Preço do frango sobe no Brasil; Newcastle em SC mantém exportações no radar
Cotações avançam no atacado e no mercado de aves vivas, enquanto embargos regionalizados preservam embarques de outros estados e setor monitora oferta catarinense
Publicado em: 23/10/2026 às 15:20hs
O mercado brasileiro de frango registrou alta de preços no atacado e nas negociações de animais vivos ao longo da semana, em meio ao acompanhamento dos efeitos comerciais do foco de doença de Newcastle em Santa Catarina. Segundo Allan Maia, analista de Safras & Mercado, as cotações seguem sustentadas no Centro-Sul, enquanto o Nordeste apresenta maior desequilíbrio entre oferta e demanda.
No comércio exterior, as informações apresentadas na análise indicam restrições concentradas na produção catarinense. Entre os mercados que adotaram medidas, a China optou pela regionalização do embargo, preservando as compras de produtos avícolas originados nos demais estados brasileiros.
Esse cenário reduz o alcance das restrições sobre as exportações nacionais, mas mantém a atenção sobre o escoamento da produção de Santa Catarina e o possível direcionamento de volumes ao mercado interno.
Newcastle em Santa Catarina gera atenção sobre oferta doméstica
A participação catarinense na produção e nas exportações de carne de frango torna os desdobramentos sanitários relevantes para o equilíbrio do mercado.
Embora a regionalização dos embargos preserve os embarques de outros estados, eventuais dificuldades nas vendas externas de Santa Catarina podem ampliar a disponibilidade de produto no Brasil. Caso esse redirecionamento ocorra, poderá limitar novos reajustes no curto prazo.
A atuação das autoridades sanitárias é importante para a contenção do foco e o restabelecimento das condições de acesso aos mercados. A retomada das compras, entretanto, depende da evolução sanitária e das decisões dos países importadores.
Nesse ambiente, a análise de mercado reforça a importância de manter os alojamentos de pintainhos ajustados à demanda. Uma expansão antecipada da produção poderia elevar a oferta durante um período de incerteza para os embarques catarinenses.
Competitividade frente à carne bovina sustenta vendas
No atacado, Maia identifica uma relação equilibrada entre oferta e demanda, que favoreceu as altas da semana.
O analista pondera que a segunda quinzena costuma apresentar menor impulso ao consumo. Ainda assim, a vantagem de preço do frango em relação à carne bovina contribui para sustentar as vendas, mesmo em um ambiente de maior cautela dos compradores.
A evolução das cotações dependerá, entre outros fatores, do consumo doméstico e do volume de produtos catarinenses eventualmente destinado ao mercado brasileiro.
Peito e asa congelados ficam mais caros em São Paulo
O levantamento de Safras & Mercado mostrou valorização do peito e da asa de frango congelados em São Paulo, enquanto a coxa permaneceu estável.
No atacado, os preços por quilo apresentaram o seguinte comportamento:
- Peito: de R$ 9,50 para R$ 9,95;
- Coxa: estável em R$ 7,80;
- Asa: de R$ 12,50 para R$ 13,00.
Na distribuição, o peito passou de R$ 9,75 para R$ 10,05 por quilo. A coxa permaneceu em R$ 8,00, enquanto a asa avançou de R$ 13,00 para R$ 13,50.
Cortes resfriados também registram valorização
Entre os produtos resfriados, o movimento foi semelhante: peito e asa subiram, enquanto a coxa manteve os valores anteriores.
No atacado paulista, as referências por quilo foram:
- Peito: de R$ 9,60 para R$ 10,05;
- Coxa: estável em R$ 7,90;
- Asa: de R$ 12,60 para R$ 13,10.
Na distribuição, o peito aumentou de R$ 9,85 para R$ 10,15 por quilo. A coxa seguiu em R$ 8,10, e a asa passou de R$ 13,10 para R$ 13,60.
Frango vivo sobe em São Paulo e no Centro-Oeste
O preço do frango vivo em São Paulo avançou de R$ 5,70 para R$ 5,80 por quilo na comparação semanal.
No Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul e Goiás registraram aumento de R$ 5,40 para R$ 5,45 por quilo. No Distrito Federal, a cotação passou de R$ 5,45 para R$ 5,50, mesmo movimento observado em Minas Gerais.
Nas integrações do Sul, os preços ficaram estáveis:
- Rio Grande do Sul: R$ 4,75 por quilo;
- Santa Catarina: R$ 4,75 por quilo;
- Oeste do Paraná: R$ 4,65 por quilo.
Também houve estabilidade nas praças acompanhadas do Ceará, a R$ 5,00 por quilo; de Pernambuco, a R$ 5,25; e do Pará, a R$ 6,50.
Exportações de carne de aves somam US$ 561,7 milhões na parcial de outubro
As exportações brasileiras de carne de aves e miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, geraram US$ 561,728 milhões nos primeiros 11 dias úteis de outubro, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
O volume embarcado alcançou 292,969 mil toneladas, com média diária de 26,633 mil toneladas. A receita média por dia útil ficou em US$ 51,066 milhões, e o preço médio foi de US$ 1.917,40 por tonelada.
Na comparação com outubro de 2025, os indicadores apresentaram:
- Alta de 41,5% na receita média diária;
- Crescimento de 23,6% no volume médio diário exportado;
- Avanço de 14,5% no preço médio por tonelada.
Os resultados mostram expansão dos embarques na parcial disponível. Os próximos levantamentos permitirão acompanhar como as restrições à produção catarinense poderão repercutir nas vendas externas e na disponibilidade de carne de frango no mercado doméstico.
Fonte: Portal do Agronegócio
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