Carne bovina de Mato Grosso conquista Europa e alcança preços até 40% superiores aos pagos pela China
Mercados europeus ampliam valor agregado da pecuária mato-grossense, pagando mais por carne com qualidade, rastreabilidade e regularidade, enquanto China segue como principal destino em volume.
Publicado em: 03/08/2026 às 10:10hs
A carne bovina produzida em Mato Grosso vem ganhando espaço em mercados de maior valor agregado, especialmente na Europa, onde os compradores remuneram melhor o produto em comparação com a China. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam que, no primeiro semestre de 2026, os países europeus pagaram valores até 40% superiores aos desembolsados pelo mercado chinês.
Enquanto a China permaneceu como principal destino da carne bovina mato-grossense, responsável por 55,2% dos embarques realizados no período, os mercados europeus se destacaram pela maior remuneração por tonelada exportada.
Segundo o levantamento, a União Europeia pagou, em média, US$ 6.390 por tonelada da carne bovina de Mato Grosso. Já os demais países europeus registraram valor médio de US$ 6.667 por tonelada. Em contrapartida, a China pagou aproximadamente US$ 4.745 por tonelada.
Europa valoriza qualidade e rastreabilidade da carne brasileira
A diferença de preços reforça uma tendência estratégica para a pecuária de Mato Grosso: ampliar a participação em mercados que reconhecem atributos como qualidade, segurança alimentar, rastreabilidade e sustentabilidade.
Embora a China continue sendo fundamental para o escoamento da produção estadual devido ao grande volume adquirido, os compradores europeus apresentam maior disposição para pagar por produtos diferenciados, especialmente aqueles que atendem critérios mais rigorosos de controle e origem.
Esse cenário demonstra que a competitividade da pecuária mato-grossense não depende apenas do aumento das exportações, mas também da conquista de mercados capazes de gerar maior retorno econômico ao produtor.
Índice de Atratividade destaca liderança europeia
O desempenho dos mercados também aparece no Índice de Atratividade das Exportações, indicador desenvolvido pelo Imea que compara a remuneração obtida nas exportações com o valor da arroba do boi gordo em Mato Grosso.
O índice mostra a capacidade de cada destino em gerar valor para a cadeia produtiva. Quanto maior o resultado, maior o retorno econômico proporcionado pela exportação.
No ranking, a União Europeia lidera com índice de 108,49, seguida pelos demais países europeus, com 98,59.
A China aparece com índice de 74,37, abaixo também do Oriente Médio (76,58) e da América do Norte (75,47), indicando que, apesar da importância comercial, o mercado chinês apresenta menor remuneração relativa.
Diversificação de mercados fortalece pecuária de Mato Grosso
Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, a expansão para mercados premium representa uma oportunidade para agregar valor à produção estadual.
Segundo ele, a China continuará exercendo papel estratégico pela capacidade de absorção de grandes volumes, mas o avanço em destinos mais exigentes demonstra a evolução da cadeia produtiva.
“Os mercados como a União Europeia mostram que nossos produtores estão preparados para atender consumidores que valorizam qualidade, rastreabilidade e regularidade no fornecimento”, destaca.
Andrade ressalta ainda que a diversificação das exportações reduz riscos comerciais e estimula investimentos dentro da porteira.
“Quanto maior a participação em destinos que pagam mais pelo produto, maior é o estímulo para investimentos em tecnologia, genética, eficiência produtiva e programas de conformidade socioambiental”, afirma.
Pecuária brasileira busca mercados de maior valor agregado
O avanço da carne bovina mato-grossense em mercados europeus reforça uma mudança estrutural no comércio internacional de proteína animal. Além de ampliar volumes exportados, produtores e empresas buscam compradores dispostos a remunerar atributos diferenciados.
Com uma base produtiva competitiva e crescente adoção de tecnologias de produção sustentável, Mato Grosso fortalece sua posição como um dos principais polos da pecuária brasileira, combinando escala, qualidade e acesso a mercados estratégicos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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