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Análise de Mercado

Exportações do Brasil aos EUA sobem 31,9% em setembro, mas acumulam perda de US$ 1,9 bilhão no ano

Carne bovina e café impulsionam recuperação mensal; vendas da agropecuária ao mercado americano recuam 17,8% entre janeiro e setembro de 2026, segundo a Amcham


Publicado em: 14/10/2026 às 11:00hs

Exportações do Brasil aos EUA sobem 31,9% em setembro, mas acumulam perda de US$ 1,9 bilhão no ano

As exportações brasileiras para os Estados Unidos alcançaram US$ 3,52 bilhões em setembro de 2026, alta de 31,9% em relação ao mesmo mês de 2025. A recuperação, porém, ainda não compensou as perdas acumuladas no ano: entre janeiro e setembro, as vendas somaram US$ 27,46 bilhões, queda de 6,5%, equivalente a aproximadamente US$ 1,9 bilhão a menos em receita.

Os dados constam do Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Amcham com informações do Comex Stat. Segundo o levantamento, as exportações brasileiras ao mercado americano permanecem no menor valor para os nove primeiros meses do ano desde 2023.

Para o agronegócio, o cenário combina forte recuperação das vendas de carne bovina em setembro com retração do café no acumulado e dificuldades para produtos sujeitos às maiores sobretaxas.

Alta de setembro reflete comparação com período afetado por tarifas

O crescimento das exportações em setembro ocorreu tanto em valor quanto em quantidade. O volume embarcado aumentou 3,1%, enquanto o preço médio avançou 28%, conforme a tabela consolidada do relatório.

Apesar da melhora, a quantidade exportada foi a menor para um mês de setembro desde 2021.

A Amcham destaca que a comparação anual utiliza uma base reduzida: em setembro de 2025, os embarques brasileiros já haviam sido afetados pelas tarifas adicionais adotadas pelos Estados Unidos. Esse efeito ajuda a explicar a intensidade da recuperação registrada em 2026.

Assim, a alta mensal precisa ser avaliada junto ao desempenho acumulado, que continua negativo.

Carne bovina lidera recuperação entre os produtos do agro

As exportações brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos atingiram US$ 263,5 milhões em setembro, crescimento de 524,3% sobre o mesmo mês do ano anterior.

O avanço também ocorreu em volume, com aumento de 465,9% na quantidade embarcada. O preço médio subiu 10,3%.

Entre janeiro e setembro, a receita com carne bovina exportada ao mercado americano chegou a US$ 1,72 bilhão, alta de 82,9%. No período, o volume aumentou 55,6%, enquanto o preço médio avançou 17,5%.

O desempenho colocou a carne bovina entre os principais destaques positivos da pauta brasileira destinada aos Estados Unidos, mesmo diante da retração do comércio total.

Café cresce no mês, mas receita ainda cai 20% no ano

O café não torrado também apresentou recuperação expressiva em setembro. As vendas aos Estados Unidos somaram US$ 219,9 milhões, aumento de 108% na comparação anual.

A quantidade exportada cresceu 112,6%, enquanto o preço médio recuou 2,1%.

No acumulado dos nove primeiros meses, entretanto, o resultado permaneceu negativo. A receita com exportações de café não torrado para os americanos totalizou US$ 1,21 bilhão, queda de 20% frente ao mesmo período de 2025.

O volume embarcado diminuiu 17,6%, e o preço médio caiu 2,9%. As vendas brasileiras desse produto para os demais mercados também recuaram em valor, com redução de 9,6%.

Agropecuária recua nos EUA e cresce nos demais mercados

As exportações do setor classificado como agropecuária no levantamento caíram 17,8% para os Estados Unidos entre janeiro e setembro. Em sentido oposto, as vendas brasileiras desse segmento para o restante do mundo aumentaram 8,9%.

A diferença mostra que o desempenho no mercado americano foi inferior ao observado nos demais destinos.

Essa classificação setorial não corresponde à totalidade do agronegócio: produtos processados, como carnes e celulose, integram outros grupos da pauta comercial. Por isso, a queda da agropecuária pode ocorrer simultaneamente à expansão das vendas de carne bovina.

A indústria extrativa também registrou retração nas exportações aos Estados Unidos, de 32% no acumulado, enquanto suas vendas para o restante do mundo cresceram 21,2%.

Produtos com maiores sobretaxas acumulam queda de 25,4%

Os produtos enquadrados nas faixas de sobretaxas de 25% a 37,5%, segundo a classificação utilizada pela Amcham, tiveram redução de 25,4% nas exportações entre janeiro e setembro.

A receita desse grupo passou de aproximadamente US$ 5,50 bilhões para US$ 4,10 bilhões, uma perda de cerca de US$ 1,4 bilhão. Entre os produtos destacados pelo relatório estão sebo bovino, madeira compensada, portas e granitos.

Em setembro, esse conjunto apresentou recuperação de 27,8% na comparação anual. Ainda assim, a melhora mensal não reverteu as perdas acumuladas.

Considerando todos os bens sujeitos a sobretaxas, as exportações recuaram 8,1% nos nove primeiros meses. Entre os produtos sem sobretaxas, a queda foi de 5,1%.

Compras de adubos americanos aumentam 12,1%

Do lado das importações, o Brasil ampliou as compras de adubos dos Estados Unidos. Entre janeiro e setembro, o valor importado atingiu US$ 589,5 milhões, crescimento de 12,1%, com aumento de 3,7% na quantidade adquirida.

Os combustíveis também ganharam espaço. As importações brasileiras desses produtos provenientes do mercado americano somaram US$ 6,86 bilhões no acumulado, alta de 68,5%.

Apesar desses avanços, as compras totais de bens dos Estados Unidos caíram 7,1%, para US$ 31,79 bilhões.

Com exportações de US$ 27,46 bilhões e importações de US$ 31,79 bilhões, o Brasil registrou déficit comercial de aproximadamente US$ 4,33 bilhões na relação bilateral entre janeiro e setembro.

O balanço evidencia uma recuperação relevante em setembro, mas ainda insuficiente para recompor as vendas brasileiras ao mercado americano. Para as cadeias do agro, carne bovina, café e produtos florestais apresentam trajetórias distintas, reforçando a necessidade de analisar os resultados por produto e período.

Fonte: Monitor do Comércio Brasil–EUA — setembro de 2026, da Amcham, com dados do Comex Stat.

Fonte: Portal do Agronegócio

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