Imunidade dos suínos: saúde intestinal e nutrição influenciam desempenho nas granjas
Dietas ajustadas à fase produtiva, controle do estresse térmico e manejo integrado ajudam a preservar o equilíbrio fisiológico e o aproveitamento dos nutrientes
Publicado em: 26/10/2026 às 07:00hs
A imunidade dos suínos está diretamente relacionada à nutrição, à saúde intestinal e às condições de criação. Ao longo do ciclo produtivo, esses fatores influenciam a capacidade dos animais de responder aos desafios sanitários e ambientais, com reflexos sobre o aproveitamento dos nutrientes e o desempenho nas granjas.
A atenção ao sistema imunológico, portanto, precisa fazer parte da rotina de produção. Além da alimentação, aspectos como temperatura, manejo e situações de estresse devem ser considerados na avaliação dos lotes.
Segundo Vitor Hugo Moita, gerente de Nutrição de Suínos da ADM Nutrição Animal, a resposta de defesa do organismo também envolve um custo metabólico. Quando essa ativação se prolonga, parte da energia e dos nutrientes disponíveis passa a atender processos de defesa e manutenção, reduzindo os recursos que poderiam ser destinados ao crescimento.
“O objetivo é fornecer condições para que o organismo mantenha seu equilíbrio e consiga utilizar os nutrientes de maneira adequada em cada fase da produção”, explica.
Saúde intestinal participa da resposta imunológica
O intestino exerce funções que vão além da digestão e da absorção de nutrientes. Sua integridade e a interação com a microbiota também participam do equilíbrio imunológico dos suínos.
Uma revisão científica publicada em 2025 na revista Frontiers in Veterinary Science, mencionada no material, relaciona a microbiota intestinal à regulação da resposta imune, à absorção de nutrientes e à eficiência alimentar.
O período de desmame exige atenção especial, pois os leitões ainda apresentam um sistema imunológico em desenvolvimento e enfrentam mudanças que podem afetar a microbiota e a adaptação à nova etapa de criação.
Para Moita, essa relação reforça a importância de avaliar saúde intestinal e imunidade de forma conjunta. O funcionamento adequado do trato gastrointestinal depende de uma estratégia que considere tanto a dieta quanto o manejo e os desafios presentes no ambiente.
Estresse térmico pode afetar consumo e equilíbrio intestinal
As condições ambientais também interferem na resposta dos animais. Temperaturas elevadas podem reduzir o consumo de ração e provocar alterações metabólicas, digestivas e intestinais.
O estresse térmico pode, ainda, estar associado ao estresse oxidativo, afetando mecanismos envolvidos na manutenção do equilíbrio fisiológico.
Por isso, a avaliação nutricional precisa considerar o ambiente em que os suínos são criados. Uma dieta formulada para determinada fase deve ser analisada em conjunto com as condições que influenciam o consumo e a utilização dos nutrientes.
“Nutrição, ambiente e manejo não funcionam de maneira isolada. Uma estratégia adequada precisa considerar a fase de produção, as condições às quais os animais estão submetidos e os desafios presentes em cada sistema”, afirma o especialista.
Dietas devem acompanhar cada fase da produção de suínos
As exigências nutricionais mudam ao longo da vida dos animais. Dessa forma, uma única abordagem alimentar não atende igualmente a todas as etapas do ciclo produtivo.
A formulação das dietas, a qualidade dos ingredientes e a disponibilidade dos nutrientes precisam ser avaliadas conforme a fase de criação e as condições de cada granja.
Entre as ferramentas disponíveis estão substâncias ativas provenientes de plantas aromáticas e especiarias. Segundo o especialista, esses recursos podem contribuir para a manutenção da integridade e da função intestinal, o aproveitamento dos nutrientes e o suporte à resposta imunológica.
A escolha dessas estratégias deve considerar as necessidades dos animais e os desafios identificados no sistema de produção, dentro de um programa mais amplo de nutrição e manejo.
Avaliação integrada orienta decisões nas granjas
Na avaliação de Moita, compreender a interação entre alimentação, intestino, ambiente e manejo amplia a capacidade de tomar decisões adequadas ao longo da criação.
A ADM informa que utiliza análises, formulações e orientações técnicas personalizadas para desenvolver estratégias nutricionais destinadas às diferentes fases da produção de suínos.
O foco, segundo o especialista, deve estar no conjunto de fatores que interfere no equilíbrio dos animais. Essa visão permite ajustar a nutrição à realidade de cada sistema e oferecer suporte às funções fisiológicas, à resposta imune e ao desempenho produtivo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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