diretamente relacionados à competitividade da carne mato-grossense no exterior.
Com a expansão das exportações, investimentos destinados a reduzir custos e melhorar o fluxo entre frigoríficos e portos tornam-se ainda mais relevantes para a cadeia produtiva.
Diversificação reduz riscos para pecuaristas e frigoríficos
Para o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), a ampliação dos destinos representa um movimento estratégico para toda a cadeia.
Segundo o diretor de Projetos do instituto, Bruno de Jesus Andrade, uma carteira mais ampla de compradores reduz a exposição da pecuária estadual às oscilações econômicas de mercados específicos.
“A diversificação dos destinos das exportações é um fator estratégico para a competitividade da pecuária mato-grossense. Quanto maior o número de mercados compradores, menor é a exposição da cadeia produtiva a oscilações econômicas”, afirma.
De acordo com Andrade, a pulverização das vendas internacionais também proporciona maior previsibilidade para frigoríficos e produtores, além de abrir oportunidades em mercados capazes de oferecer melhor remuneração pela qualidade da proteína.
Exportações reforçam importância de Mato Grosso no mercado global de carne
Os números do primeiro semestre de 2026 reforçam o peso de Mato Grosso na cadeia brasileira de carne bovina e mostram um setor cada vez mais conectado ao comércio internacional.
A passagem de 77 para 88 destinos em apenas um ano demonstra que a expansão não ocorre somente pelo aumento das vendas aos compradores tradicionais. A indústria também amplia sua presença em novos mercados, criando alternativas comerciais para diferentes cortes e padrões de consumo.
Com China, Estados Unidos e Chile entre os principais compradores, ao mesmo tempo em que países da Europa, Oriente Médio, África e Ásia ampliam sua participação, a diversificação tende a permanecer como uma das estratégias centrais para sustentar a competitividade da carne bovina mato-grossense.
O desafio para a cadeia será transformar essa expansão comercial em maior previsibilidade de preços e melhores margens para frigoríficos e pecuaristas, mantendo competitividade, qualidade, sanidade e capacidade logística para atender um mercado internacional cada vez mais diversificado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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