Escassez de diesel pode persistir até 2027, alerta IEA, e pressionar custos do agronegócio
Agência Internacional de Energia aponta que conflitos no Oriente Médio e na Rússia comprometem a produção de combustíveis. Mesmo com a recuperação das refinarias prevista para o fim de 2026, a oferta de diesel pode continuar insuficiente, elevando os custos de transporte, produção agrícola e inflação.
Publicado em: 14/10/2026 às 11:43hs
A escassez global de diesel pode se estender até boa parte de 2027, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). A restrição na produção de combustíveis, provocada por conflitos e danos à infraestrutura energética no Oriente Médio e na Rússia, mantém o mercado sob pressão e ameaça prolongar os custos elevados em diferentes setores da economia.
O cenário preocupa especialmente atividades com forte dependência do transporte rodoviário e de máquinas movidas a diesel, como o agronegócio. No Brasil, o combustível é essencial para operações agrícolas, transporte de insumos, escoamento da safra e distribuição de alimentos, o que torna a evolução dos preços um fator relevante para os custos de produção.
Em seu relatório mensal sobre o mercado de petróleo, divulgado nesta quarta-feira, a IEA destacou que os preços recordes do diesel já produzem efeitos econômicos abrangentes, pressionando o valor dos produtos, reduzindo o poder de compra e afetando a atividade econômica e a inflação.
Margens de refino do diesel atingem níveis recordes
A pressão sobre o mercado se intensificou em setembro, quando as margens de refino do diesel — diferença entre o valor do combustível e o preço do petróleo bruto utilizado em sua produção — chegaram a quase US$ 95 por barril, atingindo níveis recordes.
Segundo a agência, a redução da capacidade de processamento nas refinarias, associada a ataques à infraestrutura energética relacionados aos conflitos no Irã e na Ucrânia, prejudicou a produção e restringiu a disponibilidade de derivados.
O diesel integra o grupo dos chamados destilados médios, categoria que também inclui o gasóleo e o combustível de aviação. Esses produtos são fundamentais para o transporte de cargas, a logística internacional e diversas atividades industriais.
A combinação entre oferta limitada e preços elevados aumenta a vulnerabilidade dos mercados consumidores, principalmente diante da necessidade de recomposição dos estoques antes do período de maior demanda no inverno do Hemisfério Norte.
Recuperação das refinarias não deve eliminar o déficit
A IEA projeta uma recuperação das operações das refinarias em escala global no fim de 2026. A retomada poderá contribuir para aumentar a produção e iniciar a recomposição dos estoques de combustíveis.
Entretanto, a agência avalia que a melhora operacional não será suficiente para compensar integralmente o déficit acumulado nos mercados de destilados médios ao longo do ano.
Na prática, isso significa que o aumento da produção poderá aliviar parte da pressão sobre a oferta, mas não necessariamente normalizar o mercado no curto prazo. A disponibilidade de diesel continuará condicionada à recuperação da capacidade de refino, à evolução dos conflitos e ao ritmo de consumo.
A perspectiva de restrição prolongada mantém o mercado de combustíveis exposto a novas oscilações de preços e reforça a importância do acompanhamento dos estoques e das condições de abastecimento.
Diesel caro pode elevar os custos do agronegócio
O prolongamento da escassez representa um risco para as cadeias produtivas que dependem intensamente do diesel. No agronegócio, o combustível é utilizado em tratores, colheitadeiras, pulverizadores, caminhões e outros equipamentos empregados desde o preparo do solo até o transporte da produção.
Caso os preços permaneçam elevados, os produtores poderão enfrentar aumento das despesas operacionais, enquanto transportadoras e empresas de logística poderão repassar parte dos custos adicionais aos fretes.
O impacto também pode alcançar o transporte de fertilizantes, defensivos agrícolas, sementes e outros insumos, além da distribuição de grãos, carnes, açúcar, biocombustíveis e alimentos.
A intensidade desses efeitos dependerá da evolução dos preços internacionais, das condições de abastecimento em cada mercado e da capacidade de absorção dos custos pelas empresas e pelos produtores rurais.
Preços elevados aumentam a pressão inflacionária
Além dos efeitos diretos sobre o transporte e a produção, o diesel mais caro pode contribuir para elevar os preços de mercadorias e serviços. O encarecimento da logística tende a se espalhar pelas cadeias de suprimentos, ampliando a pressão sobre os custos empresariais e o consumidor final.
A IEA alerta que os preços recordes do combustível já afetam a renda real, a atividade econômica e a inflação. A persistência desse cenário pode dificultar a redução das pressões inflacionárias, especialmente em economias com elevada dependência do transporte rodoviário.
Mercado de combustíveis seguirá dependente da oferta global
A expectativa de recuperação das refinarias no fim de 2026 oferece uma perspectiva de alívio parcial, mas não elimina o risco de desequilíbrio entre oferta e demanda em 2027.
Para o agronegócio e os demais setores consumidores, a evolução do mercado internacional de diesel será um fator importante para o planejamento de custos, contratos de frete e operações produtivas.
O cenário indicado pela IEA reforça que a normalização dependerá não apenas do aumento da produção nas refinarias, mas também da recuperação dos estoques e da redução das restrições que afetam a cadeia global de combustíveis.
Fonte: Portal do Agronegócio
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