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Milho e Sorgo

Milho: consultoria recomenda cautela nas vendas enquanto clima nos EUA, Chicago e demanda sustentam expectativa de alta no segundo semestre

Estratégia de comercialização ganha importância diante da volatilidade em Chicago, recuo dos futuros na B3 e fundamentos que ainda apontam para preços firmes no mercado global do milho.


Publicado em: 03/08/2026 às 11:10hs

Milho: consultoria recomenda cautela nas vendas enquanto clima nos EUA, Chicago e demanda sustentam expectativa de alta no segundo semestre
Foto: Tony Oliveira

O mercado de milho iniciou a semana pressionado por novas quedas nas bolsas internacionais e na B3, reflexo da melhora das condições climáticas nos Estados Unidos, da redução das tensões geopolíticas envolvendo o Oriente Médio e do movimento de realização de lucros por parte dos fundos de investimento. Apesar desse cenário de curto prazo, consultorias especializadas avaliam que os fundamentos permanecem sólidos e recomendam aos produtores brasileiros evitar vendas apressadas, apostando em uma estratégia de comercialização escalonada.

De acordo com análise da TF Agroeconômica, a recente desvalorização observada na Bolsa de Chicago (CBOT) não representa uma mudança estrutural do mercado. O movimento está ligado principalmente à realização de lucros dos investidores e às previsões de chuvas para o Meio-Oeste norte-americano, fatores que aliviaram momentaneamente as preocupações com o desenvolvimento das lavouras.

Mesmo assim, a consultoria destaca que os riscos climáticos ainda permanecem no radar, assim como as incertezas logísticas no Mar Negro e o elevado ritmo da demanda mundial, elementos que continuam sustentando uma perspectiva positiva para os preços ao longo do segundo semestre.

Produtores devem evitar concentração das vendas

Para os produtores rurais, a recomendação é clara: evitar comercializar grandes volumes durante períodos de correção dos preços.

A orientação é aproveitar eventuais recuperações das cotações internacionais, especialmente na faixa entre 480 e 485 centavos de dólar por bushel, para negociar parcelas da produção de forma gradual. Ao mesmo tempo, manter parte do milho armazenado pode representar uma oportunidade de capturar preços mais elevados durante a entressafra.

Essa estratégia busca preservar margens de rentabilidade em um ambiente de elevada volatilidade, sem abrir mão da possibilidade de ganhos adicionais caso o mercado volte a reagir.

Cooperativas, cerealistas e indústrias também devem adotar estratégias defensivas

A TF Agroeconômica recomenda que as cooperativas ampliem as operações de hedge para proteger as margens dos cooperados e aproveitem momentos de recuperação das cotações para originar milho destinado tanto ao mercado interno quanto às exportações.

O armazenamento de grãos de melhor qualidade também pode gerar prêmios comerciais durante a entressafra.

Já para as cerealistas, a recomendação é recompor estoques de forma gradual durante períodos de baixa, evitando posições excessivamente vendidas diante dos riscos climáticos nos Estados Unidos e das incertezas no comércio internacional.

As indústrias de ração e de etanol também encontram oportunidades nas recentes quedas dos preços, podendo ampliar parcialmente sua cobertura de matéria-prima. Segundo a consultoria, adiar integralmente as compras pode aumentar a exposição a uma eventual valorização futura do cereal.

Chicago abre a semana em queda

Na manhã desta segunda-feira (3), os contratos futuros do milho iniciaram os negócios em baixa na Bolsa de Chicago.

Por volta das 9h14 (horário de Brasília), o contrato com vencimento em setembro de 2026 era negociado a US$ 4,37 por bushel, enquanto dezembro de 2026 era cotado a US$ 4,60. Os contratos para março e maio de 2027 também registravam perdas.

Segundo analistas internacionais, a pressão veio da combinação entre previsões de chuvas para importantes áreas produtoras do Cinturão do Milho dos Estados Unidos e da diminuição das tensões envolvendo Estados Unidos e Irã.

As previsões meteorológicas indicam a ocorrência de tempestades e volumes expressivos de chuva em estados como Iowa durante os próximos dias, reduzindo parte das preocupações com o potencial produtivo da safra norte-americana.

B3 acompanha movimento internacional

No mercado brasileiro, os contratos futuros também abriram a semana em baixa.

Os principais vencimentos negociados na B3 operavam entre R$ 68,84 e R$ 78,80 por saca, refletindo o comportamento do mercado externo.

O contrato de setembro de 2026 recuava para R$ 68,84, enquanto janeiro de 2027 era negociado a R$ 76,82 e março de 2027 a R$ 78,80.

Apesar das perdas observadas no início da semana, especialistas avaliam que a demanda doméstica continua aquecida e ajuda a limitar movimentos mais intensos de queda.

Julho terminou com saldo positivo para o milho

Embora a última sessão de julho tenha encerrado com desvalorização, o desempenho acumulado do mês permaneceu positivo tanto na B3 quanto no mercado internacional.

Segundo levantamento da TF Agroeconômica, o contrato de setembro de 2026 fechou julho cotado a R$ 69,20, acumulando valorização mensal de 1,48%. Já o contrato de dezembro apresentou alta de 3,91% no período.

Na Bolsa de Chicago, o milho registrou avanço de 5,76% em julho, apesar da queda superior a 5% na última semana do mês.

O indicador Cepea também encerrou julho em alta acumulada de 2,63%, reforçando a sustentação dos preços no mercado físico brasileiro.

Mercado físico segue com baixa liquidez

No Rio Grande do Sul, as negociações permanecem lentas, com indicações entre R$ 58 e R$ 63 por saca e média estadual próxima de R$ 58,94. A oferta restrita e o interesse das exportações continuam reduzindo a pressão típica da colheita.

A Emater estima que a safra gaúcha 2025/26 alcance 5,98 milhões de toneladas, representando crescimento de 13,1% tanto na área cultivada quanto na produção.

Em Santa Catarina, a distância entre vendedores, que pedem cerca de R$ 60 por saca, e compradores, oferecendo aproximadamente R$ 55, continua limitando novos negócios.

No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral) revisou a estimativa da segunda safra para 17,05 milhões de toneladas, com aproximadamente 40% da área já colhida e 81% das lavouras classificadas em boas condições.

Já em Mato Grosso do Sul, os preços variam entre R$ 48 e R$ 50,05 por saca, enquanto a demanda da indústria de bioenergia segue absorvendo parte significativa da nova oferta, contribuindo para evitar quedas mais acentuadas.

Perspectiva para o segundo semestre

Mesmo com o avanço da colheita brasileira e o aumento da disponibilidade de milho no curto prazo, os fundamentos continuam favoráveis ao mercado.

A combinação entre demanda doméstica consistente, exportações aquecidas, menor produção europeia, riscos climáticos nos Estados Unidos e incertezas logísticas internacionais sustenta uma expectativa de valorização gradual ao longo do segundo semestre.

Nesse contexto, especialistas reforçam que estratégias de comercialização escalonada, proteção de margens e gestão eficiente dos estoques tendem a oferecer melhores resultados aos produtores diante de um mercado que permanece volátil, mas com viés estrutural ainda positivo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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