Preço do frango sobe em outubro, enquanto exportações brasileiras avançam 31,9%
Cotações da ave viva e dos cortes de frango registraram recuperação em diferentes regiões do país. Em outubro, embarques de carne de aves somaram 395,7 mil toneladas, com receita de US$ 761,4 milhões em 16 dias úteis.
Publicado em: 30/10/2026 às 16:30hs
O mercado brasileiro de frango apresentou recuperação gradual dos preços ao longo de outubro, com movimentos positivos principalmente nas regiões Sul e Sudeste. A melhora no equilíbrio entre oferta e demanda contribuiu para sustentar as cotações da ave viva, enquanto os cortes comercializados no atacado também registraram valorização em diferentes praças.
A avaliação é do analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias. Segundo ele, o ajuste na disponibilidade de produto favoreceu a sustentação dos preços no Centro-Sul. O Nordeste, entretanto, continuou sendo a região de maior fragilidade, apesar de avanços pontuais nas cotações.
Iglesias destaca que o controle dos alojamentos de pintainhos segue como um fator importante para evitar pressão sobre a oferta e preservar as margens da atividade avícola.
Frango congelado mantém preços firmes no atacado
No mercado atacadista, o frango congelado encerrou outubro com preços firmes e relativamente estáveis nas principais regiões brasileiras.
A competitividade da carne de frango em relação à bovina continua favorecendo a presença da proteína no consumo doméstico. Por outro lado, o ritmo mais moderado das vendas durante a segunda quinzena do mês limitou a possibilidade de novos reajustes nos preços dos cortes.
O cenário indica uma recuperação gradual, mas ainda condicionada ao comportamento da demanda e ao equilíbrio entre produção e comercialização.
Preços dos cortes congelados sobem em São Paulo
Levantamento da Safras & Mercado mostrou valorização de cortes congelados de frango no atacado paulista ao longo de outubro.
No atacado, o quilo do peito passou de R$ 9,50 para R$ 9,95, enquanto a asa avançou de R$ 12,50 para R$ 13,00. A coxa permaneceu estável em R$ 7,80.
Na distribuição, o peito subiu de R$ 9,75 para R$ 10,05 por quilo. A asa passou de R$ 13,00 para R$ 13,50, enquanto a coxa manteve o preço de R$ 8,00.
Cortes resfriados também registram valorização
Os cortes resfriados comercializados em São Paulo acompanharam o movimento de alta observado no segmento congelado.
No atacado, o quilo do peito avançou de R$ 9,60 para R$ 10,05, e o da asa passou de R$ 12,60 para R$ 13,10. A coxa permaneceu cotada a R$ 7,90.
Na distribuição, o peito subiu de R$ 9,85 para R$ 10,15 por quilo. A asa avançou de R$ 13,10 para R$ 13,60, enquanto a coxa continuou em R$ 8,10.
Os números mostram que a valorização ficou concentrada principalmente nos cortes de peito e asa, enquanto a coxa apresentou estabilidade nos diferentes canais de comercialização.
Frango vivo registra altas em estados do Centro-Sul e do Nordeste
O levantamento mensal da Safras & Mercado nas principais regiões produtoras apontou avanços no preço do frango vivo em diversas praças brasileiras.
Em São Paulo, o quilo passou de R$ 5,70 para R$ 5,80. Em Mato Grosso do Sul e Goiás, a cotação subiu de R$ 5,30 para R$ 5,45. Em Minas Gerais e no Distrito Federal, o preço avançou de R$ 5,40 para R$ 5,50.
Nas regiões integradas do Sul, as cotações permaneceram estáveis. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o quilo ficou em R$ 4,75, enquanto no Oeste do Paraná permaneceu em R$ 4,65.
No Nordeste, os reajustes foram mais expressivos em algumas praças. No Ceará, o preço passou de R$ 4,75 para R$ 5,50 por quilo. Em Pernambuco, avançou de R$ 5,00 para R$ 6,00. No Pará, a cotação subiu de R$ 6,25 para R$ 6,50.
Apesar da recuperação observada em parte do país, o desempenho regional segue desigual, reforçando a importância do controle da oferta para a sustentação dos preços.
Exportações de carne de frango avançam 31,9% em valor diário
O comércio exterior também apresentou desempenho positivo em outubro. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que as exportações brasileiras de carne de aves e miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, somaram US$ 761,442 milhões em 16 dias úteis.
A quantidade embarcada chegou a 395,678 mil toneladas, com média diária de 24,729 mil toneladas. A receita média por dia útil foi de US$ 47,590 milhões, enquanto o preço médio da tonelada alcançou US$ 1.924,40.
Na comparação com outubro de 2025, os indicadores registraram crescimento em todas as frentes:
- Valor médio diário: alta de 31,9%;
- Quantidade média diária: avanço de 14,8%;
- Preço médio por tonelada: aumento de 14,9%.
Os resultados reforçam o desempenho das exportações brasileiras de carne de frango, com crescimento simultâneo da receita, do volume embarcado e do preço médio.
Regionalização de embargos reduz impacto da Newcastle
Mesmo diante da preocupação com focos da doença de Newcastle em Santa Catarina, as exportações brasileiras mantiveram ritmo elevado.
De acordo com Fernando Iglesias, a regionalização das restrições comerciais ajudou a limitar os efeitos sobre o setor e preservou as perspectivas de embarques recordes.
O desempenho do comércio exterior, combinado à recuperação gradual das cotações no mercado interno, contribui para um cenário mais favorável à avicultura brasileira. A continuidade desse movimento, porém, dependerá da manutenção do equilíbrio entre oferta e demanda, do comportamento das vendas domésticas e das condições de acesso aos mercados internacionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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