Biosseguridade na avicultura é decisiva para Paraná manter liderança nas exportações de frango
Responsável por mais de 40% dos embarques brasileiros, estado precisa reforçar governança sanitária, automação e controle biológico para preservar mercados e sustentar o crescimento da produção
Publicado em: 30/08/2026 às 11:45hs
A biosseguridade tornou-se um dos principais ativos econômicos da avicultura do Paraná diante do crescimento da produção e das exportações brasileiras de carne de frango. Líder nacional no setor, o estado precisa reforçar continuamente os protocolos sanitários para preservar sua competitividade, evitar interrupções nas atividades industriais e manter o acesso aos mercados internacionais.
O alerta foi apresentado pelo presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar) e sócio-fundador da Globoaves, Roberto Kaefer, durante a Expo + Indústria 2026, realizada em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
Na palestra “Campo à Mesa: a segurança alimentar na cadeia avícola”, Kaefer defendeu o fortalecimento da governança sanitária como estratégia indispensável para proteger a reputação da carne de frango produzida no Paraná e no restante do Brasil.
Controle sanitário protege exportações de carne de frango
A regularidade operacional dos frigoríficos, o monitoramento das granjas e o controle rigoroso dos riscos biológicos são fundamentais para garantir a segurança dos alimentos e preservar o status sanitário brasileiro.
Segundo Kaefer, essas medidas não podem ser tratadas apenas como exigências regulatórias. Elas integram a estrutura que permite ao setor avícola competir internacionalmente e atender mais de 150 destinos.
“A segurança alimentar e o status sanitário não são apenas obrigações acessórias, mas as engrenagens que nos mantêm competitivos”, afirmou o presidente do Sindiavipar.
A ocorrência de problemas sanitários pode provocar restrições comerciais, suspensão de importações e prejuízos em toda a cadeia produtiva. Por isso, a prevenção envolve desde as condições de manejo nas propriedades até o transporte, o processamento industrial e o controle das operações logísticas.
Paraná responde por 35% do abate nacional de frangos
O Paraná ocupa a liderança isolada da avicultura brasileira e responde por aproximadamente 35% do abate nacional de frangos. Nas exportações, a participação estadual supera 40% do volume embarcado pelo País.
Em 2025, os frigoríficos paranaenses exportaram 2,05 milhões de toneladas de carne de frango. Os embarques geraram receita cambial de US$ 3,53 bilhões, demonstrando a importância da atividade para a economia estadual e para a balança comercial brasileira.
Esse desempenho também amplia a responsabilidade sanitária do Paraná. Como principal origem da carne de frango exportada pelo Brasil, qualquer ocorrência capaz de afetar a confiança dos compradores internacionais pode gerar impactos sobre produtores integrados, cooperativas, frigoríficos, transportadores e fornecedores de insumos.
Brasil pode exportar volume recorde de frango em 2026
O Brasil está consolidado como o maior exportador mundial e o segundo maior produtor de carne de frango. As projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) indicam que a produção nacional deverá ficar entre 16 milhões e 16,15 milhões de toneladas em 2026.
As exportações podem crescer até 10,3% e alcançar 5,875 milhões de toneladas no ano. Se confirmada, a estimativa representará um novo recorde para o setor avícola brasileiro.
A expectativa de expansão reforça a necessidade de ampliar a vigilância sanitária e padronizar os protocolos de prevenção ao longo de toda a cadeia. O aumento do fluxo de aves, insumos, pessoas e cargas eleva a importância do controle de acesso às granjas, da higienização dos veículos e do monitoramento permanente dos plantéis.
Biosseguridade começa dentro das propriedades
A prevenção sanitária depende da participação integrada de produtores, agroindústrias, técnicos, órgãos de defesa e fornecedores. Entre as medidas essenciais estão o controle de entrada de pessoas e equipamentos, a limpeza e desinfecção das instalações, o manejo adequado da água e da ração e a destinação correta de resíduos e animais mortos.
Também são fundamentais o monitoramento da saúde das aves, a capacitação das equipes e a comunicação rápida de sinais compatíveis com enfermidades de notificação obrigatória.
Protocolos bem executados reduzem a exposição dos plantéis a agentes infecciosos e ajudam a evitar a disseminação de doenças entre propriedades. Para uma cadeia altamente integrada como a avicultura paranaense, falhas isoladas podem produzir reflexos econômicos em diferentes elos.
Automação e dados ajudam a reduzir custos na avicultura
Além da proteção sanitária, o avanço tecnológico foi destacado como instrumento para aumentar a produtividade e enfrentar os custos da atividade. A agenda corporativa e o diálogo com fornecedores de tecnologias industriais durante a Expo + Indústria ficaram sob a coordenação do diretor executivo do Sindiavipar, Paulo Candido.
Segundo ele, a incorporação de soluções de automação e análise de dados pode ajudar frigoríficos e produtores a corrigir gargalos, melhorar processos e atender ao crescimento da demanda mundial.
“O papel institucional do sindicato é dar suporte para que a indústria de processamento siga quebrando recordes de produtividade de forma sustentável, mantendo a eficiência frente aos principais competidores globais”, avaliou Candido.
O uso de sensores, sistemas de gestão e ferramentas de rastreamento permite identificar desvios com maior rapidez, controlar indicadores de desempenho e aprimorar a tomada de decisões. Essas tecnologias também podem fortalecer a rastreabilidade e a resposta diante de eventuais riscos sanitários.
Governança sanitária sustenta competitividade da avicultura
A expansão da avicultura brasileira depende não apenas do crescimento da produção, mas da capacidade de oferecer regularidade, qualidade e segurança aos compradores internacionais.
Para o Paraná, responsável pela maior parcela do abate e das exportações nacionais, a biosseguridade funciona como uma proteção estratégica para empregos, investimentos, contratos comerciais e geração de renda no campo.
O fortalecimento da governança sanitária, aliado à automação, à rastreabilidade e à capacitação dos produtores, será decisivo para que o estado preserve sua liderança e continue ampliando sua presença no mercado global de carne de frango.
Fonte: Portal do Agronegócio
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