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Análise de Mercado

Garibaldi testa novas uvas para produzir vinhos mais leves e anuncia rosé para 2027

Pesquisa iniciada em 2016 na Serra Gaúcha avalia adaptação ao clima, resistência a doenças e potencial enológico; seis vinhos foram apresentados na ProWine São Paulo


Publicado em: 22/10/2026 às 15:30hs

Garibaldi testa novas uvas para produzir vinhos mais leves e anuncia rosé para 2027
Foto: Daniela Radavelli

A Cooperativa Vinícola Garibaldi aposta em novas variedades de uvas para desenvolver vinhos mais leves, frescos e com menor teor alcoólico. O trabalho, iniciado em 2016 em uma área experimental de Santa Tereza (RS), busca conciliar as mudanças no perfil de consumo com os desafios climáticos e a rentabilidade dos viticultores.

Parte dos resultados foi apresentada pelo enólogo Ricardo Morari durante a masterclass “Os Vinhos do Amanhã: Novas Cultivares e Oportunidades para a Vitivinicultura Brasileira na Experiência da Cooperativa Vinícola Garibaldi”. O encontro ocorreu em 7 de outubro, na ProWine São Paulo, no Expo Center Norte.

A degustação reuniu seis vinhos, entre rótulos comerciais e elaborações experimentais. Uma das novidades é um rosé da variedade romena Busuioaca de Bohotin, com lançamento previsto para janeiro de 2027 na linha In Veritas.

Mudanças no clima e no consumo orientam pesquisa

Segundo Morari, o aumento das temperaturas cria um desafio para a elaboração de produtos alinhados à procura por frescor e leveza. O calor favorece o acúmulo de açúcar nas uvas, o que pode resultar em vinhos mais alcoólicos e concentrados.

Ao mesmo tempo, a busca por menor uso de defensivos nos vinhedos e de aditivos na vinificação, somada às mudanças no consumo, estimula a avaliação de outras cultivares.

“A natureza vem nos entregando o oposto do que o mercado procura. O calor dá origem a uvas com mais açúcar e a vinhos mais alcoólicos e concentrados, enquanto o consumidor pede frescor, leveza e menos álcool”, afirmou o enólogo.

Na avaliação de Morari, a Serra Gaúcha apresenta condições favoráveis para atender a esse perfil. Ele destaca a possibilidade de produzir tintos equilibrados, frutados e frescos, com graduação alcoólica entre 12% e 12,5%, além da vocação regional para brancos e espumantes. O cenário, porém, exige acompanhamento contínuo das condições climáticas.

Área experimental reúne 50 cultivares de uvas

A pesquisa começou com a implantação de 50 fileiras de videiras, cada uma destinada a uma cultivar, em uma área de pouco menos de um hectare em Santa Tereza. O município apresenta clima mais quente que o de Garibaldi.

As mudas foram fornecidas por um viveiro parceiro da Itália. Como muitas variedades ainda não tinham histórico de cultivo no Brasil, o processo também envolveu o registro junto ao Ministério da Agricultura.

Após dois ou três anos de observação, as uvas mais adaptadas passaram por microvinificações em lotes de aproximadamente 35 litros. Essa etapa permite avaliar o potencial de cada variedade antes de ampliar o plantio ou definir um lançamento comercial.

Na safra 2026, a cooperativa realizou 22 microvinificações. O acompanhamento inclui desenvolvimento das plantas da poda à colheita, produtividade por planta e por hectare, análises físico-químicas e comportamento diante de doenças fúngicas.

A viabilidade econômica também integra os critérios. Para Morari, a sustentabilidade do projeto depende de variedades que ofereçam retorno ao produtor e condições para manter os cuidados com o ambiente.

Soreli apresenta potencial para vinhos leves e espumantes

Entre as uvas brancas avaliadas está a Soreli, ligada a um projeto de pesquisa da região de Udine, na Itália, com o qual a cooperativa mantém parceria.

A cultivar integra o grupo PIWI, de variedades com resistência genética a doenças fúngicas. Nos testes, apresentou baixo acúmulo de açúcar e acidez elevada, características de interesse para vinhos leves e bases para espumantes.

As primeiras microvinificações revelaram aromas que remetem a pêssego em calda. A cooperativa prepara mudas para ampliar o plantio no início de 2027, com expectativa de lançar o primeiro vinho em dois ou três anos.

Rosé de uva romena deve chegar ao mercado em janeiro

A Busuioaca de Bohotin está em uma etapa mais avançada de desenvolvimento comercial. A variedade romena originou um rosé com 11% de álcool, notas florais, lembranças de morango e leve caráter vegetal.

No campo, o desempenho de aproximadamente 30 toneladas por hectare, associado à boa condição sanitária, incentivou cooperados a implantar os primeiros vinhedos.

O envase está previsto para o início de dezembro, e a chegada às lojas, para janeiro de 2027, como parte da linha Garibaldi In Veritas.

Outra cultivar em avaliação é a georgiana Alexandrouli. Em três anos de microvinificações, produziu um tinto de pouca cor, com 11,7% de álcool, taninos presentes, boa acidez e perfil aromático frutado.

A cooperativa estuda sua utilização em um clarete. Para Morari, a proposta representa um desafio comercial diante da preferência de parte dos consumidores por tintos mais encorpados e de coloração intensa.

Pálava e Irsai Oliver mostram resultados comerciais

A apresentação também incluiu vinhos já disponíveis no mercado. Um deles foi o Garibaldi In Veritas Pálava, elaborado com uma cultivar desenvolvida na República Tcheca nos anos 1970, a partir do cruzamento entre Gewürztraminer e Müller-Thurgau.

O rótulo faz referência à fileira 50, onde a variedade foi cultivada inicialmente na área experimental. Com notas florais, de frutas brancas e toque de tutifruti, o vinho recebeu premiações no Brasil e no exterior, incluindo ouro no Concours Mondial de Bruxelles de 2025.

A degustação contemplou ainda a Muscaris, que também pertence ao grupo PIWI.

O encerramento ficou com o Garibaldi In Veritas Irsai Oliver, de cultivar húngara com ascendência moscatel. Lançado na safra 2025, o vinho tem 10,8% de álcool, aromas de flor de laranjeira e pêssego e conquistou medalha de ouro no concurso Bacchus, na Espanha, em 2026.

Segundo a apresentação, a película resistente da uva também dificulta a entrada de doenças. A característica integra o conjunto de atributos agronômicos, enológicos e econômicos considerados pela cooperativa na seleção de variedades para a vitivinicultura brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

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