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Açúcar dispara no mercado internacional e atinge máxima de 19 meses; El Niño ameaça oferta global na safra 2026/27

Preços do açúcar avançaram 4,6% em outubro na Bolsa de Nova York, impulsionados por problemas climáticos no Brasil, na Índia e na Europa. Consultoria Green Pool projeta déficit mundial de 6,28 milhões de toneladas, enquanto produção do Centro-Sul brasileiro registra queda de 14,56%


Publicado em: 30/10/2026 às 18:40hs

Açúcar dispara no mercado internacional e atinge máxima de 19 meses; El Niño ameaça oferta global na safra 2026/27

O mercado internacional de açúcar registrou forte valorização em outubro de 2026, em meio às preocupações com a oferta global e aos impactos das condições climáticas adversas nas principais regiões produtoras. A combinação de chuvas excessivas no Brasil, estiagem na Índia e perdas na produção europeia elevou a percepção de risco no mercado e levou as cotações a atingirem o maior patamar em 19 meses.

Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), os contratos de açúcar bruto com vencimento em março de 2027 encerraram a sessão de 29 de outubro cotados a 19,47 centavos de dólar por libra-peso, contra 18,61 centavos no fechamento de setembro. O avanço representa uma valorização de 4,6% no período.

Durante outubro, entretanto, o mercado chegou a registrar preços ainda mais elevados. No dia 12, o contrato alcançou a máxima intradiária de 21,29 centavos de dólar por libra-peso, estabelecendo o maior nível dos últimos 19 meses.

O movimento reflete principalmente as incertezas sobre o volume de açúcar disponível no mercado internacional durante a safra 2026/27, diante da redução das perspectivas de produção em importantes países exportadores.

El Niño e problemas climáticos pressionam produção mundial de açúcar

As condições climáticas adversas estão entre os principais fatores que sustentam a valorização do açúcar no mercado internacional.

No Brasil, o excesso de chuvas associado ao fenômeno El Niño prejudicou o andamento da colheita e da moagem da cana-de-açúcar em setembro e outubro. Além de dificultar as operações no campo, a umidade elevada contribuiu para reduzir o teor de sacarose da matéria-prima, comprometendo o rendimento industrial das usinas.

Na Europa, a seca intensa registrada durante o verão afetou o desenvolvimento das lavouras de beterraba açucareira, aumentando as preocupações com o volume produzido na região.

A Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, também enfrenta dificuldades relacionadas à irregularidade climática. A estiagem, igualmente associada aos efeitos do El Niño, prejudicou as perspectivas agrícolas e fez com que o início da safra 2026/27 apresentasse resultados inferiores aos registrados no ciclo anterior.

Esse cenário amplia a preocupação dos agentes do mercado com a disponibilidade global de açúcar e reforça a pressão sobre os preços internacionais.

Déficit mundial de açúcar pode chegar a 6,28 milhões de toneladas

As perspectivas para o equilíbrio entre oferta e demanda ficaram mais negativas ao longo de outubro.

Segundo estimativas da consultoria Green Pool Commodities, o déficit global de açúcar na safra 2026/27 poderá alcançar 6,28 milhões de toneladas, volume aproximadamente 3 milhões de toneladas superior à projeção anterior.

A revisão reflete principalmente a deterioração das condições de produção nas principais regiões açucareiras do mundo, com destaque para Brasil, Índia e União Europeia.

O fenômeno El Niño aparece como um dos principais elementos de risco para o setor, uma vez que provoca alterações nos padrões de precipitação, com chuvas excessivas em determinadas regiões e períodos prolongados de estiagem em outras.

Com uma oferta potencialmente menor, o mercado passa a incorporar um prêmio de risco nas cotações, especialmente diante da importância dos principais produtores para o abastecimento internacional.

Produção de açúcar no Centro-Sul cai 14,56% na safra 2026/27

No Brasil, os dados mais recentes confirmam a desaceleração das atividades nas usinas do Centro-Sul, principal região produtora de cana-de-açúcar do país.

Na primeira quinzena de outubro, as unidades produtoras processaram 27,31 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume 29,3% inferior às 38,64 milhões de toneladas registradas na segunda metade de setembro.

Os números foram compilados pela Consultoria Safras & Mercado com base em informações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

A produção de açúcar também apresentou retração expressiva. Na primeira metade de outubro, foram produzidas 1,87 milhão de toneladas, contra 2,861 milhões de toneladas na quinzena anterior, representando uma queda de 34,6%.

No acumulado da safra 2026/27 até 15 de outubro, o processamento de cana alcançou 509,655 milhões de toneladas, recuo de 2,9% em relação ao mesmo período do ciclo anterior.

A produção acumulada de açúcar chegou a 30,803 milhões de toneladas, uma redução de 14,56% na comparação anual.

Menor moagem limita oferta de açúcar e etanol

A desaceleração da moagem no Centro-Sul representa um fator adicional de atenção para o mercado, especialmente em um momento de maior preocupação com a disponibilidade mundial de açúcar.

De acordo com Maurício Muruci, analista da Consultoria Safras & Mercado, a recuperação da moagem observada na segunda metade de setembro não se manteve durante a primeira quinzena de outubro.

O ritmo mais lento de processamento limita a reposição dos estoques de açúcar e etanol nesta etapa da safra, reduzindo a capacidade de recuperação da oferta no curto prazo.

A evolução da moagem nas próximas quinzenas será determinante para avaliar o potencial produtivo restante da temporada e os efeitos das condições climáticas sobre o desempenho das usinas.

Perspectivas para o mercado de açúcar em 2026/27

O mercado internacional de açúcar entra na sequência da safra 2026/27 sob influência de três fatores principais: condições climáticas, desempenho da produção brasileira e disponibilidade do produto nos principais países exportadores.

A possibilidade de um déficit global de 6,28 milhões de toneladas aumenta a atenção dos investidores e compradores internacionais para o comportamento dos preços nos próximos meses.

No Brasil, a evolução das chuvas, a recuperação da moagem e os níveis de sacarose da cana serão fundamentais para determinar o volume final de açúcar produzido pelo Centro-Sul.

Caso as dificuldades climáticas persistam e as projeções de menor produção se confirmem, o mercado poderá continuar enfrentando um cenário de oferta mais restrita, sustentando as cotações internacionais.

Para o setor sucroenergético brasileiro, o momento exige atenção redobrada ao planejamento industrial, às condições de campo e às decisões comerciais, diante de um mercado global mais sensível às oscilações de oferta e às mudanças climáticas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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