Publicidade
Avicultura

Newcastle em SC: foco em granja com 6 mil perus gera restrições e cobrança por transparência

México, China e Chile adotaram barreiras a produtos avícolas brasileiros; Sinergia Animal pede informações sobre o destino das aves e os procedimentos de controle sanitário


Publicado em: 26/10/2026 às 09:40hs

Newcastle em SC: foco em granja com 6 mil perus gera restrições e cobrança por transparência

A confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, Santa Catarina, provocou restrições às exportações avícolas brasileiras e ampliou a discussão sobre biosseguridade e bem-estar animal. O estabelecimento afetado reúne aproximadamente 6 mil perus, segundo informações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) citadas no comunicado da Sinergia Animal.

Diante da ocorrência, a organização cobra transparência sobre o destino das aves e os procedimentos empregados no controle da doença. A entidade defende que a avaliação dos impactos inclua, além das perdas comerciais, as condições dos animais e as responsabilidades dos diferentes elos da cadeia produtiva.

Controle do foco prevê depopulação e vigilância de propriedades

As medidas sanitárias anunciadas para a propriedade incluem a depopulação das aves — retirada dos animais por meio de abate sanitário —, seguida de limpeza e desinfecção das instalações.

Conforme as informações divulgadas, os perus permaneceram no estabelecimento após a identificação do foco, enquanto eram organizadas as ações de contenção. Também foi anunciado o monitoramento de aproximadamente 133 propriedades da região pelas autoridades veterinárias.

A Sinergia Animal pede esclarecimentos sobre a execução dessas medidas, com atenção aos procedimentos utilizados para reduzir o sofrimento das aves durante as intervenções sanitárias.

México, China e Chile impõem restrições à avicultura brasileira

Os efeitos comerciais do episódio alcançaram mercados compradores de produtos avícolas brasileiros. De acordo com o levantamento apresentado no comunicado, até 20 de outubro, as restrições tinham diferentes abrangências:

  • México: suspensão das importações de determinados produtos avícolas de todo o Brasil;
  • China e Chile: restrições específicas a produtos provenientes de Santa Catarina.

O alcance das barreiras comerciais amplia a preocupação do setor com os desdobramentos do foco. Para a Sinergia Animal, porém, a discussão também precisa contemplar a prevenção de novas ocorrências e o tratamento dos animais envolvidos.

Bem-estar animal deve integrar a resposta sanitária, defende entidade

A doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres. Pode causar sinais respiratórios, digestivos e neurológicos, além de mortalidade elevada, dependendo das características da infecção.

Na avaliação de Cristina Diniz, diretora-geral da Sinergia Animal no Brasil, biosseguridade e bem-estar animal devem fazer parte de uma mesma política de responsabilidade na produção.

A dirigente defende que as ações de prevenção e controle considerem as condições de criação, o acompanhamento contínuo da saúde dos plantéis e os procedimentos empregados nas emergências sanitárias.

Para a organização, a divulgação dos prejuízos econômicos precisa ser acompanhada de informações claras sobre o que acontece com os animais e quais providências são adotadas para evitar novos episódios.

Organização cobra responsabilidade e transparência das empresas

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo mencionada no comunicado, a granja afetada integra a cadeia de fornecimento da MBRF, companhia resultante da combinação das operações de Marfrig e BRF.

Ao abordar a responsabilidade empresarial nas cadeias de produção animal, a Sinergia Animal sustenta que a transparência deve atender tanto às exigências dos países importadores quanto ao interesse da sociedade.

A entidade cobra informações sobre as condições de criação, os mecanismos de prevenção e as decisões tomadas durante crises sanitárias. Também defende a adoção de indicadores verificáveis de bem-estar animal na gestão de riscos das empresas.

Prevenção e fiscalização estão no centro do debate

A ocorrência em Santa Catarina evidencia como uma emergência sanitária pode produzir efeitos além da propriedade atingida, envolvendo vigilância regional, relações comerciais e procedimentos de abate sanitário.

Na avaliação da Sinergia Animal, uma resposta mais abrangente exige o fortalecimento da fiscalização, do monitoramento sanitário e da prevenção nas granjas.

A organização defende que a análise dos impactos considere conjuntamente as perdas econômicas, a saúde dos plantéis e o bem-estar das aves, com transparência sobre as medidas adotadas pelas empresas e pelas autoridades responsáveis.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias