Publicado em: 25/05/2026 às 11:40hs
O mercado físico do boi gordo encerrou a semana em baixa nas principais praças pecuárias do Brasil, especialmente em São Paulo, refletindo o aumento da oferta de animais para abate e a desaceleração do consumo interno de carne bovina na segunda quinzena de maio.
Segundo análises divulgadas pelas consultorias Scot Consultoria e Safras & Mercado, o cenário atual favorece a atuação mais confortável dos frigoríficos nas negociações, permitindo tentativas de compra em patamares menores e pressionando parte das categorias bovinas.
De acordo com o informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria, as cotações do boi gordo comum e da vaca permaneceram estáveis nas praças paulistas ao longo da sexta-feira (22). No entanto, a novilha teve desvalorização de R$ 3,00 por arroba, enquanto o chamado “boi China” recuou R$ 2,00 por arroba.
O avanço da oferta de animais terminados contribuiu para o alongamento das escalas de abate em São Paulo, que passaram a atender, em média, nove dias úteis.
A consultoria destaca que o comportamento mais lento das vendas de carne bovina no mercado doméstico também ampliou a pressão sobre os preços, principalmente diante da menor capacidade de consumo da população no fim do mês.
Em Mato Grosso, o movimento de baixa continuou após os recuos registrados anteriormente em todas as regiões do estado. Nesta sexta-feira, a região Norte concentrou novas desvalorizações, com queda de R$ 3,00 por arroba tanto para o boi gordo quanto para a novilha.
As escalas de abate no estado variaram entre sete e dez dias, demonstrando maior conforto operacional para os frigoríficos.
No Acre, o mercado pecuário também apresentou pressão baixista. A cotação do boi gordo caiu R$ 2,00 por arroba, enquanto as fêmeas registraram recuo de R$ 3,00 por arroba.
O mercado atacadista de carne bovina apresentou preços mais fracos ao longo da semana, acompanhando o menor ritmo de consumo interno.
Segundo o analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, a tendência é de continuidade do movimento de queda durante a segunda metade de maio, período tradicionalmente marcado pela descapitalização do consumidor.
Além da demanda mais enfraquecida, a carne bovina enfrenta perda de competitividade frente às proteínas concorrentes, especialmente a carne de frango, que mantém preços mais acessíveis ao consumidor brasileiro.
Na quinta-feira (21), o quarto traseiro bovino foi cotado a R$ 27,50 por quilo. O quarto dianteiro ficou em R$ 21,00 por quilo, enquanto a ponta de agulha foi negociada a R$ 20,00 por quilo.
Apesar da pressão no mercado doméstico, as exportações brasileiras de carne bovina continuam apresentando desempenho expressivo em maio.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil exportou 141,349 mil toneladas de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada nos primeiros dez dias úteis do mês.
A receita obtida no período alcançou US$ 913,250 milhões, com média diária de US$ 91,325 milhões.
O volume médio diário embarcado cresceu 36,2% em comparação com maio de 2025, enquanto a receita média diária avançou 69,1%. O preço médio da tonelada exportada também apresentou valorização de 24,2%, chegando a US$ 10.381,10.
O forte ritmo das exportações continua sendo um dos principais fatores de sustentação do setor pecuário brasileiro em 2026, especialmente diante do cenário mais pressionado no consumo doméstico.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias