Preço do milho cai 6,72% em outubro no Brasil com demanda fraca e pressão da oferta
Saca recua para R$ 62,11 na média nacional, enquanto compradores mantêm negociações cautelosas. Câmbio volátil, embarques abaixo do ritmo do ano passado e ampla oferta internacional limitam a recuperação das cotações.
Publicado em: 30/10/2026 às 19:00hs
O mercado brasileiro de milho encerra outubro sob pressão, com queda nas cotações e demanda ainda enfraquecida. Segundo levantamento da consultoria Safras & Mercado, os consumidores reduziram o ritmo das compras ao longo do mês, favorecidos pelo abastecimento confortável e pela expectativa de novas baixas nos preços.
A retração também foi observada em importantes praças produtoras e consumidoras. Em 29 de outubro, a média nacional da saca de milho ficou em R$ 62,11, recuo de 6,72% em relação aos R$ 66,58 registrados no encerramento de setembro.
Do lado da oferta, os produtores aproveitaram boa parte do mês para avançar na fixação de volumes. Entretanto, a volatilidade cambial e as incertezas sobre a evolução das exportações passaram a estimular uma postura mais cautelosa nas negociações.
Dólar volátil reduz previsibilidade para o mercado de milho
O comportamento do câmbio foi um dos principais fatores de atenção durante outubro. O dólar chegou a operar próximo de R$ 5,60 no início da semana, mas depois recuou para a faixa de R$ 5,35, reduzindo parte do suporte às referências de exportação do milho brasileiro.
Na sexta-feira, 30 de outubro, a moeda norte-americana voltou a subir e girava em torno de R$ 5,43 pela manhã. O movimento alimentou entre os produtores a expectativa de que uma recuperação cambial possa contribuir para melhorar os preços do cereal.
Apesar disso, a valorização do dólar ainda não foi suficiente para provocar uma retomada consistente dos negócios. A paridade de exportação apresentou alguma melhora com o câmbio, mas os valores nos portos continuaram pouco atrativos para estimular uma ampliação significativa das vendas externas.
Exportações de milho seguem abaixo do ritmo da temporada anterior
A programação de embarques também limita a capacidade de recuperação das cotações no mercado interno. Conforme levantamento da Safras & Mercado, o line-up dos portos brasileiros indicava a possibilidade de exportação de 6,016 milhões de toneladas de milho em outubro.
Para novembro, a programação apontava embarques de 3,997 milhões de toneladas. Em dezembro, a previsão era de apenas 68 mil toneladas.
No acumulado entre fevereiro de 2026 e janeiro de 2027, o line-up sinalizava exportações de 26,401 milhões de toneladas do cereal.
O ritmo projetado para os embarques permanece inferior ao observado no mesmo período da temporada passada. Esse cenário reduz a expectativa de escoamento da produção e limita o suporte que a demanda externa poderia oferecer aos preços domésticos.
Chicago também pressiona as cotações do milho
No mercado internacional, os contratos de milho negociados na Bolsa de Chicago enfrentaram pressão diante da perspectiva de ampla disponibilidade do cereal.
Relatórios recentes reforçaram as expectativas de aumento da produção e dos estoques norte-americanos. A percepção de oferta confortável nos Estados Unidos restringiu movimentos mais expressivos de recuperação das cotações internacionais.
Com isso, o mercado brasileiro enfrenta um conjunto de fatores desfavoráveis: demanda doméstica moderada, exportações sem força suficiente para absorver volumes maiores e referências externas pressionadas pela disponibilidade global.
Preços do milho recuam nas principais regiões produtoras
A queda de outubro atingiu diferentes mercados regionais. Em algumas praças, a retração foi mais intensa, como em Rondonópolis, no Mato Grosso, onde a saca passou de R$ 67,00 no encerramento de setembro para R$ 55,00 em 29 de outubro, redução de 17,91%.
Em Cascavel, no Paraná, o milho foi cotado a R$ 61,00, queda de 5,43% em relação aos R$ 64,50 registrados no fim de setembro.
No mercado CIF de Campinas, em São Paulo, a saca ficou em R$ 67,00, recuo de 5,63% frente aos R$ 71,00 do mês anterior. Na região da Mogiana paulista, o preço chegou a R$ 62,00, baixa de 6,06% em comparação aos R$ 66,00 registrados no encerramento de setembro.
No Rio Grande do Sul, a cotação em Erechim passou de R$ 72,00 para R$ 70,00, redução de 2,78%.
Em Minas Gerais, o milho foi negociado a R$ 63,00 em Uberlândia, retração de 3,08% ante os R$ 65,00 do fim do mês anterior. Já em Rio Verde, Goiás, a saca ficou em R$ 60,00, queda de 4,76% em relação aos R$ 63,00 registrados no encerramento de setembro.
Na média nacional, o cereal foi cotado a R$ 62,11 em 29 de outubro, ante R$ 66,58 no final de setembro, representando uma desvalorização de 6,72%.
Exportações de milho somam US$ 988 milhões em outubro
Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil exportou 4,154 milhões de toneladas de milho em outubro, considerando os 16 dias úteis contabilizados no levantamento.
A receita alcançou US$ 988,265 milhões, com média diária de US$ 62,072 milhões. O preço médio da tonelada exportada ficou em US$ 237,90.
Na comparação com outubro de 2025, houve aumento de 0,9% na receita média diária. Em contrapartida, a quantidade média diária embarcada recuou 12,1%, enquanto o preço médio por tonelada avançou 14,8%.
Os números mostram que a valorização do produto exportado não foi suficiente para compensar a redução do volume médio diário embarcado.
Clima e câmbio serão decisivos para o mercado de milho
Para as próximas semanas, o mercado deverá acompanhar principalmente a evolução do dólar e das condições climáticas nas regiões produtoras.
A trajetória do câmbio será determinante para a competitividade do milho brasileiro no mercado internacional e para a formação das referências nos portos. Uma eventual valorização da moeda norte-americana pode melhorar a paridade de exportação, mas seu efeito dependerá também dos preços internacionais e da demanda externa.
O clima, por sua vez, ganhará importância na formação das expectativas para a produção da safra de verão e, posteriormente, da segunda safra de 2027. Alterações nas condições de plantio e desenvolvimento das lavouras podem modificar as projeções de oferta.
Por enquanto, os fundamentos continuam indicando um mercado brasileiro de milho pressionado. A combinação de compradores cautelosos, disponibilidade confortável, embarques em ritmo inferior ao da temporada anterior e oferta internacional elevada reduz as perspectivas de uma recuperação consistente das cotações no curto prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias