Boi gordo dispara em outubro, supera R$ 400 por arroba e registra recordes no Brasil
Oferta restrita de animais, escalas de abate curtas e expectativa de maior demanda chinesa impulsionam os preços; arroba sobe mais de 8% em importantes praças pecuárias
Publicado em: 30/10/2026 às 18:20hs
O mercado brasileiro do boi gordo encerra outubro com forte valorização e novos recordes nominais nas cotações da arroba. A combinação entre oferta limitada de animais prontos para abate, escalas reduzidas nos frigoríficos e expectativa de aumento das compras internacionais, especialmente da China, intensificou a disputa pela matéria-prima e sustentou os preços em importantes regiões pecuárias do país.
De acordo com o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, as escalas de abate permaneceram concentradas entre cinco e sete dias úteis, cenário que ampliou a necessidade de aquisição de animais por parte das indústrias e favoreceu novos reajustes.
Em São Paulo, uma das principais referências do mercado pecuário nacional, os preços avançaram para patamares entre R$ 385,00 e R$ 395,00 por arroba, com negócios mais frequentes alcançando R$ 400,00.
Segundo Iglesias, o movimento de valorização não ficou restrito ao mercado paulista e também atingiu as principais regiões produtoras do Brasil.
Oferta limitada sustenta alta do boi gordo
A disponibilidade mais restrita de bovinos terminados tem sido um dos principais fatores de sustentação das cotações. Com menor volume de animais disponíveis para negociação, os frigoríficos enfrentam dificuldades para alongar suas programações de abate e precisam elevar as ofertas para garantir o abastecimento das unidades industriais.
Outro fator que contribuiu para fortalecer o mercado foi a expectativa de intensificação da demanda chinesa nos meses de novembro e dezembro.
O analista da Safras & Mercado ressalta, entretanto, que o impacto efetivo dessas compras dependerá da administração das cotas de importação chinesas e do ritmo das contratações realizadas pelos compradores internacionais.
No mercado futuro, os contratos negociados na B3 também refletiram o cenário de valorização. Diversos vencimentos ultrapassaram R$ 400,00 por arroba, enquanto o contrato com vencimento em novembro alcançou máxima de R$ 407,00.
Preços do boi gordo sobem até 8,57% em outubro
Os levantamentos do mercado físico em 30 de outubro mostram valorização expressiva nas principais praças pecuárias brasileiras, considerando os preços do boi gordo na modalidade a prazo.
Em algumas regiões, os avanços superaram 8% em relação ao encerramento de setembro, reforçando a intensidade do movimento de alta registrado durante o mês.
Confira as cotações:
- São Paulo (Capital): R$ 395,00 por arroba, alta de 8,22% em relação aos R$ 365,00 registrados no final de setembro.
- Goiás (Goiânia): R$ 375,00 por arroba, valorização de 7,14% frente aos R$ 350,00 do encerramento do mês anterior.
- Minas Gerais (Uberaba): R$ 380,00 por arroba, avanço de 8,57% sobre os R$ 350,00 registrados no fechamento de setembro.
- Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 380,00 por arroba, aumento de 7,04% diante dos R$ 355,00 praticados no final do mês passado.
- Mato Grosso (Cuiabá): R$ 365,00 por arroba, valorização de 5,80% em comparação com os R$ 345,00 informados no fechamento da semana passada.
- Rondônia (Vilhena): R$ 368,00 por arroba, alta de 6,67% frente aos R$ 345,00 registrados no final da semana passada.
O desempenho confirma a abrangência da valorização e evidencia o fortalecimento das referências pecuárias em diferentes estados brasileiros.
Carne bovina no atacado também registra valorização
O mercado atacadista de carne bovina acompanhou o movimento positivo observado na arroba do boi gordo e no mercado de reposição durante outubro.
A oferta mais restrita contribuiu para elevar os preços dos principais cortes comercializados no atacado. Entretanto, a concorrência com as proteínas de frango e suína continuou limitando reajustes mais expressivos.
Conforme a análise de Fernando Iglesias, a menor competitividade da carne bovina em relação às proteínas concorrentes representa um obstáculo para uma valorização mais abrangente no mercado atacadista.
No encerramento de outubro, os preços apresentaram o seguinte comportamento:
- Quarto do traseiro: R$ 29,50 por quilo, aumento de 5,36% frente aos R$ 28,00 registrados no final de setembro.
- Quarto do dianteiro: R$ 22,30 por quilo, avanço de 3,72% em comparação com os R$ 21,50 praticados no encerramento do mês anterior.
Os números mostram que a valorização da matéria-prima também chegou à carne comercializada pelas indústrias, embora em intensidade diferente entre os cortes.
Exportações de carne bovina apresentam queda no volume diário
Apesar da valorização dos preços no mercado interno, os dados de comércio exterior indicam um desempenho mais moderado das exportações brasileiras de carne bovina em outubro, na comparação com o mesmo período de 2025.
Segundo informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada movimentaram US$ 970,950 milhões em outubro, considerando os primeiros 16 dias úteis do mês.
A média diária de receita alcançou US$ 60,684 milhões, enquanto o volume embarcado totalizou 154,504 mil toneladas, equivalente a uma média de 9,656 mil toneladas por dia útil.
O preço médio da tonelada exportada ficou em US$ 6.284,30.
Na comparação com outubro de 2025, os indicadores apresentaram comportamentos distintos:
- Valor médio diário: queda de 24,8%.
- Volume médio diário exportado: recuo de 33,7%.
- Preço médio da tonelada: aumento de 13,5%.
Os dados indicam que, embora o preço médio internacional da carne bovina brasileira tenha avançado, houve redução significativa tanto na receita diária quanto no volume médio embarcado.
Mercado pecuário acompanha oferta e demanda internacional
O cenário de outubro evidencia a influência direta da disponibilidade de animais terminados sobre a formação dos preços do boi gordo no Brasil.
Com escalas de abate curtas e maior necessidade de compra por parte dos frigoríficos, a arroba ganhou força e alcançou patamares recordes em importantes praças pecuárias.
Para os próximos meses, a evolução das cotações dependerá principalmente da capacidade de recomposição da oferta, do comportamento do consumo doméstico e da efetivação das compras chinesas.
A gestão das cotas de importação pela China também será determinante para avaliar a intensidade da demanda externa e seus reflexos sobre a competitividade da carne bovina brasileira.
Enquanto a oferta permanecer limitada, o mercado físico tende a continuar sensível à disputa entre frigoríficos pela aquisição de animais, mantendo a atenção dos pecuaristas sobre os próximos movimentos da arroba.
Fonte: Portal do Agronegócio
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