Tilápia além do filé: economia circular gera insumos para cosméticos, rações e biodiesel
Fider Pescados aproveita pele, escamas e outros coprodutos do processamento para atender diferentes indústrias e ampliar as fontes de receita da tilapicultura
Publicado em: 22/10/2026 às 16:00hs
O aproveitamento da tilápia vai além do filé destinado à alimentação. Na Fider Pescados, em Rifaina, no interior de São Paulo, pele, escamas e outras partes do peixe são direcionadas à produção de matérias-primas para cosméticos, nutrição animal e biodiesel. O modelo aplica a economia circular à piscicultura, com foco na redução de desperdícios e na diversificação dos negócios.
Segundo a empresa, o filé representa aproximadamente 30% da massa corporal da tilápia. Os outros 70% recebem diferentes destinações comerciais, permitindo agregar valor às partes que ficam após a retirada do principal corte.
A operação conecta o processamento de pescado a mercados nacionais e internacionais. Pele e escamas são exportadas para a extração de colágeno, enquanto farinha e óleo de peixe abastecem fabricantes de rações e empresas do setor de energia.
Pele e escamas de tilápia abastecem produção de colágeno
A pele corresponde a cerca de 5% da tilápia processada pela Fider. Após a separação, o material é congelado e organizado em blocos para exportação.
As escamas, que representam aproximadamente 2% do peixe, passam por lavagem e secagem antes de serem comercializadas. Conforme a companhia, os embarques mensais chegam a 60 toneladas de pele e 10 toneladas de escamas secas.
Entre os destinos estão mercados asiáticos, como Japão e Indonésia. Nesses países, os materiais são utilizados na extração de colágeno empregado na fabricação de cosméticos e produtos de cuidados pessoais.
Para Juliano Kubitza, diretor da Fider, o atendimento à indústria de beleza amplia as possibilidades comerciais da tilapicultura. Na avaliação do executivo, a destinação desses coprodutos contribui para elevar a rentabilidade e oferecer matéria-prima com origem comprovada.
Farinha e óleo de peixe ampliam aproveitamento industrial
Depois da retirada do filé, da pele e das escamas, cerca de 60% da massa processada segue para a fábrica de farinha e óleo da empresa, instalada ao lado da unidade de beneficiamento, em Rifaina.
A produção média mensal é de 120 toneladas de farinha e 120 toneladas de óleo de peixe.
A farinha entra na formulação de rações, especialmente para animais de companhia. Segundo a Fider, as exportações representam praticamente a totalidade das vendas desse produto.
O óleo tem dois destinos principais: a nutrição animal e as usinas de biodiesel. Dessa forma, o processamento da tilápia também fornece insumos para a cadeia de biocombustíveis.
Processamento imediato preserva qualidade dos coprodutos
De acordo com a empresa, a fabricação dos coprodutos ocorre imediatamente após o abate, estratégia adotada para preservar as características da matéria-prima e limitar a oxidação.
A farinha apresenta aproximadamente 65% de proteína bruta, além de alta digestibilidade, conforme as informações da companhia. Essas características são valorizadas pelos fabricantes de rações.
Já o óleo possui teor de acidez inferior a 1%. A Fider informa que o resultado fica abaixo do limite de até 3% considerado adequado pelo mercado atendido pela operação.
O controle do processamento, portanto, participa da estratégia de valorização comercial dos produtos obtidos a partir das partes remanescentes do peixe.
Economia circular diversifica receitas da tilapicultura
Para Samuel Carvalho, coordenador de produção da Fider Pescados, transformar materiais do processamento em produtos comercializáveis melhora a eficiência da cadeia e cria oportunidades em diferentes setores.
Na avaliação do profissional, os ganhos vão além da redução de resíduos: o aproveitamento integral permite associar responsabilidade ambiental, inovação e geração de receita.
A experiência da empresa mostra como a economia circular na tilapicultura pode ampliar os destinos da produção. Ao fornecer matérias-primas para cosméticos, alimentação animal e energia, a atividade passa a explorar fontes de valor que complementam a comercialização do filé.
Fonte: Portal do Agronegócio
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