Boi gordo: oferta restrita sustenta arroba a R$ 385 em SP e altas em outras praças
Escalas de abate entre cinco e seis dias úteis mantêm pressão sobre frigoríficos; no atacado, concorrência do frango limita reajustes da carne bovina
Publicado em: 23/10/2026 às 15:06hs
A oferta restrita de boi gordo mantém as cotações da arroba firmes no Brasil, com valorização em diferentes regiões e estabilidade em São Paulo. A postura cautelosa dos pecuaristas na negociação de animais dificulta o alongamento das escalas de abate e sustenta a possibilidade de novos reajustes.
Segundo Fernando Iglesias, analista de Safras & Mercado, a intensidade do movimento varia entre as praças. Em São Paulo, as altas perderam força após os avanços recentes, diante da resistência dos frigoríficos a pagar valores maiores. Na Região Norte, a necessidade de recompor as programações de abate mantém uma pressão mais intensa sobre os preços.
Na maior parte do país, as escalas permanecem entre cinco e seis dias úteis. Para o analista, a dificuldade das indústrias em ampliar essa cobertura deixa o mercado sujeito a novos episódios de valorização, inclusive nas praças paulistas.
Preço do boi gordo sobe em cinco das seis praças acompanhadas
As referências de 22 de outubro, na modalidade a prazo, mostram estabilidade em São Paulo e aumentos nas demais localidades monitoradas. Dourados, em Mato Grosso do Sul, apresentou a maior valorização percentual entre as seis praças informadas.
Confira os preços e a comparação com o encerramento da semana anterior:
- São Paulo (SP): R$ 385,00 por arroba, sem alteração;
- Goiânia (GO): R$ 368,00 por arroba, ante R$ 365,00, alta de aproximadamente 0,82%;
- Uberaba (MG): R$ 375,00 por arroba, frente a R$ 370,00, avanço de 1,35%;
- Dourados (MS): R$ 380,00 por arroba, ante R$ 370,00, valorização de 2,70%;
- Cuiabá (MT): R$ 355,00 por arroba, frente a R$ 350,00, aumento de 1,43%;
- Vilhena (RO): R$ 363,00 por arroba, ante R$ 360,00, alta de 0,83%.
O comportamento regional evidencia que a disponibilidade de animais e a necessidade de compra das indústrias continuam determinantes para a formação dos preços.
Atacado tem reajuste no dianteiro, mas consumo limita avanços
No mercado atacadista, o espaço para aumentos foi menor. Os reajustes ficaram concentrados nos cortes do dianteiro bovino, enquanto o traseiro manteve a cotação da semana anterior.
O quarto traseiro foi negociado a R$ 29,50 por quilo, sem mudança. Já o quarto dianteiro passou de R$ 22,00 para R$ 22,30 por quilo, alta de 1,36%.
De acordo com Iglesias, o consumo menos aquecido na segunda quinzena do mês, com a redução do efeito da entrada dos salários na economia, dificulta novos repasses.
A carne bovina também enfrenta a concorrência de proteínas mais baratas. O frango apresenta ampla vantagem de preço, favorecendo sua participação nas escolhas dos consumidores e restringindo o potencial de valorização dos cortes bovinos no curto prazo.
Exportações de carne bovina somam US$ 671,5 milhões na parcial de outubro
As exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada totalizaram 107,835 mil toneladas nos primeiros 11 dias úteis de outubro, com receita de US$ 671,457 milhões.
Conforme os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a média diária embarcada foi de 9,803 mil toneladas, enquanto o faturamento diário atingiu US$ 61,041 milhões. O preço médio ficou em US$ 6.226,70 por tonelada.
Na comparação com outubro de 2025, o desempenho apresentou:
- Queda de 32,7% no volume médio diário exportado;
- Redução de 24,4% na receita média diária;
- Alta de 12,4% no preço médio por tonelada.
A valorização da tonelada compensou parcialmente a redução do ritmo dos embarques, mas não impediu o recuo da receita diária na comparação anual.
Oferta de animais e escoamento da carne orientam próximos negócios
O mercado do boi gordo segue marcado por forças distintas. A oferta limitada de animais e as escalas relativamente curtas sustentam a arroba, enquanto o consumo doméstico mais contido dificulta reajustes no atacado.
Nesse ambiente, a capacidade dos frigoríficos de recompor as programações e o ritmo de venda da carne serão decisivos para a continuidade das altas nas diferentes regiões.
Fonte: Portal do Agronegócio
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