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Milho e Sorgo

Milho sobe em Chicago e na B3 com clima adverso nos EUA, mas mercado físico brasileiro segue travado

Queda na qualidade das lavouras norte-americanas, chuvas irregulares e menor disposição dos produtores para vender sustentam os contratos futuros, enquanto exportações brasileiras permanecem abaixo do volume registrado em agosto de 2025


Publicado em: 18/08/2026 às 11:20hs

Milho sobe em Chicago e na B3 com clima adverso nos EUA, mas mercado físico brasileiro segue travado
Foto: CNA

Os preços futuros do milho avançaram nesta terça-feira (18) nas bolsas internacionais e mantiveram o movimento de valorização observado no início da semana. Na Bolsa de Chicago (CBOT), o mercado reagiu à deterioração das lavouras dos Estados Unidos e aos contrastes climáticos no Cinturão do Milho, onde algumas regiões enfrentam calor e seca, enquanto outras registram tempestades e excesso de chuva.

No Brasil, os contratos negociados na B3 também encontraram sustentação no cenário externo, no câmbio e na resistência dos produtores em ampliar as vendas. Apesar da alta dos futuros, o mercado físico continua com baixa liquidez, diante da distância entre os preços pedidos pelos vendedores e as ofertas apresentadas pelos compradores.

Clima nos EUA impulsiona futuros do milho em Chicago

Por volta das 9h35, no horário de Brasília, o contrato do milho com vencimento em setembro de 2026 era negociado a US$ 4,67 por bushel, com alta de 2,25 pontos na CBOT. Dezembro de 2026 avançava 2,75 pontos, para US$ 4,92 por bushel.

Entre os vencimentos de 2027, março era cotado a US$ 5,07, com valorização de 2,50 pontos, enquanto maio subia na mesma proporção, para US$ 5,15 por bushel.

O avanço ocorre em meio à piora das condições das lavouras norte-americanas. Segundo o relatório semanal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 60% das áreas de milho estavam classificadas em condições boas ou excelentes até domingo (16).

O resultado representa queda de um ponto percentual em relação à semana anterior e recuo expressivo na comparação anual. No mesmo período de 2025, 72% das lavouras recebiam avaliações boas ou excelentes.

Calor, seca e tempestades ampliam incertezas sobre a safra

As condições meteorológicas permanecem bastante irregulares nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos. Alertas de calor extremo foram emitidos para grande parte da metade leste de Oklahoma e para áreas do Arkansas, onde as temperaturas elevadas podem aumentar o estresse das plantações.

Em sentido oposto, o centro de Illinois enfrenta risco de tempestades severas. As previsões indicam chuvas volumosas, possibilidade de transbordamento de rios e rajadas de vento com potencial para provocar danos.

Esse contraste climático eleva as incertezas sobre o desenvolvimento final das lavouras e sobre o potencial produtivo da safra norte-americana. Com isso, os agentes do mercado ampliam o prêmio de risco nos preços do milho em Chicago.

Milho na B3 acompanha valorização internacional

No mercado brasileiro, os contratos futuros do milho encerraram a segunda-feira (17) em alta na B3, apoiados pelo avanço da CBOT, pelas oscilações cambiais e pela menor disponibilidade de vendedores no mercado imediato.

O vencimento setembro de 2026 terminou cotado a R$ 70,57 por saca, com ganho diário de R$ 0,37. Novembro fechou a R$ 75,63, alta de R$ 0,48, enquanto janeiro de 2027 avançou R$ 0,70, para R$ 78,09 por saca.

Segundo a TF Agroeconômica, os produtores permanecem pouco dispostos a aumentar as vendas no mercado spot. A postura limita a pressão baixista, mesmo com o avanço da colheita da segunda safra em importantes estados produtores.

Exportações brasileiras seguem abaixo do ritmo de 2025

Nos dez primeiros dias úteis de agosto, o Brasil exportou 2,216 milhões de toneladas de milho. O volume corresponde a 32,36% de tudo o que foi embarcado no mesmo mês de 2025, quando as exportações alcançaram aproximadamente 6,85 milhões de toneladas.

Apesar do menor ritmo dos embarques, o preço médio avançou 9,5%, chegando a US$ 216,80 por tonelada. O mercado brasileiro enfrenta forte concorrência dos Estados Unidos e da Argentina nos destinos internacionais.

A evolução das exportações será determinante para o comportamento dos preços internos durante o restante do segundo semestre. Caso os embarques não ganhem velocidade, parte da oferta disponível poderá aumentar a pressão sobre as cotações em algumas regiões.

Oferta restrita e atraso da colheita sustentam preços internos

De acordo com análises do Cepea, a limitação da oferta no mercado spot, os atrasos pontuais na colheita, a paridade de exportação e as preocupações climáticas para o fim do ano ajudam a sustentar os preços do milho no Brasil.

Entretanto, a comercialização permanece lenta. Compradores evitam elevar significativamente suas ofertas, enquanto produtores aguardam valores mais atrativos para negociar novos lotes.

Essa diferença entre as expectativas de vendedores e consumidores mantém o mercado físico travado, com negócios pontuais e maior concentração das operações em regiões onde existe demanda industrial ou logística mais favorável para exportação.

Preços do milho variam entre as regiões produtoras

No Rio Grande do Sul, as indicações oscilam entre R$ 58 e R$ 63 por saca. O plantio do milho de verão começou em ritmo lento, prejudicado pelo excesso de chuvas em algumas áreas.

Em Santa Catarina e no Paraná, a distância entre os valores pedidos pelos produtores e as propostas dos compradores continua limitando as negociações. No Paraná, a colheita da segunda safra alcançou 60% da área cultivada.

Em Mato Grosso do Sul, as cotações variam entre R$ 48 e R$ 50 por saca. A demanda das indústrias de bioenergia absorve parte da produção estadual e contribui para evitar uma pressão mais intensa sobre os preços.

Mercado monitora clima norte-americano e ritmo das exportações

A tendência para o milho dependerá principalmente das condições das lavouras dos Estados Unidos, do desempenho da colheita brasileira e da evolução das exportações ao longo de agosto.

Novas perdas de qualidade nas plantações norte-americanas podem ampliar a valorização em Chicago e oferecer suporte adicional à B3. No mercado físico brasileiro, porém, uma recuperação mais consistente dependerá do crescimento da demanda, especialmente nos portos e nas indústrias consumidoras.

Enquanto isso, o setor deve continuar marcado por preços futuros firmes, baixa liquidez no mercado disponível e negociações regionalizadas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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