Carrapatos em bovinos: primavera exige controle adaptado à fazenda e atenção à resistência
Avaliação da eficácia de carrapaticidas e vermífugos, acompanhamento veterinário e seleção genética podem ajudar a reduzir infestações e a necessidade de tratamentos
Publicado em: 03/11/2026 às 14:00hs
Temperaturas mais altas e maior umidade na primavera favorecem o desenvolvimento de carrapatos, vermes e moscas que afetam os bovinos. Para proteger a produtividade dos rebanhos, o controle desses parasitas deve considerar as condições de cada fazenda e a eficácia dos produtos utilizados.
A orientação é do médico-veterinário Octaviano Pereira Neto, vice-presidente da Conexão Delta G. Segundo o especialista, programas sanitários precisam ser definidos com acompanhamento veterinário, levando em conta as particularidades da propriedade e a resistência dos parasitas aos tratamentos.
Controle de parasitas deve considerar a realidade de cada propriedade
A resposta a um tratamento pode variar mesmo entre fazendas próximas ou pertencentes ao mesmo produtor. Por isso, repetir uma estratégia que apresentou bons resultados em outro rebanho não assegura a mesma eficácia.
Na avaliação de Pereira Neto, o planejamento deve seguir critérios técnicos e ser ajustado às condições encontradas em cada local. Essa análise é importante tanto para o combate aos parasitas externos, como carrapatos e moscas, quanto para o controle dos internos, como os vermes.
O objetivo é estabelecer um programa adequado à situação sanitária do rebanho, evitando intervenções baseadas apenas em práticas adotadas por outras propriedades.
Eficácia de carrapaticidas e vermífugos precisa ser avaliada
A resistência dos parasitas aos princípios ativos é um dos pontos centrais na escolha de carrapaticidas e vermífugos. Uma mesma molécula pode apresentar resultados diferentes conforme a população de parasitas presente na área.
Segundo o veterinário, essa variação reforça a necessidade de avaliar a eficácia dos tratamentos e adaptar o programa de controle. A escolha do produto e sua aplicação devem integrar uma estratégia orientada por profissional, compatível com as características de cada fazenda.
Seleção genética pode ampliar resistência dos bovinos aos carrapatos
Além do manejo sanitário, o melhoramento genético pode contribuir para o controle das infestações ao longo das gerações.
A Conexão Delta G trabalha com a seleção de reprodutores que combinam características produtivas e resistência natural aos carrapatos. Conforme Pereira Neto, o uso desses touros em sistemas de cria pode elevar gradualmente a resistência média dos descendentes.
Os resultados são construídos no médio e no longo prazo. A proposta é associar a seleção genética a programas antiparasitários adequados, favorecendo a redução da necessidade de intervenções e o aumento do intervalo entre tratamentos.
Rebanhos mais resistentes podem ajudar a reduzir infestação nas pastagens
De acordo com o especialista, bovinos com maior resistência natural também podem contribuir para diminuir a presença de parasitas no ambiente.
Esse efeito está relacionado às barreiras imunológicas dos animais, que ajudam a limitar a infestação no rebanho e, consequentemente, nas pastagens.
A combinação entre tratamentos eficazes, aplicação correta e seleção de animais resistentes permite estruturar um controle ajustado à propriedade, com atenção à saúde dos bovinos e à eficiência produtiva ao longo do tempo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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