Estresse térmico reduz consumo de bovinos e exige ajustes na nutrição do rebanho
Estudo com novilhas Nelore registrou queda de cerca de 16% na ingestão de matéria seca sob calor; água, sombra e dieta adequada fazem parte do manejo
Publicado em: 28/09/2026 às 07:30hs
O calor intenso pode comprometer o consumo de alimento e o desempenho de bovinos de corte, inclusive de raças adaptadas ao clima tropical. Para enfrentar o estresse térmico, especialistas recomendam acompanhar as condições do ambiente e ajustar a alimentação às necessidades do rebanho, junto com medidas de conforto, como acesso à água e à sombra.
Um estudo publicado na revista Livestock Science comparou novilhas Nelore mantidas a 34 °C durante o dia com animais em condição de termoneutralidade, a 24 °C. Sob estresse térmico, as novilhas consumiram cerca de 16% menos matéria seca e 25,5% mais água. Os pesquisadores também observaram alterações em parâmetros digestivos e ruminais. Os resultados descrevem as condições do experimento e não devem ser tratados como uma perda uniforme para todos os rebanhos. ScienceDirect
Dieta deve considerar ambiente e fase produtiva
A resposta dos bovinos ao calor varia conforme genética, umidade, exposição ao sol, duração do período quente, disponibilidade de água e sistema de produção. Por isso, a quantidade de alimento oferecida é apenas uma parte da avaliação nutricional.
“É necessário entender a qualidade da dieta, sua composição e como os nutrientes estão sendo aproveitados naquele ambiente e naquela fase produtiva específica”, afirma Cartland Cunico, gerente de Produtos Ruminantes de Corte da ADM no Brasil.
Segundo o especialista, o balanceamento de proteínas, vitaminas e minerais deve acompanhar as exigências dos animais e as condições da pastagem. Essa atenção ganha peso em períodos de calor intenso ou de menor disponibilidade e qualidade da forragem, especialmente nos sistemas que dependem de consumo e conversão alimentar para sustentar o desempenho.
Suplementação deve integrar o manejo do calor
A ADM informa que atualizou sua linha de suplementos Tech Sal com tecnologias voltadas ao aproveitamento dos nutrientes das pastagens. A escolha de um programa nutricional, porém, depende das condições do rebanho, da dieta e dos objetivos de cada propriedade.
Cunico ressalta que a suplementação precisa ser acompanhada de medidas de conforto térmico: água contínua em quantidade e qualidade adequadas, sombra quando disponível, atenção aos horários de alimentação e monitoramento do ambiente.
Antecipar períodos de maior calor permite ao pecuarista revisar essas condições e ajustar o manejo antes que os animais apresentem sinais evidentes de desconforto.
Fonte: Portal do Agronegócio
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