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Carne do Pampa Gaúcho reforça debate sobre rastreabilidade e mercado externo na Abertura da Colheita do Arroz

Setor discute avanços da certificação e potencial de exportação da pecuária regional durante evento da Embrapa em Capão do Leão (RS)


Publicado em: 26/02/2026 às 18:20hs

Carne do Pampa Gaúcho reforça debate sobre rastreabilidade e mercado externo na Abertura da Colheita do Arroz
Foto: Paulo Rossi

O segundo dia da 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, realizado nesta terça-feira (25), na sede da Embrapa Clima Temperado, foi marcado por um painel sobre a Indicação Geográfica (IG) da Carne do Pampa Gaúcho e os desafios de mercado enfrentados pela pecuária de corte no Bioma Pampa.

O debate, moderado pelo diretor jurídico da Federarroz, Anderson Belloli, reuniu produtores, pesquisadores e lideranças do agronegócio regional interessados em ampliar o posicionamento da carne gaúcha no mercado nacional e internacional.

Bioma Pampa é diferencial competitivo da pecuária gaúcha

Abrindo as apresentações, o presidente da Apropampa, Custódio Magalhães, destacou que o maior trunfo competitivo do Rio Grande do Sul está na singularidade do Bioma Pampa, responsável por cerca de 90% da pecuária de corte do Estado, em uma área de 18 milhões de hectares.

“Argentina e Uruguai se destacam porque concentram sua pecuária no Bioma Pampa, o que confere qualidade e sabor diferenciados à carne. O Rio Grande do Sul possui o mesmo potencial, mas ainda explora pouco essa vantagem como estratégia de mercado”, afirmou Magalhães.

Segundo ele, o programa Pampa Gaúcho busca qualificar o rebanho, ampliar a rastreabilidade animal e garantir o acesso a novos mercados internacionais, valorizando a origem e a identidade do produto.

Programa de Indicação Geográfica estimula qualidade e bonificação

A técnica da Apropampa, Gabrielly Rosa Moraes, apresentou os resultados do programa Pampa Gaúcho Indicação Geográfica, desenvolvido em parceria com o Frigorífico Silva.

Ela explicou que o sistema de bonificação valoriza produtores que atendem aos critérios técnicos de programas de certificação consolidados, como o Programa Angus e o Programa Carne Hereford, além de exigências mínimas de peso de carcaça de 210 quilos para machos e fêmeas.

“O objetivo é recompensar quem entrega qualidade e cumpre as boas práticas exigidas pelos padrões de Indicação Geográfica, fortalecendo a confiança entre produtores, frigoríficos e consumidores”, ressaltou Gabrielly.

Desempenho e rastreabilidade como metas do setor

O professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Fabiano Nunes Vaz, reforçou que o consumidor moderno busca transparência e rastreabilidade na origem dos alimentos.

“O Rio Grande do Sul precisa avançar nesses conceitos e adotar modelos produtivos mais eficientes, como o confinamento estratégico. Enquanto estados como Goiás, Mato Grosso e Tocantins já superam 20 arrobas por animal, ainda temos médias de carcaça inferiores”, observou o pesquisador.

Carne gaúcha mira expansão no mercado internacional

Encerrando o painel, o médico veterinário Alexandre Prates Machado, do Frigorífico Silva, destacou o esforço da indústria em ampliar a presença da carne certificada do Pampa Gaúcho no exterior.

“Apesar do reconhecimento pela qualidade e genética, a carne brasileira ainda é vista no mercado internacional pelo volume e não pelo padrão premium. Nosso foco é mudar essa percepção, posicionando a carne gaúcha como um produto diferenciado”, afirmou Machado.

Atualmente, o frigorífico exporta para Singapura, Alemanha, Suíça, Líbano, Itália e México, com foco na carne certificada e rastreada.

Evento conecta campo e mercado

Com o tema “Cenário atual e perspectivas: conectando campo e mercado”, a Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas é uma realização da Federarroz, com correalização da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), e patrocínio premium do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

O evento reforça o papel estratégico da integração entre os diferentes segmentos do agronegócio, estimulando a inovação e a competitividade no campo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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