Confinamento: arroba paga mais de 30 dias de alimentação no Sudeste e lucro recua 7,77% no Centro-Oeste
ICAP de setembro registra relação de troca recorde no Sudeste, que amplia vantagem regional para R$ 303,46 por cabeça no resultado das arrobas produzidas
Publicado em: 14/10/2026 às 10:50hs
A valorização do boi gordo e a estabilidade do custo alimentar levaram a relação de troca dos confinamentos do Sudeste a um recorde em setembro de 2026. Segundo o Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP), uma arroba passou a pagar 30,77 dias de alimentação, superando pela primeira vez a marca de 30 dias na região.
No Centro-Oeste, o aumento dos gastos com alimentação e o maior tempo de permanência dos animais no cocho pressionaram o resultado. O indicador de lucratividade das arrobas produzidas recuou 7,77%, para R$ 906,75 por cabeça, enquanto no Sudeste avançou 3,98%, para R$ 1.210,21.
A diferença entre as regiões chegou a R$ 303,46 por cabeça, a maior registrada em 2026.

Arroba valorizada melhora relação de troca no Sudeste
O preço do boi gordo no Sudeste subiu 4,40% em setembro, alcançando R$ 356 por arroba, a maior cotação da série regional acompanhada pelo levantamento.
O custo alimentar, por sua vez, apresentou variação de apenas 0,26%, ficando em R$ 11,57 por cabeça ao dia. Essa combinação ampliou a capacidade de compra de alimentação com a receita equivalente a uma arroba.
O Sudeste manteve o menor ICAP entre as duas regiões pelo sétimo mês consecutivo. A diferença de custo diário, que havia caído para R$ 0,35 por cabeça em agosto, aumentou para R$ 1,11 em setembro.
Custo alimentar sobe 6,64% no Centro-Oeste
No Centro-Oeste, o ICAP atingiu R$ 12,68 por cabeça ao dia, alta mensal de 6,64%, a mais intensa desde março. Apesar do avanço, o indicador ficou apenas 0,24% acima do registrado em setembro de 2025.
A dieta de terminação passou a custar R$ 1.088,66 por tonelada de matéria seca, aumento de 6,46%, encerrando uma sequência de cinco quedas. O consumo de matéria seca também cresceu pelo sexto mês seguido, chegando a 10,02 quilos diários por animal.
Além da alimentação mais cara, o ciclo dos animais abatidos aumentou de 107 para 118 dias de cocho. A produção durante o confinamento avançou de 7,81 para 8,32 arrobas por cabeça, mas não impediu a redução do resultado econômico acompanhado pelo índice.
Custo da arroba produzida aumenta nas duas regiões
No Centro-Oeste, o custo da arroba produzida subiu 11,92%, para R$ 224,52, maior valor desde abril de 2025. A cotação do boi físico avançou em ritmo menor, de 2,14%, alcançando R$ 333,50 por arroba.
No Sudeste, o custo da arroba produzida aumentou 4,61%, para R$ 203. Mesmo com esse avanço, o indicador de lucratividade por cabeça cresceu, em um cenário de valorização do boi gordo. Os animais abatidos na região permaneceram 112 dias no cocho e produziram 7,91 arrobas por cabeça.
Na referência de animais destinados ao mercado chinês, o resultado também foi superior no Sudeste: R$ 1.281,40 por cabeça, ante R$ 960,83 no Centro-Oeste.
Proteicos recuam, mas volumosos pressionam o Centro-Oeste
Na comparação de setembro com a referência de junho a agosto, os insumos apresentaram comportamentos distintos no Centro-Oeste.
Os proteicos ficaram 18,51% abaixo da média do período, com DDG, caroço de algodão e farelo de algodão nos menores preços do ano. Os valores chegaram, respectivamente, a R$ 937,95, R$ 942,40 e R$ 796,90 por tonelada.
Os energéticos ficaram próximos da referência, com alta de 0,66%. O milho em grão seco voltou a subir após atingir o menor preço da safrinha em julho.
A principal pressão veio dos volumosos, que ficaram 27,67% acima da referência de junho a agosto. A categoria “Outros” apresentou aumento de 15,66%.
Segundo o levantamento, mudanças na composição das dietas, nos teores de matéria seca ou na amostra podem influenciar o comportamento dos volumosos. Os dados agregados, porém, não permitem separar o efeito de cada fator.
Insumos ficam abaixo da média recente no Sudeste
No Sudeste, todas as categorias de insumos encerraram setembro abaixo da referência de junho a agosto. A redução foi de 1,72% nos energéticos, 4,99% nos proteicos, 5,84% nos volumosos e 12,67% na categoria “Outros”.
Entre os volumosos, o bagaço de cana, presente no maior número de clientes da amostra de setembro, ficou 8,8% abaixo da referência. A silagem de milho recuou 24%, atingindo o menor valor do ano.
Nos proteicos, o caroço de algodão também alcançou o menor preço de 2026, com redução de 15,7% frente à média de junho a agosto. O milho em grão seco apresentou variação mais discreta, de -0,9%.
Indicador mede resultado da produção dentro do confinamento
A lucratividade apresentada pelo ICAP considera as arrobas produzidas durante o confinamento, com base nos dados médios dos animais abatidos no mês e na cotação de balcão. O cálculo não contempla o ágio pago na compra do boi magro.
Essa metodologia delimita a leitura dos valores por cabeça: eles representam o resultado das arrobas produzidas no período de confinamento, e não o lucro completo da operação de compra e venda dos animais.
O ICAP utiliza informações de confinamentos monitorados pelas tecnologias da Ponta, incluindo o sistema de gestão TGC. A base reúne milhões de diárias de alimentação e permite acompanhar a evolução dos custos nas regiões analisadas.
Segundo a empresa, os dados apoiam o planejamento de compras de insumos, a avaliação da viabilidade do confinamento e o acompanhamento das margens da atividade.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias